O vôo de Paloma Herrera

Tive o privilégio de ver Paloma Herrera dançar, desde sua estréia no American Ballet Theatre até seu apogeu na companhia. E reforço, foi um privilégio. Paloma, como seu nome diz, literalmente voava no palco. Sua precisão técnica e formas perfeitas eram de tirar o fôlego. Foi uma das grandes artistas da dança clássica, sem dúvida.

Fiquei surpresa em descobrir muito mais sobre ela após ler a biografia. Acho que, se soubesse mais sobre ela, apreciaria ainda mais sua dança. O balé, para ela, era genuinamente um mundo que a protegia e que demandava muita dedicação e seriedade, mas que rendia momentos de pura mágica.

Desde o início a autora nos avisa que não vai poupar sua opinião e ela nos dá com uma sinceridade inspiradora. Ela não é crítica apenas com outras pessoas, mas é honesta sobre si mesma. Fala de suas inseguranças, de seus ciúmes, de sua vida amorosa em uma cadência deliciosa, que acompanha seu amadurecimento como pessoa e artista de forma fluida, como um dos seus solos. Para os não dançarinos, Paloma consegue contar suas histórias sem que precisem de profundos conhecimentos de quem é quem ou da dança em si. É, como se propõe, um grande e delicioso bate papo.

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Em seu livro, Paloma fala de seus colegas do ABT, incluindo o brasileiro Marcelo Gomes (seu partner constante em uma boa parte de seus anos no ABT), Angel Gomez e outros. Critica um hábito russo de rigidez no ensino, que não contribui para autoestima dos dançarinos e relembra com grandes detalhes cada passo de sua extraordinária carreira. Ela tem força em sua personalidade, como sua dança demonstrava e agora se confirma.


Paloma, como muitos dançarinos, parou quando completou 40 anos, para sair no apogeu e manter apenas as boas lembranças de suas apresentações. Ela hoje dirige o balé do Teatro Colón, em sua Buenos Aires natal. Tomara que seu livro seja traduzido em breve, é uma grande oportunidade para se descobrir mais sobre os bastidores não apenas do ABT, mas da vida de uma grande artista que se mantém brilhando mesmo sem as sapatilhas.

Veja Paloma e Marcelo Gomes, em 2002

Paloma também cita essa apresentação, em Curitiba, com Cory Stevens.

E com Angel Corella, também o pas de deux de Don Quixote

E a foto mais clássica de Paloma:

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