Ghislaine e Príncipe Andrew: as negativas que incriminam

Por décadas, a fortuna e o poder que Jeffrey Epstein o mantiveram cercado de “amigos”, poderosos e famosos. A partir da mudança cultural do movimento do #metoo, as relações mudaram, ainda mais com a queda do milionário, acusado por pedofilia e exploração sexual de menores. Sua morte suspeita, oficializada como suicídio, só piorou para os que restaram pois sem Jeffrey vivo, nem os acordos que ele fez ou seu testemunho são levados em consideração.

No topo da rede de exploração estaria sua ex-namorada, Ghislaine Maxwell, que ficou desaparecida por um ano até presa pelo FBI, em julho do ano passado. As sobreviventes a acusam de estar no comando de tudo, algo que, obviamente, ela nega. Mas, aí entra um dos argumentos mais complicados de sua defesa. Ghislaine alega que não era mais namorada de Jeffrey pelo menos uma década antes de sua morte, portanto não poderia estar ligada aos crimes pelos quais ele era acusado. Só que, segundo as testemunhas, ela não apenas estava ciente de tudo como participava dos abusos sexuais, selecionando as meninas para Jeffrey e acobertando todos os crimes. No meio do processo, um volume significativo de fotos de Ghislaine e Jeffrey, como um casal, colocam o argumento do rompimento em clara suspeita. A outra alternativa, também usada, é a de desqualificar os depoimentos das vítimas, questionando os motivos que as levaram a fazer a denúncia “apenas agora”.

Outro que parece ter errado feio ao tentar se livrar das manchas da ligação com Jeffrey Epstein é o Príncipe Andrew. Com as fotos dos dois batendo papo no Central Park, após o escândalo estar ganhando fôlego, Andrew não negou sua amizade, mas fingiu não saber do resto. O pior foi ter alegado não conhecer sua principal acusadora, Virginia Giuffre, mesmo com uma foto dos dois abraçados, ao lado de Ghislaine. Alegou que era photoshop. Essa semana, porém, mudou o discurso e admite ter tido relações com ela, mas que não quando era menor de idade. Nada que melhore sua imagem, diga-se de passagem.

O julgamento de Ghislaine segue em Nova York, agora com a Defesa apresentando sua tese. especula-se que a empresária vá prestar depoimento, mas apenas hoje as audiências foram retomadas. Um dos pedidos da defesa – de manter o nome das testemunhas a favor de Ghislaine em sigilo – foi negado. A promotoria conseguiu preservar as acusadoras, mas porque tinha que evitar assédio e que outras tivessem medo de falar. No caso da defesa, segundo a Juíza Alison J. Nathan, o caso é diferente. Não vão falar de assédio sexual que sofreram, mas negar que eles tenham existido, portanto não precisam ser “protegidos” pelo anonimato. A equipe alega que ao serem identificadas, as testemunhas podem não querer mais falar por Guislaine.

O fato é que, está cada vez mais difícil para Ghislaine e Andrew conseguirem uma alternativa honrosa no caso. E só piorou o fato de terem negado o óbvio, que foi facilmente refutado com fotos. Uma história muito pesada que está ainda longe do fim.

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