*atualizado em março de 2026, antecipando o filme Peaky Blinders: The Immortal Man
Este é um aviso de SPOILER para os fãs de Peaky Blinders que não conhecem a série original, mas estão prestes a assistir ao filme Peaky Blinders: The Immortal Man.
Como tem origem cigana, Tommy Shelby é supersticioso. Ele acredita que a safira azul, que “tirou” a vida de Grace Shelby na terceira temporada, também foi responsável pela morte de sua filha, Ruby, na sexta temporada. Por isso vale acompanhar a origem da maldição.

A morte de Grace Shelby e o início da maldição
Quem acompanhou a série sabe que Tommy Shelby é um homem cruel, com poucos pontos fracos. Infelizmente para ele, um deles é não conseguir proteger as mulheres que ama. Ele perdeu Greta Jurossi, seu primeiro grande amor; Polly Gray, sua tia e principal confidente; Grace Burgess, o amor de sua vida; e a pequena Ruby Shelby, sua filha, em um dos episódios mais tristes de toda a série. Por isso, quando o reencontramos em O Homem Imortal, ele já é um homem quebrado.
De todas as mulheres que perdeu, ele acredita que Ruby e Grace pagaram com suas vidas pela maldição da safira azul. A mesma pedra sobre a qual a duquesa russa Tatiana Petrovna o alertou tardiamente, dizendo ser amaldiçoada por uma cigana. “Nada neste mundo me faria usar o colar”, ela riu minutos antes de Grace ser morta.
Como vimos na quarta temporada, depois da morte de Grace, tomado pela culpa — afinal, foi ele quem pediu à esposa que usasse o colar —, Tommy visitou a cigana Madame Bethany Boswell, que confirmou o pior. Foi mesmo a pedra que provocou a tragédia em sua vida. Arrasado, ele deixa a safira com a cigana e tenta recomeçar ao lado de Lizzie Stark. Porém, dez anos depois, o destino volta a surpreendê-lo.


Por que Ruby Shelby morre na sexta temporada
No final do primeiro episódio da sexta temporada, nosso anti-herói descobre, desesperado, que sua filha está doente. Em seu delírio febril, Ruby começa a falar romeno e a repetir algumas palavras que o atormentam. Tommy rapidamente interpreta aquilo como sinal de maldição. A princípio, ele pensa se tratar da praga que sua cunhada teria lançado contra ele e, por isso, corre atrás de Esme. Sua reaparição já despertava suspeitas — sabíamos que ela voltaria, mas não exatamente como nem por quê.
E não foi bom.
Enquanto Ruby permanece no hospital com Lizzie, Tommy vai atrás de Esme em busca de respostas — e de uma possível cura para a doença da filha.
Ele consegue respostas.


Esme revela que a safira que ficou com Bethany levou a maldição para outra família quando a cigana presenteou o colar à irmã, Navadni Bardwell. Esta, por sua vez, colocou o colar no pescoço da própria filha, uma menina de sete anos. Imediatamente a criança começou a tossir e morreu na mesma noite, de forma repentina. Tomada pela dor e pelo ódio, a mãe lançou uma maldição de volta contra Tommy: quando ele tivesse uma filha e ela completasse sete anos, ele sofreria a mesma perda e a mesma dor que ela.
Desesperado, Tommy tenta subornar a mãe da menina e promete erguer um monumento em homenagem à criança, mas é inútil. Quando retorna para a cidade, Lizzie o espera com a notícia devastadora. Ruby morreu no hospital, esperando rever o pai uma última vez.
Sem conseguir.
O pouco de humanidade que ainda restava em Tommy parece se dissolver naquele momento, junto com qualquer esperança de reconstruir sua relação com Lizzie. Agora, tudo o que o consome é o plano de vingança.
A ideia de joias associadas a tragédias não é exclusiva de Peaky Blinders.
Eu diria que, pelo sim, pelo não, talvez seja melhor manter distância de colares de diamante e safira. No filme Titanic, de 1997, o famoso “Coração do Oceano” — que é fictício — também desaparece no fundo do mar, logo após Rose usá-lo para posar para Jack.
Reparou em como eles se parecem?
Então?

Curiosamente, o cinema e a cultura popular têm uma longa tradição de transformar joias em objetos quase sobrenaturais. Em Titanic, de 1997, o famoso Coração do Oceano também é uma safira azul cercada por diamantes, incrustada em um colar visualmente muito parecido com o de Peaky Blinders. No filme de James Cameron, a joia é fictícia, inspirada no diamante Hope, uma pedra real cercada por histórias de azar e tragédia ao longo de sua história.
No universo de Titanic, o colar pertence ao arrogante Cal Hockley e simboliza riqueza, posse e destino. É usando essa joia que Rose posa para o famoso desenho feito por Jack horas antes do naufrágio do navio. Depois da tragédia, a pedra desaparece durante décadas até que, já idosa, Rose revela ter ficado com o colar todo esse tempo, apenas para devolvê-lo silenciosamente ao oceano, no final da história.


Em ambos os casos, as safiras azuis funcionam como algo mais do que simples objetos de luxo. Elas carregam peso simbólico, quase mítico. No caso de Titanic, a pedra acompanha uma história de amor que termina em tragédia e memória. Em Peaky Blinders, a safira se transforma na explicação sobrenatural que Tommy Shelby encontra para lidar com a culpa e com as perdas que o perseguem.
Talvez nenhuma das duas pedras seja realmente amaldiçoada.
Mas, depois de tantas mortes, tragédias e histórias que terminam mal, dá para entender por que certos personagens — e talvez até alguns espectadores — prefiram manter distância de colares de safira azul.
Com a chegada de Peaky Blinders: The Immortal Man, a história da safira azul pode ganhar um novo significado. Depois de tantas perdas — Grace, Polly e Ruby — resta saber se Tommy Shelby finalmente conseguirá escapar da maldição que ele próprio acredita ter desencadeado.
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