Poucas telenovelas brasileiras tiveram o impacto internacional de A Escrava Isaura. Produzida pela TV Globo em 1976, a adaptação do romance abolicionista de Bernardo Guimarães (1875) foi uma das produções mais exportadas da história da televisão brasileira. Estrelada por Lucélia Santos como Isaura e Rubens de Falco como o vilão Leôncio, a novela conquistou plateias em mais de 80 países, incluindo China, União Soviética, diversas nações do Leste Europeu, África e América Latina. Sua mistura de melodrama, crítica social e temas universais de liberdade e justiça transformaram Isaura em um ícone cultural e Lucélia Santos em uma estrela mundial.

O fenômeno foi extraordinário: em Cuba, o racionamento de energia elétrica era suspenso durante a exibição da novela; na Rússia, a palavra fazenda foi incorporada ao dicionário; e em países como Bósnia e Croácia, chegaram a decretar cessar-fogo nos horários de exibição. Na China, Lucélia Santos tornou-se a primeira atriz estrangeira a receber o prestigiado Prêmio Golden Eagle, escolhida por mais de 300 milhões de votos.
Em 2004, a Record TV produziu sua própria versão, estrelada por Bianca Rinaldi e novamente dirigida por Herval Rossano. O remake ampliou a narrativa de 100 para 167 capítulos e atualizou a forma de contar a história, sem perder o eixo central da luta de Isaura pela liberdade. O resultado foi um enorme sucesso: estreou com bons índices e cresceu semana após semana, alcançando média próxima de 20 pontos e frequentemente marcando 18–19 em São Paulo. Mais do que bons números, a produção marcou a retomada da teledramaturgia da Record, reposicionando a emissora como concorrente direta da Globo no gênero.
É importante reconhecer, no entanto, que sob os padrões culturais atuais a representação de Isaura ganha uma dimensão mais sensível. No romance original, ela é descrita como uma mulher escravizada de pele clara, e tanto a versão da Globo em 1976 (com Lucélia Santos) quanto a da Record em 2004 (com Bianca Rinaldi) escalaram atrizes brancas para o papel. Se, no século XIX, essa escolha tinha o objetivo de confrontar as elites brasileiras com a brutalidade da escravidão por meio de uma personagem que se parecia com elas, hoje certamente despertaria debates mais intensos sobre representação. Ainda assim, a paixão pela história permanece: a luta de Isaura por liberdade, amor e dignidade continua a ressoar através de culturas e gerações.

Agora, em setembro de 2025, a Record TV prepara a reprise remasterizada da versão de 2004, com som atualizado e imagens aprimoradas por inteligência artificial. A reexibição estreia em 1º de setembro, às 15h30, substituindo O Rico e Lázaro na grade vespertina, e coincide com o 150º aniversário da publicação do romance original de Bernardo Guimarães.
Olhando para essas três etapas — o clássico da Globo que virou fenômeno mundial, o remake da Record que redefiniu a emissora nos anos 2000 e a reprise remasterizada em 2025 — fica claro que o grito de liberdade de Isaura ainda ecoa. Quase 150 anos após sua criação, a personagem continua a emocionar o público, provando que sua história de resistência e dignidade transcende gerações, nações e épocas.
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de jeito nenhum , todos agora para o tronco , Globo Record e herval rossano deve ir para o inferno, rssss
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