Rebecca: Inesquecível, mas plágio de uma obra brasileira

A escritora inglesa Daphne DuMarier escreveu um dos seus maiores sucessos, Rebecca, aos 31 anos, em 1938. Autora de sucesso, era uma das favoritas de Alfred Hitchcock, que adaptou três de suas obras para o cinema (incluindo Rebecca, pela qual ele ganhou um Oscar).

A trama de Rebecca gira em torno de uma jovem que se casa com um viúvo rico, Max DeWinter, e logo descobre que há um mistério sobre a morte de sua primeira mulher, a intangível Rebecca. A opressão de viver sob a sombra de uma mulher lendária, cultivada quase religiosamente pela ultra suspeita governanta, Sra Danvers, só cresce o suspense até a surpresa final. 

Rebecca: Lily James como a Sra. de Winter

O filme, de 1940, foi o estrelado por Laurence Olivier e por Joan Fontaine, irmã caçula de Olivia de Havilland, que foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz. Joan relembra que sua atuação foi muito realista porque ela mesma, nos bastidores, vivia um drama semelhante à de sua personagem. Isso porque Olivier queria Vivien Leigh no papel principal, mas Vivien foi preterida por Joan. Tudo bem, porque por conta dessa rejeição, Vivien acabou tendo a oportunidade de fazer um filme ainda maior – E o Vento Levou – que fez dela uma estrela, mas o mau humor de Laurence contribuiu para a insegurança de Joan (e seu excelente desempenho). 

A escolha da atriz Lily James é uma excelente opção para a refilmagem do clássico. Para quem não leu o livro ou viu o filme (ou viu a novela A Sucessora), aqui vai um pequeno spoiler: nós não conhecemos Rebecca. A personagem principal é a “nova” senhora de Winters (James), que tem que lidar com a fiel governanta Sra Sanders (Kirstin Scott Thomas), que a atormenta com as histórias sobre Rebecca.  É o duelo psicológico dessas duas mulheres que faz de Rebecca, uma história inesquecível.  

Lily James e Kristin Scott Thomas, em Rebecca

Para os fãs de Jane Eyre, de Charlotte Bronte, é possível identificar o elemento que une os dois clássicos ingleses, desde as órfãs que se casam com viúvos e convivem com o “fantasma” da primeira mulher, até um incêndio devastador. A maior sombra em Rebecca, porém, é de outra mulher e logo a de uma brasileira.

Carolina Nabuco escreveu A Sucessora em 1934. A obra foi traduzida para inglês, na esperança de publicá-lo no exterior. A cópia dessa tradução foi enviada para agentes americanos, que encaminharam para editores ingleses, justamente os mesmos mesmos que trabalhavam com Daphne DuMarnier. Há provas de que sim, Daphne leu a tradução de Carolina e, quatro anos depois, publicou Rebecca, onde não apenas a trama é igual, mas há cenas inteiramente idênticas em vários momentos. Jornalistas e críticos identificaram o plágio imediatamente e escreveram sobre isso, no entanto, Daphne já era uma estrela e a obra dela foi adaptada primeiro para o teatro e logo em seguida, para o cinema.

A lenda diz que Carolina processou a escritora inglesa, mas a realidade é mais triste. Ela não tomou nenhuma atitude legal. Apenas se recusou a assinar um documento, preparado pelos advogados do estúdio United Artists, que tentaram fazer com que Carolina aceitasse confirmar a “coincidência” das obras, recebendo uma indenização por isso. Ela se recusou a assinar e o dinheiro, mas tampouco seguiu com nenhum processo. Por isso hoje, a referência do plágio só é basicamente lembrada por brasileiros e virtualmente desconhecida por novas gerações.  

Para curiosos, vale ficar atento ao Viva ou Globoplay porque a TV Globo fez uma adaptação de grande sucesso da obra brasileira, assinada por Manoel Carlos e com Suzana Vieira e Nathalia Timberg nos papéis que serão de Lily James e Kirstin Scott Thomas, respectivamente.

*Publicado originalmente em 01/09/2020

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