De pronto, se falarmos “efeito Jude Law“, poderíamos facilmente imaginar que seja um elogio pois o ator inglês é um dos mais versáteis e queridos do cinema nas duas últimas décadas. Mas o contexto pode mudar e nem sempre é tão positivo.

Há 20 anos, na cerimônia do Oscar em 2005, Law virou alvo de piada do apresentador Chris Rock, irritando o amigo e ator Sean Penn que não viu nenhuma graça na brincadeira. Naquele ano, em uma falta de sorte da qual não tinha menor controle, Jude Law estava em cartaz em seis filmes lançados um atrás do outro. Era virtualmente impossível ir ao cinema sem topar com ele em algum lugar. Seu nome parecia aparecer em todos os cartazes, de grandes produções a dramas menores.
Assim nasceu o que todos temem um dia viver, uma espécie de “efeito Jude Law” que sinaliza superexposição em um mercado onde não se pode estar apagado, mas tapouco excessivo. Isso porque nos trabalhos de divulgação significa que um ator ou atriz, conhecido ou não, se torna uma presença quase onipresente na mídia e nas telas.Um mistério é essencial para manter uma estrela.
Entrando em 2025, temos dois candidatos a “Jude Law” do ano: Nicole Kidman e Nicholas Hoult. Kidman, que em 41 anos apareceu em mais de 50 filmes e outras várias séries, é uma workaholic inegável e em 2024 pode ficar com a “Coroa JL.” Já Hoult, que tem uma carreira também longa (começou como astro infantil na Inglaterra), certamente será o Jude Law da hora. Será que o ajuda?
Claro que Jude Law não foi o primeiro a passar por isso, mas ele fez isso de maneira espetacular. Em 2005, ele estava em filmes como O Aviador, Closer – Perto Demais e Alfie, além de papéis em Cold Mountain e Capitão Sky e o Mundo de Amanhã. O ano se tornou um exemplo clássico de como um ator pode “invadir” as telas de todos os gêneros, de dramas intimistas a blockbusters. E, nesse caso, o fenômeno não era apenas sobre sua capacidade de atuar, mas também sobre a percepção de que ele estava em todo lugar. O nome Jude Law foi um “selo de qualidade” até a piada de Chris Rock, que implicava que ele estava tentando forte demais a se estabelever como estrela.
Kidman, que estava com Law em Cold Mountain passou por isso quase simultanêamente. Em 2001, por exemplo, estrelou Moulin Rouge, Os Outros, e As Horas, além de participar como coadjuvante em outros filmes. Se transformou em um ícone de sua geração, e sua versatilidade em diferentes papéis fez dela uma atriz adorada, mas sempre evidente.

Em 2024 e 2025, ela está não apenas nos cinemas, mas, literalmente, em quase todas plataformas de streaming. De The Perfect Couple, Operação Lioness, Tudo em Família, Aquaman and the Lost Kingdom a Babygirl, que muitos acreditam garantir seu segundo Oscar. Sabendo que ela já anunciou que quer atuar em filmes de terror mais intensos, indicando sua disposição para explorar novos gêneros e desafios em sua carreira, não parece que deixaremos de vê-la em todo lugar tão cedo! Por isso há quem diga que em vez de mostrar versatilidade muitos votantes verão imagem cansativa da atriz, prejudicando sua carreira tão icônica.
Mas há que defender Nicole Kidman, não apenas por ser gigantesca. Ela já era conhecida e respeitada quando intensificou o número de projetos ao qual se ligou. Um pouco a mais? Somente em 2024 surgiu esse tipo de comentário, mesmo que no suspiro. O problema “pega” quando o ator ou a atriz ainda não são efetivamente “estrelas”.
Como Jessica Chastain e Florence Pugh que, em momentos distintos, também incorporaram o efeito Jude Law.
Em 2011, Jessica Chastain teve um ano notável, estrelando nada menos do que sete filmes lançados no mesmo período. Essa sequência de lançamentos simultâneos chamou a atenção da indústria cinematográfica e do público, consolidando sua posição como uma das atrizes mais promissoras de sua geração. Mas também uma Jude Law de saias.

Já Florence não alcançou essa marca, mas em 2019, participou de três filmes de grande repercussão: Fighting with My Family, Midsommar e Little Women. Em seguida, entrou para a franquia Marvel, na qual vem ganhando destaque.
A meu ver, até por ser conterrâneo, Nicholas Hoult é o “novo” Jude Law. Ele está na franquia dos X-Men, estrelou O Menu, Renfield, além da série The Great. E não pára! Fez teste para ser Batman e vai entrar em 2025 com três filmes de destaque.
Apesar de conhecido, Hoult não é visto como uma superestrela global como Jude Law, mas sua crescente notoriedade e a variedade de papéis em que apareceu faz com que seja praticamente impossível ignorá-lo. Eu adoro ele, portanto não estou criticando!
Além de Jurado Nº2, Hoult está em Nosferatu, dublou The Garfield Movie e está em The Order (ao lado de, sim, Jude Law!) e é o novo Lex Luthor de Superman.
Desses filmes, três tem potencial de Oscar: Jurado Nº2 (apontado como provável último filme de Clint Eastwood) e The Order que é o drama histórico onde ele interpreta Robert Jay Mathews, um membro da Ordem Aryana, uma organização extremista dos anos 1980. Todas essas experiências refletem a versatilidade de Hoult e sua capacidade de se adaptar a uma variedade de papéis desafiadores no cinema contemporâneo.

No fim das contas, o “efeito Jude Law” é uma faca de dois gumes. Ele pode ser sinônimo de qualidade e presença marcante ou sinal de saturação e desgaste. Mas, independente da perspectiva, é inegável que quem experimenta esse fenômeno tem, no mínimo, sua relevância garantida, e, para o público, isso é sempre motivo de entusiasmo.
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