Adeus à Carla Fracci

Achei que teria tempo de resgatar fotos, vídeos e momentos de Carla Fracci apenas como trivia, mas é com tristeza que hoje posto um adeus à bailarina que faleceu aos 84 anos, de câncer.

Frequentemente colocamos artistas de destaque no patamar das “lendas”, mas, no caso de Carla, era pura verdade.

Ela começou a dançar aos 10 anos, depois de ver Margot Fonteyn nos palcos. Aos 18, estreava no Scala em uma produção da ópera La Sonnambula, com Leonard Bernstein como maestro, direção de Lucchino Visconti e Maria Callas no papel principal. Foi promovida a primeira-bailarina em seguida.

Além de ágil e precisa, Carla era uma grande atriz dramática. Depois de Marie Taglioni, talvez a sua La Sylphide tenha sido a melhor de todas as demais, virando uma referência. Assim foi sua Giselle, salva em filme (de 1968), uma das maiores de todos os tempos.

Carla Fracci dançou com todos os melhores bailarinos do século XX, incluindo Rudolf Nureyev, Mikhail Baryshnikov, Richard Cragun, Jacques D’Amboise e Fernando Bujones, para citar alguns, e, recentemente, Roberto Bolle, porém foi ao lado do dinamarquês Erik Bruhn que fez história.


A parceria surgiu quando ela ainda tinha apenas 20 e poucos anos (ele era 8 anos mais velho que ela), portanto, no auge da maturidade artística dele e ascensão técnica dela, encantando todos os críticos e fãs de ballet ao redor do mundo. Muitas das apresentações foram recuperadas em vídeos, incluindo a versão completa de Giselle, filmada em 1969.

A título de curiosidade para os brasileiros, a versão de Coppélia que ainda é dançada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro até hoje, foi criada para Erik e Carla, em 1968, com elogios rasgados do New York Times.

Quebrando os padrões, Carla dançou até os 60

anos, sem perder em nada sua técnica. Adorada no universo da dança, era referência na Itália também como atriz. Inspirou várias gerações de bailarinas ao redor do mundo. e também era embaixadora da ONU, trabalhando junto a FAO para combater a fome no planeta. Deixa para a história um exemplo de dedicação, humildade e seriedade. Já faz falta!

Aqui alguns momentos de sua carreira:

Com Erik Bruhn em 1966

Aos 51 anos, dançando A Bela Adormecida

Como Giselle

Em Coppélia

E La Sylphide

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