Atenção, fãs de The Gilded Age: com a nova temporada prevista para estrear até o fim de 2026, provavelmente não antes de outubro ou novembro, muitas especulações poderão ser feitas com maior precisão até lá. A HBO Max anunciou novos nomes no elenco, além da promoção de personagens até então secundários, e já é possível delinear com alguma segurança o que esperar da quarta temporada de The Gilded Age.
Primeiro, o resumo oficial da temporada:
“Bertha Russell mudou a Sociedade a um custo. Agora sua família deve lidar com as consequências enquanto Agnes van Rhijn aproveita uma oportunidade para recuperar sua posição. Enquanto isso, Marian trilha um novo caminho e Peggy luta para ser aceita por seus futuros sogros. Nesta nova era, é preciso ter cuidado com o que se deseja.”

Pelo que os fãs perceberam a partir de um post de Donna Murphy durante uma prova de figurinos, haverá um salto de aproximadamente dois anos na cronologia, levando a trama para 1886 na quarta temporada de The Gilded Age. Essa informação não veio de um comunicado oficial da HBO, mas de bastidores, o que a torna ainda mais reveladora. O avanço temporal não altera apenas o pano de fundo histórico da série, ele muda o tipo de história que será contada e desfaz expectativas que pareciam naturais logo após o final da terceira temporada.
A sensação predominante era de continuidade imediata. Havia casamentos iminentes, gravidezes recém-anunciadas, investigações em andamento e uma separação conjugal ainda em estado bruto. Tudo indicava que a nova temporada retomaria a trama poucos meses depois do baile de Newport. Agora sabemos que isso provavelmente não acontecerá, e há algo profundamente melancólico nisso.
Se dois anos realmente se passaram, não veremos o nascimento do primeiro filho de Gladys, mas talvez uma duquesa já plenamente integrada à aristocracia britânica, possivelmente lidando com uma segunda gravidez e com uma vida que deixou de ser promessa para se tornar destino. O mesmo vale para a tentativa de assassinato de George Russell. Dois anos depois, a investigação dificilmente estará no estágio caótico em que terminou a terceira temporada. O mistério pode estar resolvido ou enterrado sob acordos silenciosos típicos da elite da época. Em ambos os casos, o foco deixa de ser quem cometeu o crime e passa a ser quem pagou o preço.

O aspecto mais triste aparece na própria sinopse da temporada. Marian trilha um “novo caminho” e Peggy ainda luta para ser aceita por seus futuros sogros, o que sugere que nenhuma das duas se casou nesse intervalo. Em termos históricos, isso é incomum. Noivados na alta sociedade do período raramente ultrapassavam seis meses, como o próprio passado de Agnes demonstra. Se Larry e Marian continuam separados dois anos depois e Peggy ainda fala em sogros futuros, é razoável supor que obstáculos sérios permanecem. Para quem torce pelo casal conhecido como “Larrian”, é melhor preparar os lenços.
A menção de que Agnes van Rhijn aproveitará uma oportunidade para recuperar sua posição é deliberadamente ambígua. Retomar a liderança da casa das mãos de Ada Forte, que agora sustenta financeiramente a família, parece um retrocesso narrativo depois de um arco tão positivo. Prefiro interpretar essa “posição” como a disputa por autoridade dentro da própria família, especialmente considerando que dois anos depois Oscar provavelmente já estará casado com Enid Turner-Winterton, criando a situação inédita de duas Sras. Van Rhijn sob o mesmo teto. O conflito entre sogra e nora tem potencial para eclipsar outros embates domésticos da série. É lamentável que, com o salto temporal, talvez não vejamos a fase inicial desse casamento de fachada.
Falando na casa dos Van Rhijn, a saída de Jack deixa uma lacuna no andar de baixo, agora preenchida por Oliver, interpretado por Taylor Trensch. Trata-se de uma adição aparentemente doméstica, mas potencialmente reveladora. Em uma família obcecada por estabilidade e tradição, qualquer novo elemento pode alterar o equilíbrio interno, especialmente após dois anos de mudanças silenciosas.

