Um código comum dos que conhecem bem a história de House of the Dragon porque leram os livros é dizer: se você sabe, você sabe. E se aplica para todos os presságios que a série vem nos dando desde o início, com spoilers imbutidos.
Da janela onde Alicent (Emilia Carey) tentava acalantar a bebê Helaena, à moeda que Aemond (Ewan Mitchel) coloca diante de seu “olho bom” para sonhar com um duelo com o tio, Daemon (Matt Smith), às chamas que assustaram Rhaenyra (Milly Alcock) jovem quando imitavam um dragão na noitada dela entre os súditos, foram e são várias dicas do que vem pela frente. Uma das mais constantes, no entanto, é a sombra no rosto de Aegon (Tom Glynn-Carey). Aposto que nunca parou para pensar! Há um sentido: depois da Batalha de Rooks Nest nunca mais veremos esse rosto. Nem externo ou interno.


Uma batalha que vira o jogo
Sei que a cada tragédia dizemos “que vira o jogo”, mas como Rhaenys (Eve Best) alerta: a essa altura, é difícil apontar para o momento em que a violência passou a escalar de forma assustadora. E no confronto que será o maior dessa temporada, as casualidades serão sentidas em ambos os lados.
A ver como a série vai apresentar os fatos históricos relacionados no livro Fogo e Sangue. Nele, o relato é de que Ser Criston Cole (Fabien Frankel) conseguiu ser mais esperto que os Pretos, criando uma armadilha na qual Rhaenys cai e não foge, uma que vai custar a sua vida e a de Meleys. Podemos argumentar que ela vai custar Aegon II também. Ele já é assustador por suas inseguranças, seu despreparo e sede por sangue, mas o monstro real virá depois da batalha.

O que acontece com Aegon II?
Nos relatos históricos, a Batalha de Rook’s Rest ocorre quando seu aliado, Lorde Staunton, é cercado no castelo de Rook’s Rest e pede ajuda contra as forças de Aegon II.
Aegon e Aemond estão escondidos aguardando que os Pretos venham com os dragões resgatar seus apoiadores. Nesse momento, há cinco montadores de dragões contra três dos Verdes, sendo como Helaena (Phia Saban) não luta, portanto são potencialmente cinco (Rhaenyra (Emma D’Arcy), Daemon, Rhaenys, Jacaerys (Harry Collet) e Baela (Bethany Antonia)) contra dois. Para compensar a desvantagem, antecipando que Rhaenyra dificilmente virá pessoalmente, Ser Criston esconde Aegon e Aemond de todos até o momento no qual a batalha parece perdida para os verdes.
O problema começa quando Rhaenyra supostamente proíbe que Jace acompanhe Rhaenys e com isso a Rainha Que Nunca Foi decide voar sozinha. Lembram do diálogo do 1º episódio entre Daemon e Rhaenys? Ele avisa que sozinhos não conseguem confrontar Vhagar, a dragão montada por Aemond. Seria preciso dois dragões para dar conta. Rhaenys nega a proposta de anular Vhagar e claro, pagará com sua vida pela segunda omissão.
Para piorar para nossa Rhaenys, Meleys e ela terão que encarar Aegon e Sunfyre, portanto são é a Dança dos Dragões, literalmente. Ela não foge e no embate vai transformar Aegon. Literalmente.

Durante a batalha, Meleys ataca Sunfyre e Vhagar. Apesar da bravura de Rhaenys e Meleys, eles são superados pela força combinada dos dois dragões inimigos. Antes que Rhaenys e Meleys sejam mortas, a dragão fere gravemente Sunfyre, igualmente incapacitando seu montador, Aegon.
Na queda ele quebra quase todos os ossos e é queimado pelo fogo de dragão, derretendo sua armadura de tal forma que fica desfigurado para sempre. Sim, o “novo” Aegon terá marcas visíveis da batalha.
E se Tom Glynn-Carney já está dando um show, sendo elogiado pelo autor George R. R. Martin, a próxima fase promete destacá-lo ainda mais. “Tom Glynn-Carney dá vida a Aegon de maneiras que nunca vimos antes; ele é mais que um vilão aqui, ele nos mostra a raiva do rei, sua dor, seus medos e dúvidas. Sua humanidade”, diz o escritor.

