A importância de Maria Tallchieff na dança clássica é uma das que faz do ballet algo culturalmente tão importante: uma das primeiras dançarinas de origem osage na história, ela foi musa de George Balanchine e uma das mais reverenciadas bailarinas do século 20. No dia 27 de janeiro de 2025 se lembra o centenário de seu nascimento. Por isso o NYC Ballet vai remontar um dos ballets mais importantes da carreira de Maria: O Pássaro de Fogo.

Além do clássico de Stravinsky, a companhia terá na temporada de janeiro outras obras de Balanchine criadas para Maria Tallchief: Scotch Symphony, que faz homenagem à paisagem dramática e à atmosfera das Terras Altas da Escócia, assim como a revisão do pas de deux de Sylvia, este fora do repertório por 30 anos. Falaremos de cada um separadamente, mas é para se comemorar em particular o resgate de O Pássaro de Fogo que contam com cenários e figurinos de Marc Chagall que foram frutos de muitas discussões de bastidores. Acima de tudo, O Pássaro de Fogo é uma das peças que contribuiu para a lenda de Maria Tallchief na dança.
Maria: exotismo e talento
Maria Tallchief, que faleceu em 2013, é sinônimo de excelência no balé clássico. Ela nasceu em nasceu em 1925 em Fairfax, Oklahoma, filha de uma mãe de origem francesa e de um pai de origem Osage, uma tribo indígena ameriana. Batizada como Elizabeth Marie Tallchief, ela mudou o nome nos palcos para soar mais europeia. , o que na época era comum. Começou seus estudos de balé ainda jovem e mais tarde foi para Paris e Londres para aprimorar sua técnica que chamou atenção desde cedo por seu porte majestoso e seu talento para a expressão dramática.
Ainda como 21 anos se tornou 1ª bailarina do NYCB e se casou com Balanchine, que era o diretor. Como ele sempre fazia com suas musas, criou inúmeras peças icônicas em cima das habilidades de Maria.
Além de ser uma das mais famosas bailarinas de sua época, Maria Tallchief foi também a primeira bailarina nativa americana a alcançar esse nível de notoriedade internacional. Ela ajudou a abrir portas para muitas outras bailarinas e artistas de origens diversas.
Depois de se separar de Balanchine e sair do NYCB, ela se apresentou ao lado de importantes companhias de balé e bailarinos ao redor do mundo.

A relevância de O Pássaro de Fogo em um cenário tão criativo como o de Balanchine nos anos 1940s e 50s é incrível, por isso é tão interessante sua remontagem em 2025. Sua estreia em 1949 foi um dos marcos fundamentais na história do balé clássico, tanto pela sua abordagem inovadora quanto pela sua importância cultural, combinando a música de Stravinsky com a coreografia de Balanchine e a extraordinária performance de Tallchief, virando imediatamente uma das produções mais influentes e admiradas de todos os tempos.
Embora o balé não seja encenado todos os anos, O Pássaro de Fogo tem sido uma parte importante da tradição do NYCB e como Maria Tallchief mesmo lembrou anos depois, foi o primeiro grande sucesso do New York City Ballet e, como orgulho, ela lembra que anos depois, o coreógrafo comentou com a filha dela: “sua mãe era maravilhosa nele”. Ninguém poderia negar, não é?
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