Para quem foi adolescente nos anos 1980s, dia 14 de abril é um dia especial: hoje, há 40 anos, foi lançado o filme que “definiu a geração X: O Clube dos Cinco (The Breakfast Club).
Em quatro décadas o filme permanece tão relevante quanto no dia em que estreou. Dirigido por John Hughes e lançado em 1985, O Clube dos Cinco se tornou um divisor de águas no cinema adolescente, moldando não só o gênero teen, mas também a forma como falamos sobre identidade, pertencimento e vulnerabilidade na juventude.
“Somos todos bem bizarros. Alguns de nós só sabem esconder melhor, só isso.”
Andrew (Emilio Estevez)

Um sábado, cinco desconhecidos e muitos rótulos
A premissa é simples: cinco adolescentes que não se conhecem são obrigados a passar um sábado de detenção juntos na biblioteca da escola. Cada um representa um estereótipo: o atleta, a princesa, o nerd, a esquisita e o rebelde. Mas ao longo do dia, o que parecia uma reunião de opostos se transforma em uma jornada de autoconhecimento e empatia.
Aos poucos, os personagens baixam a guarda e compartilham suas histórias. Falam de pais ausentes ou exigentes, de inseguranças profundas, de expectativas esmagadoras. É aí que o filme ganha força: ele mostra que, por trás de todo rótulo social, existe um ser humano tentando ser aceito, tentando ser visto.
“Parafusos caem o tempo todo. O mundo é um lugar imperfeito.”
— Bender (Judd Nelson)
Um roteiro honesto, diálogos marcantes
John Hughes, roteirista e diretor, tinha um talento raro para ouvir os jovens e colocá-los no centro da narrativa sem condescendência. Os diálogos de O Clube dos Cinco são intensos, reais, cheios de silêncios importantes. Em vez de ações mirabolantes, o filme aposta no poder da conversa, da escuta e da quebra de barreiras. É um retrato sensível de uma fase da vida em que tudo parece urgente, dramático e definitivo.

“Eu não sou um monstro. Eu não sou um monstro.”
— Allison (Ally Sheedy)
O impacto cultural: por que virou clássico?
Mais do que um filme adolescente, O Clube dos Cinco se tornou uma lente cultural. Ele moldou o imaginário de toda uma geração e influenciou tudo que veio depois. Séries como Stranger Things, Glee, Euphoria e Riverdale têm traços diretos da estética e da narrativa de Hughes. Filmes como As Vantagens de Ser Invisível, Clube dos Cinco (uma homenagem direta no título em português), Easy A e Lady Bird carregam seu DNA.
A trilha sonora também marcou época. Don’t You (Forget About Me), da banda Simple Minds, virou hino e encerra o filme com a icônica cena de John Bender (Judd Nelson) erguendo o punho no ar — um gesto que se tornou símbolo da juventude rebelde, autêntica e emocionalmente intensa.
A canção, que foi escrita para o filme, custou a achar uma banda que topasse gravá-la e só entra nos créditos, quando os cinco fazem um pacto de não esquecerem do outro um do outro quando voltarem para as aulas normais. Quando a música entra, temos a resposta. É de arrepiar.

O que trouxe autencidade para o filme foi que, apesar do roteiro ter sido escrito por Hughes, várias falas e interações entre os personagens foram desenvolvidas a partir de improvisações dos próprios atores durante os ensaios. Por exemplo, a cena em que todos estão sentados no chão, se abrindo emocionalmente, foi construída com base em conversas reais do elenco com Hughes.
E essa era a assinatura do diretor: ele sempre criava um ambiente íntimo no set e não permitia que muitos adultos ficassem por perto durante as filmagens das cenas mais emocionais, para que os atores se sentissem à vontade para se vulnerabilizar. Isso ajudou a criar a química única entre o elenco.
E pensar que em vez de The Breakfast Club, no original, o filme teve vários títulos provisórios, incluindo The Library Revolt e Detention. O nome final veio de uma gíria usada pelos alunos da New Trier High School (frequentada por filhos de amigos de Hughes), que se referiam ao grupo da detenção de sábado como “The Breakfast Club”.
“Não consigo acreditar que isso está acontecendo. Não consigo acreditar que estou aqui. Não consigo acreditar que estou realmente falando com vocês.”
— Brian (Anthony Michael Hall)
Um filme sobre o agora — mesmo 40 anos depois
O que torna O Clube dos Cinco tão eterno? Sua capacidade de tocar em verdades que continuam sendo nossas. Mesmo em 2025, quando a adolescência se expressa por meio de redes sociais, avatares e influenciadores, o sentimento de não pertencimento e o desejo de ser compreendido continuam os mesmos.
O filme lembra que todo mundo, em algum momento, já foi (ou ainda é) o “nerd”, a “esquisita”, o “popular” tentando manter a pose, ou o “rebelde” lidando com suas dores escondidas. E por isso, quatro décadas depois, ele continua encontrando novos públicos — e reacendendo memórias em quem já o viu dezenas de vezes.
Apesar do sucesso e da forte química do elenco, os cinco atores nunca mais contracenaram juntos em outro projeto. Hughes chegou a pensar em uma continuação anos depois, mas desistiu porque achava que a magia estava no fato de aquela conexão ter acontecido apenas uma vez. Por isso, quando em 2025 eles se reuniram para celebrar o aniversário, foi tão especial. Os atores aproveitaram para lembrar o falecido diretor do filme, John Hughes, que também era conhecido por filmes adolescentes icônicos como Gatinhas e Gatões (Sixteen Candles) e Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off), entre outros.
“Não faça nada com você mesmo, por nenhum motivo. Está me ouvindo?”
— Claire (Molly Ringwald)

O Clube dos Cinco não é só um retrato dos anos 80. É um retrato da alma adolescente — e por isso, transcende gerações. É um lembrete poderoso de que, no fim das contas, todos nós somos um pouco parecidos. Todos só queremos ser vistos, ouvidos, lembrados… e compreendidos. O que o gesto final do punho erguido retrata: o grito silencioso de milhões de adolescentes ao redor do mundo. Atemporal.
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