Com a morte do Papa Francisco em abril de 2025, reacendeu-se o fascínio coletivo por profecias antigas — especialmente as de Michel de Nostredame, mais conhecido como Nostradamus, o enigmático astrólogo francês do século XVI cujas previsões continuam a inquietar, inspirar e intrigar a imaginação popular, mesmo quase 470 anos após sua morte.
Quem foi Nostradamus?
Nascido em 1503, na região da Provença, sul da França, Michel de Nostredame foi médico, boticário e astrólogo. Ele viveu em tempos de profunda instabilidade política, religiosa e sanitária — presenciou surtos de peste, guerras religiosas e o medo constante do Apocalipse. Foi justamente nesse clima que ele publicou, em 1555, sua obra mais famosa: “Les Prophéties”, uma coletânea de versos poéticos em forma de quartetos (quatro versos rimados) que pretendia prever eventos do futuro.

Por que as visões eram cifradas?
As profecias de Nostradamus são escritas em uma linguagem altamente simbólica, ambígua e fragmentada. Além de usar arcaísmos, expressões latinas, gregas e provençais, ele embaralhava datas, nomes e referências geográficas. Muitos acreditam que esse estilo era deliberado — uma forma de evitar perseguições religiosas e inquisitoriais, pois a astrologia era vista com suspeita pela Igreja Católica da época. Outros sugerem que ele usava esse estilo para se proteger das reações públicas caso suas previsões não se concretizassem.
Como viveu e como morreu?
Nostradamus teve uma vida marcada por tragédias pessoais, incluindo a morte da esposa e filhos durante a peste. Mais tarde, casou-se novamente e ganhou notoriedade como curandeiro e vidente. Atraindo a atenção da nobreza francesa, inclusive da rainha Catarina de Médici, passou seus últimos anos escrevendo e consultando horóscopos. Ele morreu em 1566, supostamente após prever a própria morte: “Ao amanhecer não mais me verão”, teria dito — e, de fato, morreu naquela madrugada.

Profecias que “se cumpriram”?
Ao longo dos séculos, vários eventos foram associados às suas previsões:
- A Revolução Francesa: Com menções a “povos se levantando contra seus reis”, muitos acreditam que Nostradamus teria antecipado o colapso da monarquia francesa.
- A ascensão de Napoleão e Hitler: Alguns intérpretes afirmam que as descrições de um “líder do terror” vindo do Ocidente apontariam para esses personagens.
- O atentado de 11 de setembro: Versos como “dois irmãos separados por caos… a grande cidade em chamas” foram retroativamente ligados ao ataque às Torres Gêmeas.
- A morte da princesa Diana e a pandemia de COVID-19 também foram citadas em listas de “profecias realizadas”, ainda que de forma bastante genérica e discutível.


E 2025? O Papa Francisco e as profecias recentes
Com a morte do Papa Francisco, ganhou destaque um trecho do livro de Nostradamus que menciona:
“Pela morte de um pontífice muito velho, será eleito um romano de boa idade. Dele será dito que enfraquece sua sé…”
Para alguns intérpretes, isso se refere ao fim do papado de Francisco e à eleição de um novo Papa que dividiria ou enfraqueceria a Igreja. Outra quadra fala de:
“Um jovem de pele escura, com a ajuda do grande rei, entregará a bolsa a outro de cor vermelha.”
Essa passagem foi associada à possibilidade da escolha de um Papa africano, como o cardeal Peter Turkson ou Robert Sarah, ambos frequentemente citados como “papáveis”.
Outros ainda conectam esses eventos com a profecia de São Malaquias, que previu a existência de 112 papas, sendo o último chamado “Pedro, o Romano” — sob cujo comando Roma seria destruída e viria o “terrível Juiz”. Francisco seria o 111º da lista, o que alimenta temores (e especulações) sobre um fim próximo para a Igreja como a conhecemos.

Profecia ou projeção?
É preciso lembrar que as profecias de Nostradamus são extremamente vagas, e sua linguagem permite múltiplas interpretações. Com frequência, os versos ganham sentido apenas após os eventos, quando são retroativamente aplicados. Ainda assim, seu fascínio permanece intacto, especialmente em momentos de crise ou transição — como a escolha de um novo líder espiritual após a morte de um Papa.
Se Nostradamus realmente previu o futuro ou apenas projetou temores de seu tempo, talvez nunca saibamos. Mas sua figura — envolta em brumas de misticismo, ambiguidade e poesia — continua a nos fazer perguntar: e se ele tiver acertado?
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