Mary e George: Intrigas e Romance na Corte dos Stuarts

Não faço segredo de que AMO séries históricas e de época, e nos últimos 5 anos assisti a todas possíveis sobre diferentes períodos das monarquias britânicas e francesa, até russa se incluirmos The Great. Estava ansiosa para conferir Mary e George que, estranhamente, foi parar na mais improvável das plataformas: Globoplay.

Havia muitos motivos para querer ver a série: desde Julianne Moore em um papel antagônico à finalmente o foco em um período histórico que não fosse os Tudors ou a Guerra das Rosas, nem mesmo os Plantaganets, que frequentam os palcos e telas com várias versões de seus períodos.

Fora Gunpowder, recentemente, não houve muitas visitas ao período dos Stuarts no Poder, a menos que fosse uma biografia de Mary Tudor, a trágica rainha escocesa. O conturbado filho de Mary, James, veio a ser Rei do Reino Unido após a morte de Elizabeth I e seus romances com outros homens, seus dramas políticos internos são tão complexos (ou mais) do que os Tudors, mas com menor atrativo parece. Mary e George é um intensivo sobre esse período histórico e nossa, como queria ter gostado. Mas não…

O problema em Mary e George está no roteiro, que desperdiça grandes atuações e uma história fascinante em uma narrativa sem charme, sem engajamento ou empatia, mesmo que esteja repleta de sexo, nudez, traições e drama. Ao lado de A Rainha Serpente, por exemplo, é uma tentativa infantil de ser ousada e só acabar sendo confusa.

A história nos mostra como a ambiciosa, inteligente e determinada Mary Villiers (Julianne Moore) venceu todos os desafios para se tornar uma mulher influente, rica e nobre, mesmo que isso significasse prostituir seu filho, sequestrar uma jovem para forçá-la a se casar com outro filho, matar, mentir, chantagear e negociar sem pudor ou receio. Uma personagem menos conhecida, talvez, mas defendida por Julianne com grande carisma.

Nascida “sem berço”, o que no século XVII seria ostracismo, Mary Villiers literalmente prepara e usa seu segundo filho, George (Nicholas Galitzine), para abrir as portas da Corte e garantir a ascensão da família. George, que entrou para a História como um dos homens mais bonitos de seu tempo, veio a ser o Duque de Buckingham, o favorito do Rei James I e depois assessor do filho dele, Rei Charles I, foi uma figura controversa que navegou na política internacional e que virou personagem da saga dos Três Mosqueteiros.

“Educado” na França, como Mary e George mostra, o futuro duque encontrou concorrência e antagonismo até conquistar James I (Tony Curran) e a série passa um bom tempo mostrando os altos e baixos dessa complexa relação de luxúria e amor, perdendo ritmo e se repetindo, precisando colocar o pé no acelerador no último episódio para concluir – apressadamente – a história e nos deixando bem confusos (a menos que conheça a história dos Mosqueteiros, que ajuda um pouco).

A série é a adaptação do best-seller The King’s Assassin, de Benjamin Woolley, que é um relato fascinante da história pouco explorada por historiadores. Uns brincam que os Villiers fazem os Borgias parecerem amadores, podemos rir porque embora seja exagero, claro que não é tão longe. Mas, como já falei, tem um roteiro sem imaginação ou diálogos memoráveis, como vimos em filmes como The Favourite ou até mesmo as séries das rainhas britânicas. Para piorar, a cópia disponibilizada na Globoplay é uma das piores qualidades de SD, perdendo todo investimento de fotografia da produção.

Então Mary e George é ruim? Claro que não, é uma boa série, só não é o que parecia poder ser à primeira vista. Julianne Moore, como mencionei, está à vontade como uma Merteiul de Ligações Perigosas, sem perder nenhuma oportunidade de controlar o jogo. Já Nicholas Galitzine tem um trabalho mais desafiador porque precisa começar com um George adolescente que vai amadurecendo até se tornar um homem amargurado, complexo. Ele se sai muito bem, tem carisma e transmite empatia rara para uma personagem tão negativa nas páginas da História. Merece elogios, mas é também onde a série fraqueja um pouco.

A série foi disponibilizada na Globoplay cerca de seis meses depois da exibição nos Estados Unidos, com todos os episódios no ar para maratonar. Vale conferir, pena que poderia ter sido ainda melhor!


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