100 anos de excelência

Oficialmente, a primeira escola de dança surgiu em 1661, na França. Foi na corte do Rei Louis XIV, o Rei Soleil, que não apenas era um exímio dançarino como queria que todos os nobres dançassem bem também. Com a constante evolução dos passos, apresentações e dos anos surgiu o balé clássico.

Porém, com a popularidade na Rússia, Itália, França e Dinamarca, no início do século 20 ainda não havia uma escola britânica de renome. Havia balé, mas não um curso formal. Tudo mudou com o bailarino e professor Edouard Espinosa (russo de nascença), que foi vocal e criticava abertamente não criarem uma instituição. Para ele, o que faltava para que os ingleses pudessem ser perfeitos o ensino oficial, professores seguindo o mesmo padrão. Sua proposta virou realidade em 1920, com a criação da Royal Academy of Dance (RAD). Além de Edouard, a escola contou com a participação de duas outras bailarinas, a dinamarquesa Adeline Genée e a lendária ballerina Tamara Karsavina.

Isso foi há 100 anos. Hoje, a Academia é dirigida pela ex-bailarina Darcey Bussell e tem alunos ao redor do mundo (eu mesma estudei no Brasil) seguindo o programa de estudos e padrão de exames que mantém a qualidade e técnicas da dança elevadas. Para os sortudos que estão em Londres, a exibição On Point: Royal Academy of Dance at 100 no Victoria and Albert Museum, resgata essa história com fotos, documentos, figurinos, vídeos e depoimentos. No momento, as visitas pessoais estão suspensas, mas fica em cartaz até setembro.

Na época em que a RAD foi criada, além de Karsavina, que dançou com Vaslav Nijinsky no Ballets Russes, ninguém menos do que Anna Pavlova estava morando e se apresentando em Londres. Havia portanto uma grande oferta de grandes professores vindos de todas as grandes escolas e juntos, criaram o que hoje é conhecido como o estilo britânico.

Rainha Elizabeth II visitando a RAD em 1974

Tamara Karsavina é apontada a responsável por ter desenvolvido o treinamento adotado pelos professores e esteve ligada à RAD até 1955. Tendo originado o papel do Pássaro de Fogo, de Mikhail Fokine com música de Igor Stravinsky, ela ensinou o papel pessoalmente à Margot Fonteyn, 44 anos depois de que dançou em Paris. O registro das duas lendas juntas, ensaiando o papel, faz parte da exposição, com vídeo e fotos.

Em 1954, Margot Fonteyn já era uma estrela e assumiu a direção da Academia. Foi ela quem desenvolveu todo o curso básico – para as crianças – que até hoje é adotado.

O irmão de Margot, registrou as meninas se apresentando na polka, a foto abaixo. Uma das inovações estabelecidas pela bailarina foi a de fazer com que as aulas infantis fossem agradáveis para as crianças e focassem mais no movimento do que a técnica. Elas já começavam a dançar e desenvolver a musicalidade tão clara na escola inglesa.

Students demonstrate a dance for Margot Fonteyn and others in 1972.

Nos anos 1960s, estava tudo encaminhado para sua aposentadoria dos palcos quando, ao preparar uma Gala beneficente para a escola, convidou o jovem russo, recém chegado ao oeste, Rudolf Nureyev. Era para que ele se apresentasse com outra bailarina mais jovem, mas ele insistiu em dividir o palco com Margot. Nascia aí uma lenda inigualável da dança. Na exposição, há fotos dos ensaios dos dois com a clara química que mudou o balé. Muitas estrelas foram criadas na RAD, de coreógrafos e bailarinos. É importante celebrar sua criação e, para quem pode, conferir a exposição.

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