The Madison: o final explicado e por que a série incomoda tanto

O luto raramente é confortável na televisão. Em The Madison, ele também não é fácil de assistir, e talvez seja exatamente por isso que a série de Taylor Sheridan esteja dividindo tanto quem chega até ela.

O tema não é novidade em séries e filmes, mas frequentemente o tema cai em fórmulas previsíveis e cheias de armadilhas. A primeira temporada de And Just Like That, por exemplo, nos entregou uma Carrie Bradshaw irreconhecível, que nem mesmo uma segunda tentativa conseguiu resgatar. Em contrapartida, WandaVision transformou o luto em inovação narrativa, provando que sensibilidade e criatividade não se anulam.

Em The Madison, a família Clyburn, que vive em Manhattan, na luxuosa Madison Avenue, é devastada pela morte repentina do patriarca Preston, que morre em um acidente de avião durante uma pescaria com o irmão, Paul, em Montana.

De repente, Stacy se vê atravessando os estágios do luto — negação, raiva, culpa, depressão — ainda distante de qualquer aceitação. Como as duas temporadas foram filmadas de uma vez, esses seis primeiros episódios pertencem integralmente à dor. E é uma dor insistente, incômoda, nada elegante.

Episódio 1 (Recap): “Crash Into Me”

A abertura em Montana é quase idealizada. Preston e Paul pescam em silêncio, cercados por uma paisagem que parece saída de um cartão-postal do oeste americano. Paul vive ali, isolado, enquanto Preston retorna à cidade após uma visita. Há uma melancolia sutil na cena, misturada à paz. Preston lamenta que Stacy nunca tenha compartilhado daquele mundo com ele.

O contraste com Nova York é brutal. Paige, a filha mais nova, é agredida em plena Quinta Avenida e ninguém reage. A cidade segue indiferente. A cena sintetiza o que a série quer dizer: ali, ninguém vê ninguém.

A dinâmica familiar rapidamente se revela disfuncional. Paige é instável, mimada e dependente do dinheiro do pai. Abby, a filha mais velha, atravessa um divórcio complicado. Stacy reconhece que falhou na criação das filhas e já não tem paciência para elas.

De volta a Montana, Preston aceita o convite do irmão para uma última pescaria em Idaho. O dia é perfeito até deixar de ser. A tempestade chega, o avião cai e, nos últimos segundos, Preston grita o nome de Stacy.

Quando a notícia chega, em meio a um almoço elegante em Manhattan, tudo desmorona. A família parte imediatamente para Montana. Stacy, devastada, precisa reconhecer o corpo do marido. A partir daí, a narrativa alterna entre o presente e lembranças de uma vida aparentemente perfeita.

Ao encontrar o diário de Preston, Stacy tenta reconstruir o que não viveu com ele. Surge então a pergunta inevitável: ela realmente conhecia o próprio marido?

Entre filhas insuportáveis e um ambiente hostil, Stacy toma uma decisão que ninguém leva a sério — ela vai ficar em Montana.

Episódio 2 (Recap): “Let the Land Hold Me”

O episódio alterna o conforto do passado com a brutalidade do presente. Stacy percorre os caminhos descritos por Preston e começa a compreender o que ele via ali. Sua adaptação é rápida demais para alguém que sempre rejeitou aquele estilo de vida — o que torna suas explosões ainda mais difíceis de defender.

Enquanto isso, Paige é atacada por vespas, reclama, briga e reafirma seu lugar como personagem mais irritante da série. O encontro com o vizinho Cade, que traz comida, expõe o pior da família: desconfiança, arrogância e incapacidade de reconhecer gentileza.

Stacy explode. Não aceita a ingratidão e reforça que pretende ficar.

Ao iniciar os procedimentos para o enterro, descobre que só poderá garantir o descanso do marido se mantiver a posse da terra. Isso transforma sua decisão em algo definitivo: vender tudo em Nova York e permanecer ali.

Ela anuncia que vai morrer naquele lugar.

Episódio 3 (Recap): “Don’t Call Me, Daughter”

Os flashbacks revelam um conflito antigo: Stacy queria cortar o suporte financeiro das filhas, Preston não. Para ele, isso não faria Abby se amar mais.

No presente, a tensão explode. Paige e Abby entram em confronto físico. Stacy intervém, mas a cena deixa claro que a família nunca soube lidar com conflito — nem com afeto.

Stacy decide confrontar Abby diretamente. Dá um ultimato: ou fica em Montana ou perde o apoio financeiro. Abby reage abandonando o carro no meio da estrada.

O episódio também introduz Van, policial local, que rapidamente se conecta com Abby. Há uma química imediata, sustentada por perdas semelhantes.

Enquanto isso, Stacy encontra a arma de Preston e considera usá-la. Cade percebe e a impede com uma delicadeza que revela sua própria história com o tema.

À noite, Stacy observa a família rindo pela primeira vez. Pequeno, mas significativo. Talvez esteja no caminho certo.

Episódio 4 (Recap): “‘Til Death”

Um flashback revela a dor de Paul, que perdeu a esposa em um acidente banal na cidade. Ele nunca superou. Preston entende esse sentimento.

No presente, Liliana chega para organizar tudo que Stacy não consegue enfrentar. O enterro, a herança, as decisões práticas. Preston deixou tudo preparado.

Mas há uma escolha que ninguém pode fazer por Stacy: ficar ou voltar.

O ponto de ruptura vem com a gravação do avião. Ouvir os momentos finais — especialmente Preston gritando seu nome — destrói Stacy novamente. Van acredita que isso trará paz. Não traz.

Ela entra no rio, vestida, devastada.

Enquanto isso, Abby e Van tentam construir algo que claramente não tem futuro. Ele jamais deixaria Montana. Ela não considera ficar.

No fim, Stacy anuncia: no dia seguinte, eles enterram Preston.

Episódio 5 (Recap): “City Shock”

O enterro acontece com ajuda da comunidade local. Simples, direto, digno. A família, no entanto, reage com distanciamento e desconforto.

Stacy percebe que, apesar de tudo, não pertence àquele lugar.

Eles voltam para Nova York.

O retorno é brutal. O apartamento é grande demais, vazio demais, cheio demais de Preston. Stacy não consegue permanecer ali.

A terapia entra como tentativa, mas também como confronto. Stacy rejeita explicações fáceis. Sua dor não cabe em linguagem clínica.

Paige entra em colapso. Chora, não funciona, não reage. Pela primeira vez, a perda se impõe de forma incontornável.

Montana não resolveu nada. Apenas revelou.

Episódio 6 (Final): “I Am Stretched On Your Grave”

Nova York se transforma em um memorial constante. Tudo remete a Preston.

Stacy não suporta.

O memorial organizado por Liliana representa tudo que ela rejeita: formalidade, performance, expectativa social. Ela não desce.

Na terapia, finalmente admite o que sente: medo. Medo de continuar vivendo sem ele.

Paige explode no trabalho e agride uma colega. Perde o emprego. Abby continua presa entre dois mundos, incapaz de escolher.

E Stacy desaparece.

Mais tarde, descobrimos: ela voltou para Montana.

Cade a encontra deitada sobre o túmulo de Preston, com uma arma ao lado. Não há intenção de morrer. Há intenção de permanecer.

Ela diz que sentiu falta daquele lugar. Do silêncio. Do espaço.

E, naquele momento, tudo se encaixa.

Nova York era onde sua vida existia.
Montana é onde ela consegue continuar.


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