A relação entre Larry Russell e Marian Brook, que parecia caminhar para uma resolução rápida, assume contornos mais incertos. Dois anos sem casamento, no universo social de The Gilded Age, não são um detalhe romântico, mas um sinal narrativo poderoso. Pode indicar maturidade, hesitação ou uma ruptura silenciosa. Se Marian trilha um novo caminho, ele pode até ser profissional, mas dificilmente inclui Larry, uma possibilidade que parte o coração de quem acompanhou o romance desde o início.
Isso abre espaço para novos interesses amorosos. Lee Klein, artista em ascensão e discípulo de William Merritt Chase, introduz a dimensão do prestígio cultural como capital social. Em uma Nova York que busca legitimação internacional, arte e bom gosto tornam-se instrumentos de poder e também de competição pessoal. Considerando o interesse de Marian pelas artes, a possibilidade é tentadora.
Fiona Summers, prima dos Astor descrita como uma jovem de boa família que desafia convenções sociais, também surge como potencial elemento de tensão. Ela pode ampliar o arco de Jack e Bridget ou interferir diretamente na dinâmica entre Larry e Marian. O fato de desafiar normas sociais sugere que sua presença não será discreta.


O Dr. William Kirkland, que salvou a vida de George Russell e ficou noivo de Peggy, torna-se personagem fixo, ampliando o foco sobre esse núcleo. Seu mentor, o Dr. Reginald Harris, chega a Nova York para arrecadar fundos para o Freedman’s Hospital, em Washington. Não é um detalhe casual.
Fundado para atender pessoas negras recém-libertas após a Guerra Civil, o hospital tornou-se um centro de formação médica e um símbolo das redes de educação e mobilidade social afro-americanas no período pós-Reconstrução. Sua inclusão na trama sugere que o arco de Peggy deixará de ser apenas doméstico ou romântico para assumir uma dimensão política e intelectual mais ampla. A promessa de uma “conexão surpreendente” indica possíveis alianças filantrópicas ou tensões dentro da própria elite negra, um tema raramente explorado em dramas de época.
Outras adições reforçam essa expansão temática. A editora Mrs. Knapp Curtis, ligada à revista Ladies’ Home Journal, aponta para a influência crescente da imprensa feminina na formação de valores sociais. Sua presença pode abrir espaço para o trabalho de Peggy como jornalista e para reflexões sobre o papel da mulher na modernidade, um papel cada vez mais prescrito e comercializado.

A introdução de John D. Rockefeller leva a série a uma escala ainda mais ampla. Ele não representa apenas riqueza individual, mas a consolidação de um sistema econômico capaz de moldar cidades inteiras. Descrito como um homem que construiu sua própria fortuna a partir de origens humildes e se tornou um dos mais poderosos do mundo, além de devoto batista e filantropo, ele também é conhecido por divergências com outros magnatas. Tudo indica que seu caminho cruzará o de George Russell de maneira tensa.
No campo pessoal, dois anos parecem tempo demais para que Bertha permaneça em suspenso aguardando uma decisão do marido. Se houve reconciliação, ela ocorreu fora de cena. Houve separação definitiva, também. A sinopse sugere que Bertha continua lidando com as consequências de sua ascensão social, e a advertência final de que é preciso ter cuidado com o que se deseja indica que a temporada será menos sobre conquistas e mais sobre o preço delas. Bertha alcançou exatamente o que queria, mas na lógica da Era Dourada vitórias públicas frequentemente exigiam sacrifícios privados.
O ano de 1886 não marca apenas a continuidade da década de 1880, mas um momento em que as transformações sociais e econômicas de Nova York já estavam consolidadas. O poder não se manifestava apenas em gestos grandiosos, mas em ajustes contínuos de posição, alianças e reputação. É um mundo em que decisões já foram tomadas, relações redefinidas e sonhos, para o bem ou para o mal, já se tornaram realidade. Talvez seja exatamente isso que torna o salto temporal tão doloroso quanto fascinante na quarta temporada de The Gilded Age.
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