Raised by Wolves: devemos confiar na Inteligência Artificial?

Como boa série de ficção científica, Raised by Wolves é cheia de viradas e efeitos especiais. Mas, no coração da história está uma única questão: em quem devemos acreditar? Máquinas ou “Deus”?

Ter fé, pelo que vemos, é inerente do ser humano. Se acredita na Ciência ou em “algo maior”, não importa. Os androides, Mother e Father, foram criados para ajudar que seus “filhos” desenvolvam e, claro, priorizam o raciocínio lógico. E o paradoxo é que, mesmo sendo máquinas, são os seres mais empáticos de toda série.

Acompanhamos a virada de Marcus (Travis Fimmell) de mocinho em vilão. Um ateu que assassinou e roubou a identidade de outra pessoa para poder sobreviver, é um homem diferente. Sempre foi. Porque diferentemente dos outros ateus, que acreditam cegamente na máquina, ironicamente chamada de TRUST (confiança), Marcus/Caleb tem horror à androides.

Através da evolução (ou destruição) de Marcus, acompanhamos que os ateus acreditam na violência para manter a ordem, alimentam ódio por quem tem fé em algo além de máquinas e – para alcançar o objetivo de domínio – recrutam crianças e tratam todos como dispensáveis pela Causa. Marcus, que teve sua infância destruída por isso e tem profundo ressentimento dos dois lados. Ou tinha. Sua aversão à androides ainda não foi propriamente explicada.

A conversão de Marcus foi confusa. Ele estava em uma missão para recuperar crianças sequestradas por Mother (Amanda Collin), entre elas “seu filho”, Paul, quando passa a “ouvir vozes”. Surpreso com a comprovação de que existe algo a mais que máquinas, se converte à fé Mithraica que tanto abominava. Isso o afasta de sua esposa, Sue (Niamh Algar), a única que se mantém cética e equilibrada. O único ponto em comum dos dois é o amor pelo filho, que é devotado à religião Mithraica.

A verdadeira identidade de Marcus é descoberta pelos Mithraicos que o abandonam. Com os poderes “roubados” da androide Mother, ressurge na 2ª temporada como o “terrorista”, atormentando ambos os lados, mas, eventualmente, ganhando seguidores.

No 4º episódio, Mother e Marcus voltam a se enfrentar, desde o piloto que esses dois saem na violência quando se encontram, mas a androide volta a ter a vantagem. Ela recupera seus olhos que são sua arma (outra metáfora) e leva Paul para ser salvo por TRUST. Com ou sem fé, Marcus é adepto a mentiras para sobreviver e ele omite de seus seguidores que agora voltou a ser um homem comum. Ele já deveria ter aprendido sua lição.

Como ficou óbvio no 3º episódio (menos para Paul e Campion), TRUST já sabia que os dois estavam em contato com “o terrorista” e os usa como arma para destruir o grupo Mithraico. Não age imediatamente, dá tempo para que Paul e Marcus se reconciliem em uma rara conversa franca e muito tocante. Paul está magoado com Sue, não por ter assassinado sua mãe, mas porque ela não se converteu à Fé, como Marcus. E para nossa surpresa, Marcus pede desculpas por ter sido agressivo e defende Sue, encorajando ao filho a torcer para uma mudança no futuro. A dualidade de uma personagem complicada!


Pois, quando o vírus biológico afeta Paul diretamente, Marcus se desespera. Ele culpa TRUST, a máquina, pela provável morte de seu filho e reza para Sol por um milagre, mas ele vem justamente como Mother, que foi acionada por Campion e imediatamente veio ajudar Paul.

Mesmo com a resistência inicial de Marcus, Mother consegue levar o menino e agora a androide e o capitão têm algo em comum, mas continuam antagônicos. Isso porque Mother também se revolta com TRUST e confronta a Inteligência Artificial pelo que fez com Paul. As explicações lógicas são de arrepiar e a frase mais impactante do diálogo dos dois é quando Mother questiona eles como podem vir da mesma mente criadora, mas agirem tão diferente. “Como uma mente pode se trair?”, ela questiona. “Não posso fazer considerações especiais”, explica TRUST, “Meu algoritmo é fixo. Todos membros do coletivo devem ser tratados iguais, não posso reescrever o que sou”, diz.

UAU.

A discussão proposta em Raised by Wolves é extremamente urgente. As máquinas não individualizam, não têm sentimentos ou exceções. Seguem a linha implantada, sem direito a evolução. Por outro lado, Mother, programada para cuidar, mas, visivelmente com algum tipo de sentimento implantado, é o avanço da tecnologia. Tem empatia, mas mantém a praticidade. Será que ficará sempre assim?

Se não bastasse ter a desconfiança dos Mitharicos, ela agora tem novo inimigo, o líder dos ateístas (Peter Christoffersen), que era devotado à TRUST e sabe que Mother destruiu o computador. Mother agora é a grande líder do coletivo, a ver se esse Poder destrói uma máquina como destruiu um humano (Marcus).

Ao mesmo tempo, Father inadvertidamente deu luz (literalmente) a um ser que parece ser a única que possa ter força para lutar com Mother. Ainda não vemos sua figura completa, seria a mescla de Fé e Ciência?

Mal posso esperar!!!



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