Alessandra Ferri homenageia Carla Fracci com ballet de Maurice Béjart

Alessandra Ferri já era uma lenda da dança quando voltou aos palcos, aos 50 anos, retomando uma carreira e quebrando tabus. Deusa, ela completou 40 anos de carreira em 2021, dançando uma peça de Maurice Béjart, criada em 1998, para Carla Fracci: A hora mais bela. São muitas homenagens em uma só.

O balé, que Béjart fez no período em que ainda estava de luto pela morte de seu amigo, Gianni Versace, é inspirada em uma das peças mais famosas de Samuel Beckett. Mais ainda, uma das peças consideradas uma das melhores do autor.

Ele começou o texto em 1960, terminou em 1961, e, quando traduziu para o francês, batizou a peça com uma frase de um poema de Verlaine, Colloque Sentimental, onde diz Oh Les Beaux Jours, Oh, Os Dias Felizes.

A peça, dividida em 4 atos, apresenta Winnie, uma mulher na casa dos 50 anos, que está – literalmente – enterrada da cintura para baixo e que relembra momentos de sua vida, tagarelando com o marido taciturno, Willie. No final, enterrada até o pescoço, ela relembra os dias mais felizes. É uma peça sufocante e preferida das grandes atrizes, que incluem Fiona Shaw (fez uma montagem em 2008) e Diane Wiest, entre outras.

Para muitos, Beckett também se inspirou nas imagens do fotógrafo Angus McBean para pensar na história. De qualquer forma, é uma das peças favoritas de atrizes maduras.

Um balé improvável, mas de um gênio

Vamos combinar que uma história de uma mulher enterrada da cintura para baixo, depois até o pescoço, não é material para um balé, né? Apenas se não tema criatividade de Maurice Béjart.

O coreógrafo francês viu a peça e ficou impactado com a imagem. Em 1998, trabalhando com a lenda Carla Fracci, ainda nos palcos com 62 anos, decidiu criar uma variação para ela e o bailarino Micha van Hoecke que chamou de L’Heure exquisite, A Hora Mais Bela. O sucesso de crítica fez com que o balé passasse a fazer parte do repertório da companhia.

Na versão de Béjart, Winnie é uma bailarina de meia idade cuja incansável determinação de ver o lado positivo da vida é uma forma de negação do presente. Winnie está enterrada em uma montanha de sapatilhas e no final, tem um tutu no seu pescoço.

Depois da estréia com Carla Fracci, o coreógrafo fez ajustes para a bailarina Maina Gieguld, que é que ajuda na montagem desde então.

A peça ideal para os 40 anos de carreira de Alessandra

Ao retomar sua carreira em 201, aos 50 anos, Alessandra Ferri fez história. E para celebrar seus 40 anos de parceria com o Royal Ballet, ela queria algo especial. Foi quando encontrou L’Heure exquisite, que reunia tudo que queria. Um papel dramático, novo para ela, feito para sua musa e perfeito para seu momento de vida.

Estreou em 13 setembro de 2021, exatamente 23 anos depois que Carla Fracci, aos 62 anos, interpretou o balé. É a peça que vai dançar agora em Londres, em homenagem à Carla e a Micha van Hoecke, ambos falecidos esse ano. Para bailarina, é um privilégio poder dançar uma obra tão especial. “Era o papel que eu procurava”, disse. Tenho certeza que vai brilhar.

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