Quando a criação é sublime: West Side Story

Quando dois gênios se encontram, pode-se esperar mágica. Quando são três, obra-prima. E esse é o caso do musical Amor, Sublime Amor, no original West Side Story, que foi um grande sucesso na Broadway, em 1957, e depois um clássico do cinema, em 1961. Steven Spielberg escolheu justamente essa obra tão querida para marcar sua estréia dirigindo uma obra de música e dança. Com o teaser lançado no Oscar 2021, tivemos uma idéia do que virá em dezembro.

Tudo começou quando o coreógrafo Jerome Robbins, ajudando ao namorado, o ator Montgomery Clift a contextualizar a personagem de Romeu em tempos modernos, se perguntou por que não atualizar toda a peça de William Shakespeare? A essa altura, ele sabia que o único que toparia o desafio era seu amigo, o maestro Leonard Bernstein, com quem já tinha trabalhado para criar o balé Fancy Free e o musical In the Town. Bastou um telefonema para convencê-lo, mas quase oito anos para conseguir tempo na agenda do compositor.

A amizade entre os dois nova iorquinos nasceu do circuito artístico da cidade. Jovens treinados em arte clássica (Leonard na música e Jerome no ballet), eram famosos e respeitados desde seus 20 e poucos anos. Perfeccionistas e temperamentais, os dois se entendiam. Jerome apreciava que as músicas de Leonard frequentemente mudavam seu ritmo no meio da melodia, algo que, para ele, era essencial para destacar a dança. Segundo testemunhas o coreógrafo tomava a liderança do projeto, com um maestro flexibilizando e aceitando idéias.

No caso de West Side Story, o conceito era trazer a história do amor impossível para uma Nova York dos anos 1950s. Primeiro tentaram fazer da religião a razão do conflito entre famílias (católicos e judeus), mas logo desistiram. Foram as notícias da crescente violência das brigas entre gangues e imigrantes que proporcionou o elemento que faltava. Capuletos e Montecchios viraram Jets e Sharks, poloneses-italianos-irlandeses americanos contra porto-riquenhos. Romeu virou Tony e Julieta, Maria. A música seria latina, jazzística e clássica.

Há muitas histórias sobre os bastidores do musical e também do filme. A entrada do genial Stephen Sondheim para fazer as letras só aumentou a aura de clássico na equipe de autores. A estréia na Broadway, com um elenco jovem e imediatamente famoso, aconteceu em setembro de 1957. Em quatro anos, veio o filme e o novo desafio: como transportar a dança dos palcos para as ruas? E conseguiram.

Falaremos do filme em outro post. Amor, Sublime Amor foi lançado nos cinemas em 1961 e é ainda o musical com maior número de Oscars: dos 11 indicados, venceu 10, incluindo Direção, Filme e atores coadjuvantes (Rita Moreno e George Chakiris).

Quase 60 anos depois, a revisitação de Steven Spielberg parece ser quase uma refilmagem, com fãs fazendo todos os paralelos entre cenas com o teaser divulgado no Oscar. Tony será vivido por Ansel Elgort e Maria, pela relativamente desconhecida Rachel Zegler. A novata Ariana DeBose encara o desafio de fazer Anita, o papel que fez de Chita Rivera e Rita Moreno lendas, e David Alvarez terá que sair da sombra do impressionante George Chakiris.


Aqui está a versão de 1961

E aqui, o teaser de 2021

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