The Gilded Age: o verdadeiro Tom Raikes

Depois de meses de especulação, teorias e confabulações, concluímos a primeira temporada de The Gilded Age com poucas certezas. A pior ou menos surpreendente delas é o perfil de Tom Raikes (Thomas Cocquerel) que surgiu como um jovem e apaixonado advogado que acabou seduzido pelo dinheiro e poder, abandonando sua paixão, Marian Brook (Louisa Jacobson).

A versão apresentada pela série quer, de alguma forma, nos convencer de que os sentimentos de Tom foram genuínos, que ele não esconde nenhum segredo de Marian e que apenas foi suscetível aos charmes e perigos de uma efervescente Nova York. “Eu acredito em você”, Marian diz e ainda se mantém como a única entre nós, apenas com eco no showrunner, Julian Fellowes.

“Acho que ele não sabia no começo. No início, ela era uma brisa de ar fresco, estava indo para Nova York, onde ele sempre quis viver e trabalhar. Ele está muito, muito fortemente atraído por ela, apaixonado e tem toda a intenção de se casar e ter uma boa vida, mas, então a garota Sissy aparece, e ele de repente percebe que, na verdade, tem uma escolha. Se quer este modo de vida, pode tê-lo. Isso é muito difícil para ele. Não estou inteiramente sem simpatia. No final, ele é moralmente fraco e não está preparado para superar isso. Mas é difícil, a decisão que ele tem que tomar, e posso pensar em muitas pessoas que seriam igualmente fracas”, explicou à Entertainment Weekly.

Portanto, em nove episódios, Tom Raikes deixa Doylestown e passa a ser um disputado solteiro em Nova York, com um possível noivado a ser anunciado com a Sta. Sissy Bingham. Depois de perseguir Marian como um gavião, ameaçar sua reputação de todas as formas mais desrespeitosas e a convencê-la contra suas tias, Tom a abandonou na casa da mulher mais mal falada da cidade, no dia em que combinaram se casar. Marian foi salva porque há sororidade e que, por ela, as mulheres ignoraram as regras sociais e a protegeram, mas isso só aumenta nosso ressentimento à ele. Quando – e podemos apostar que veremos acontecer – Marian se descobrir rica, Tom vai voltar a procurá-la, mas, a essa altura, espero que se houver drama seja por amor à Larry Russell (Harry Richardson).

De vilões conhecidos na literatura, Tom Raikes então se confirmou como a versão atualizada de Morris Towsend, o irresponsável jovem que acelerou a infelicidade da mocinha de The Washington Square (ou A Herdeira), Catherine Sloper. Honestamente estou aliviada porque se ele fosse o Osmond de O Retrato de uma Mulher seria pior.

No livro, na peça e no filme, Morris Towsend é apresentado à Catherine em uma festa, quando se torna o único a conversar e dançar com ela. Ele vence a desconfiança da moça com o apoio da tia dela, Lavinia e parece externamente gostar de Catherine. Ninguém dúvida da parte da fortuna que ela vai herdar como um dos grandes elementos que ajudem a trazer interesse, mas ele parece carinhoso e interessado, portanto as mulheres “aceitam” como algo genuíno.

O pai de Catherine, por outro lado, se ofende. Para ele, além de óbvio interesse, toda atenção e consideração irão pela janela uma vez que Morris ganhe o controle da fortuna, algo que naqueles tempos o marido fazia. Por essa razão, cria impecilhos instramponíveis para o casal, testando o amor deles. Catherine, apaixonada, o enfrenta acreditando que terão poder juntos de reverter o quadro, mas, seu pai conhecia melhor o espírito masculino.

Há uma divisão entre leitores que, embora saibam da fraqueza de Morris, discutam seus sentimentos. Ao abrir mão de Catherine, ele diz que a ama tanto que não a pode ver passando necessidade por ele. Porém, pouco antes, tivemos contato com sua irmã que atestou contra seu caráter, revelando que Morris nunca quis trabalhar ou se conformar com o que tinha, sonhando alto e com luxo acima de tudo. O vemos indo embora dizendo que vai voltar para conquistar Catherine de igual. Claro que não acontece. Quando volta, ela já é sozinha e rica, mas a essa altura não acredita mais nas juras de amor que um dia a iludiram. Prefere terminar seus dias sozinha, mas cercada de verdade.

No cinema, Montogomery Clift e depois Ben Chaplin deram interpretações fortes de Morris Towsend (mais recentemente Dan Stevens o interpretou nos palcos ao lado de Jessica Chastain). Ambos ressaltaram os “defeitos” da personagem de Henry James, que nos apresenta o jovem na casa dos 30 anos, primo do noivo de Marian Almond, por sua vez prima de Catherine. Descrito como um homem de beleza inegável, a jovem e inexperiente herdeira logo se apaixona. O pouco que sabemos dele é que, apesar da família Towsend ser respeitada, é da ala pobre e Morris gastou sua herança em poucos anos, viajando pelo mundo e aproveitando luxos. Ele admite que gosta da vida material que terá com Catherine, mas é a estensão de seu amor ser genuíno ou não que fica a dúvida.

“Ele não é o que eu chamo de cavalheiro. Ele não tem a alma de um. Ele é extremamente insinuante; mas é uma natureza vulgar. Eu vi através dele em um minuto. Ele é muito familiar – eu odeio familiaridade. Ele é um tolo plausível,” descreve o pai de Catherine. Perfeito para nosso Tom Raikes também.

Incluindo esse diálogo do livro, que lembra muito o que ele disse à Marian quando se declarou pela primeira vez:

“E, portanto, você quer dizer que sou mercenário – só quero o dinheiro de sua filha.”

“Eu não digo isso. Não sou obrigado a dizê-lo; e dizê-lo, salvo sob o estresse da compulsão, seria de muito mau gosto. Digo simplesmente que você pertence à categoria errada.”

“Mas sua filha não se casa com uma categoria”, incitou Townsend, com seu belo sorriso. “Ela se casa com um indivíduo – um indivíduo que ela é tão boa a ponto de dizer que ama.”

“Um indivíduo que oferece tão pouco em troca!”

“É possível oferecer mais do que a mais terna afeição e uma devoção ao longo da vida?” o jovem exigiu.

“Depende de como a encaramos. É possível oferecer algumas outras coisas além disso, e não só é possível, como é usual. Uma devoção ao longo da vida é medida após o fato; e entretanto é habitual nestes casos dar algumas garantias materiais. Quais são os seus? Um rosto e uma figura muito bonitos, e uma maneira muito boa. Eles são excelentes até onde vão, mas não vão longe o suficiente.”

Portanto Tom Raikes revelou sua verdadeira cara, a tempo que Marian não destruísse sua vida. No entanto, ela agora depende da discrição da Sra. Chamberlain. E temos nosso querido Larry oferecendo o ombro amigo. Podemos esperar melhor por Marian na segunda temporada?

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