O “novo”Rei: viciado em opiácios e sedento por vingança
Os ferimentos que o deixam mutilado e incapacitado por um bom tempo, onde apenas medicação pesada para sua extrema dor física consegue deixá-lo vivo. Ou seja, estará sempre drogado e alterado. E o pior de seus medos se torna verdade: em seu lugar Aemond é o regente.
Como vimos, antes de Rooks Rest, Aegon II já era um rapaz cheio de sérios problemas (violento, abusivo, tarado) mas também era visto como um rei confiante. Sabemos que interiormente ele era inseguro, mas determinado a assegurar seu direito ao Trono de Ferro.
“Tom Glynn-Carney dá vida a Aegon de maneiras que nunca vimos antes; ele é mais que um vilão aqui, ele nos mostra a raiva do rei, sua dor, seus medos e dúvidas. Sua humanidade”.
George R. R. Martin
Antes da batalha, ele já vivia o luto e a promessa de vingar a violenta morte de seu filho, depois então sua confiança e vitalidade são profundamente afetadas. Essas mudanças físicas e emocionais em Aegon II têm um impacto significativo em sua personalidade e liderança. Ele se torna mais amargo e ressentido, especialmente em relação a Rhaenyra e seus apoiadores. Aegon II também se torna mais dependente de seus conselheiros e aliados, já que suas capacidades físicas são drasticamente reduzidas. Além disso, a dor constante e a necessidade de medicamentos para gerenciá-la afetam seu humor e clareza mental.
O resultado dessa transformação é a maneira como ele lida com seus inimigos após a batalha: cruel e implacável, refletindo sua amargura e desejo de vingança. Sua determinação em derrotar Rhaenyra e seus apoiadores se intensifica, mas agora é alimentada por um profundo ódio e ressentimento, em vez de apenas uma busca pelo poder.

Relatos de que a série vai mudar detalhes importantes
Se os vazamentos da temporada se confirmarem, e tudo indica de que estão certos, o veneno plantado por Larys Strong (Matthew Needham) vai interferir diretamente na relação entre Aemond e Aegon, algo que, no livro, é impensável. Haverá, como foi na morte de Lucerys, aspectos que Historiadores não saberão e que muda a perspectiva dos acontecimentos.
Essas adaptações ficaram claras desde a 1ª temporada quando Aemond cumpre a missão de localizar o irmão e desabafa com Ser Criston que se sente mais preparado para liderar do que Aegon. Os sinais sempre foram explícitos: Aegon não queria se casar com Helaena, Aemond sim. Aegon não estudou, nunca considerou que seria Rei, Aemond sim. Aegon não é tão eficaz em embates como Aemond, Aegon não tem uma dragão como Vhagar e Aegon não é calculista como Aemond.

No livro, Aemond e Aegon são inseparáveis e alinhados na luta pelo Poder. Aemond não expressa desejo particular de governar, o faz apenas para ajudar o irmão enquanto ele se recupera da batalha. Na série é mais complexo do que isso.
Aegon participava de todas as gozações que foram formando a personalidade de Aemond, em especial a dificuldade de ter um dragão quando ainda era criança. Mesmo que tenha argumentado que participou das brincadeiras contra o irmão influenciado pelos sobrinhos, Aemond sabe exatamente como Aegon é: um covarde maligno.
Encorajado pela fofoca de Larys, Aegon começa a desenvolver a paranóia comum dos Reis: a de a olhar para os lados e identificar inimigos e ameaças à sua Coroa. Otto (Rhys Iphans) tentou sempre convencer Viserys (Paddy Considine) que Daemon queria seu lugar, sem conseguir ser efetivo. Larys foi preciso e bem sucedido. Com isso, Aegon humilhou o irmão novamente, sem o álibi de ter os sobrinhos incitando dessa vez. Um momento crucial que voltará para mudar tudo.
Segundo dizem, ou Aemond será o responsável pelo ataque à Aegon ou deliberadamente não evitará o embate, visando matá-lo e pegar a Coroa. Será?

Se isso se confirmar, teremos dois filhos de Alicent destruídos por dentro e por fora: um com a visão comprometida e outro com a face e corpo destruídos.
Infelizmente, “se você, sabe” e o fim dessa história é muito triste. E nem chegou à metade ainda!
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