Saudades de Margot Fonteyn

Ela era linda.
Ela era talentosa.
Ela era uma lenda.
Margot Fonteyn será sempre um dos maiores ícones de todos os tempos do balé clássico e no dia 21 de fevereiro de 2021 completam 30 anos desde sua morte. O New York Times, sem exagero, afirmou que ela redefiniu o balé do século 20. Mas, embora tenha sido Rainha, Princesa e Fada nos palcos, a bailarina morreu de câncer no Panamá, enfrentando dificuldades financeiras e praticamente esquecida pelos velhos amigos. Ela tinha 71 anos.


A trajetória de Margot Fonteyn no mundo da dança inspirou livros e filmes e pode ser dividida em duas fases igualmente importantes. Como muitas meninas, começou a dançar muito nova, incentivada e controlada por sua mãe, obcecada em fazer dela uma estrela do ballet. Ela nasceu como Margaret Hookham, na Inglaterra e tinha o apelido de Peggy. A família viajava muito e ela passou boa parte de sua infância na China. Quando seu talento para o ballet foi identificado, voltou para Londres onde teve aulas com Tamara Karsavina e Mathilde Tchessinskaya, além de claro, sua fada-madrinha, Ninette de Valois. Foi Ninette que decidiu apostar na jovem Peggy, que mudou seu nome para um mais afrancesado “Margot”. Para acompanhar a mudança, o nome de solteira de sua mãe (meio brasileira), Fontes, passou para Fonteyn.

Margot estreou nos palcos em 1934 e em um ano já era a musa do jovem coreógrafo Frederick Ashton. Ninette e Ashton são responsáveis por ajudarem a estabelecer a escola e estilo britânicos de balé e Margot sempre foi o maior símbolo de sua excelência. Ela passou por uma transformação física para se ajustar no modelo que viria a estabelecer um padrão para futuras bailarinas. Ainda assim diziam que tinha “pés fracos”, que também não era a mais flexível, mas Margot era inigualável em sua sensibilidade e musicalidade. O público, os colegas e os críticos amavam ela, cujo temperamento conciliador e doce conquistava até os mais céticos.

De todos os papéis que criou ou que dançou, o mais famoso era A Bela Adormecida. Sua Aurora é reconhecida como uma das melhores de todos os tempos, com equilíbrios perfeitos e uma elegância que teria emocionado a Marius Petipa. Os críticos americanos definiram que ver Margot dançar esse balé era estar na presença de mágica.

Margot foi responsável também por estabelecer a base do ensinamento infantil para o Royal Ballet, um trabalho que é seguido até hoje dentro e fora da Inglaterra. Ela determinou que a dança seja mais voltada para música e criatividade nos primeiros anos, para apenas depois introduzir o estilo e a técnica. Ela estava certa.

Quando chegou aos 42 anos, como muitos bailarinos nessa faixa etária, se preparou para a aposentadoria. Porém foi nessa época que aceitou dançar com um jovem bailarino russo de 23 anos em uma Gala para a escola do Royal Ballet. Era ninguém menos do que Rudolf Nureyev e assim nascia uma das parcerias mais idolatradas e perfeitas da história da dança.

Com Nureyev, Margot permaneceu ativa por mais uma década, rodando o mundo e reescrevendo a dança mais uma vez.

A bailarina deixou os palcos no início dos anos 1980s, quando completou 60 anos, também para se dedicar ao cuidado do marido, o diplomata panamenho Roberto Arias. Arias ficou paraplégico após um atentado à tiros que oficialmente foi motivado politicamente, mas nos bastidores a versão de que foi vítima de um marido ciumento e vingativo de uma de suas amantes é a mais aceita. Conforme for, Margot se mudou para o Panamá e cuidou dele até sua morte, em 1989. Ela acabou por gastar boa parte de seu patrimônio com decisões equivocadas (politica e economicamente) e chegou a passar dificuldades nos últimos anos de vida. Em 1990, embora estivesse já diagnosticada com o câncer que viria a tirar a sua vida, foi homenageada pelo Royal Ballet em uma noite especial produzida para poder ajudá-la.

A morte de Margot Fonteyn abriu uma lacuna na história da dança que, mesmo 30 anos depois, deixou também muita saudade para os fãs.

Reveja Margot em alguns momentos marcantes em sua carreira.

A Bela Adormecida

Giselle, com Rudolf Nureyev

Romeu e Julieta, com Rudolf Nureyev

Marguerite e Armand, ballet feito por Frederick Ashton para Fonteyn e Nureyev.

Veja também

1 comentário Adicione o seu

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s