Vidas cruzadas: Maria, Marilyn e Jackie

Jacqueline Kennedy, Marilyn Monroe e Maria Callas foram algumas das figuras femininas mais importantes do século 20. Suas escolhas amorosas, no entanto, as colocaram distantes e marcaram suas trajetórias. No centro desse pentágono dois homens típicos de seu tempo: John Kennedy e Aristoteles Onassis. Resultado foi tristeza, escândalo e mortes.

Lendas, casamentos e separações

As vidas dessas três divas são marcadas por dor, superação e corações partidos. Jackie, vinda de uma família desfeita e entrando para a política ao lado do belo marido. Maria, filha de imigrantes gregos, era acima do peso quando nova, rejeitada pela mãe, mas decidida a ser uma estrela na Ópera. Sobreviveu à guerra e fome, enfrentou preconceitos e arrumou brigas históricas, mas realizou seu sonho. Marilyn, uma órfã cuja saúde mental da mãe esquizofrênica a atormentava, virou símbolo sexual em Hollywood, se casou e separou três vezes, colecionou namorados famosos. Em comum, as três estavam unidas a homens que as apreciavam dentro do estilo machista da época. Ou seja, enquanto elas projetavam neles – e no casamento – a felicidade e segurança, para eles, elas eram peças a serem colecionadas.

Jackie Kennedy e John Kennedy representavam para o mundo o casal jovem ideal, feliz, unido e perfeito. Nos bastidores, ele a traía compulsivamente e quando já era presidente, seu caso com a atriz Marilyn Monroe não conseguiu ser discreto. A festa de aniversário, em 1962, onde ela usou um vestido transparente (histórico), foi uma noite de humilhação para Jackie.

E foi também a noite em que Maria e Marilyn se conheceram. A mema Maria que amava Onassis, que conheceu Marilyn, que amava Jack, que era casado com Jackie, que estava infeliz e em seguida foi acolhida por Onassis. Isso mesmo, em 1962, a vida dessas 5 pessoas estaria ligada de forma irreversível.

Maria

Maria Callas se casou jovem com um homem bem mais velho, que cuidava de sua carreira e tinha uma relação quase paternal com ela. Quando conheceu Onassis, com quase 40 anos, a vida espartana e disciplinada da cantora de ópera deu vez ao romance abertamente físico e extraconjugal com o armador grego.

O amor dos dois era escandaloso e mesmo após o divórcio de Maria, ele não se casou com ela. Como uma mulher apaixonada e resignada, ela aceitou. Mas foi surpreendida quando, em 1968, do nada, Onassis se casou com Jacqueline Kennedy, dando à ela tudo que negou à Maria: seu coração e sobrenome.

A tristeza da foto acima é real pois foram tiradas simultâneas: Maria estava em Paris quando Onassis se casou com Jackie.

Maria tentou recuperar a carreira, mas era tarde. Ensaiou trabalhar como atriz, mas não deu certo. Ensinou, mas não foi feliz. O casamento de Onassis e Jackie foi uma negociação comercial que o fez infeliz. Pediu perdão à mulher que o amava incondicionalmente, mas morreu antes que se unissem novamente. Maria, desolada, morreu dois anos depois, de um infarto. Tinha apenas 53 anos.

Jackie

Jacqueline Kennedy vinha de família rica, mas tinha seus dramas. O casamento com Jack foi verdadeiro, porém ele era mulherengo e não a respeitava. Só piorou quando foi eleito presidente dos Estados Unidos.

O caso com Marilyn Monroe logo ganhou destaque nas colunas de fofoca e Jackie contemplou o divórcio, mas era ano de reeleição e os dois tentaram recuperar a união com um novo filho, mas a criança morreu prematura. Foi no período em que estava deprimida por isso que sua irmã a apresentou à Aristóteles Onassis, na época ligado à Maria Callas. A amizade dos dois secretamente avançou para algo a mais após a morte de Kennedy, mas só passou para casamento quando o cunhado de Jackie também foi assassinado. Em um acordo praticamente comercial, os dois se casaram e Jackie passou a ser conhecida como Jackie O. O pragmastimo americano dela contrastava com a paixão cega de Maria e Onassis rapidamente se arrependeu da troca. Quando seu filho morreu, foi com Maria que se consolou. Porém morreu em seguida, deixando sua fortuna e nome para Jacqueline.

Marilyn

A trágica história de Marilyn Monroe já foi recontada inúmeras vezes no cinema e na TV. Seu fascínio é até hoje unânime, portanto do lado machista era “compreensível” que Jack Kennedy não tenha resistido ao caso com ela. Porém, Marilyn era uma mulher apaixonada e a maneira inconsequente que foi tratada pelo presidente e depois pelo irmão dele, contribuíram para o espiral depressivo e sua morte.

Em 1962, a atriz estava apaixonada por Jack e cantou parabéns para ele em uma festa/evento no Madison Square Garden. Jackie se recusou a acompanhá-lo e estar ao seu lado quando a amante estivesse no palco. Sua ausência só liberou qualquer intenção de Marilyn de manter a discrição. Em um vestido que ficou histórico, ela entrou para o imaginário universal.

O evento pelo aniversário de Jack Kennedy reuniu celebridades de todas as áreas. A lista de convidados une os nomes de Marilyn e Maria, em um prenúncio do que viria a acontecer. Maria, abriu a noite. Marilyn, encerrou.

As duas estiveram na festa particular, em seguida. Maria, distante e entediada. Marilyn, encantada de conhecer a diva.

Meses depois, Marilyn foi encontrada morta em sua casa, supostamente por suicídio após o rompimento com os Kennedys.

Jack foi assassinado menos de um ano depois, e Bob, dois anos. O pavor de que estivessem “matando todos os Kennedys” fez com Jackie decidisse sair dos Estados Unidos. Aristoteles foi sua ponte para a segurança material. E Maria? Bom, Maria ficou só, desolada, pagando a conta dos relacionamentos desfeitos por outros.

Em circunstâncias diferentes essas três mulheres poderiam e deveriam ter se apoiado, mas a sociedade as colocou em posições opostas. Uma história que merece ser revista.

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