American Ballet Theatre volta a ter uma mulher na liderança

A trajetória de Susan Jaffe no American Ballet Theatre quase parece um filme. Adolescente, entrou para a companhia que contava com as maiores estrelas da dança ocidental da época: Natalia Makarova, Fernando Bujones, Marianne Tcherkassky, Cynthia Gregory, Gelsey Kirkland e Mikhail Baryshnikov, entre outros. Na época, a conturbada relação de Gelsey e Baryshnikov já estava em declínio e, em 1980, ele acumulou os papéis de principal e de diretor artístico da companhia.

Na temporada de O Corsário, da companhia em 1980, Gelsey Kirkland e Patrick Bissell lidavam com problemas de indisciplina (e drogas) e foram demitidos horas antes da cortina subir. Baryshnikov não titubeou, olhou para a jovem de apenas 18 anos e a elegeu para um difícil pas-de-deux com a nova estrela da casa, Alexander Godunov. Ela ainda tentou se esquivar, “Não estou pronta”, alegou. “Você estará”, ele respondeu com confiança. Foi uma estreia sensacional e considerada destemida. Dali para frente foram solos e solos até chegar à primeira bailarina. Alguns críticos consideraram a ascensão demasiadamente rápida, em apenas 3 anos chegou ao teto, e nos anos 1990s alguns a acharam sem desafios. “O aspecto notável da história de Jaffe após sua primeira década no Ballet Theatre está no avanço artístico que ela alcançou na segunda”, avaliou a crítica do The New York Times, Anna Kisselgoff. E o segredo foi sua parceria com José Manuel Carreño, seu partner até sua aposentadoria, em 2002. Foi com ele que a vi dançar no Rio de Janeiro, em 1997.

Quando deixou os palcos, Susan fez parte do conselho do ABT e passou a ensinar na recém-formada ABT Jacqueline Kennedy Onassis School. Atualmente, era a diretora do Pittsburgh Ballet Theatre, que liderou durante a pandemia e antes disso foi reitora de dança da Escola de Artes da Universidade da Carolina do Norte. A experiência administrativa, junto com a artística e o conhecimento que tem da companhia fizeram dela a candidata ideal para substituir Kevin McKenzie, que ficou 30 anos no cargo.

“Estávamos procurando alguém que entendesse as raízes da companhia, mas que estivesse voltado para o futuro”, disse Susan Fales-Hill, chefe do comitê de busca do Ballet Theatre para o NYT, “disposto a abraçar a dança de maneiras diferentes, como a pandemia nos mostrou que pode acontecer, e estar disposto a fazer perguntas e ter o interesse conversas que estão acontecendo agora. Susan tinha tudo isso.”

O nome de Susan Jaffe a coloca em uma privilegiada posição de destaque no meio do ballet, algo ainda incomum para mulheres, mas tradicional no American Ballet Theatre que foi conduzido por muitos anos por Lucia Chase, a fundadora da companhia. Para Fales-Hill, Susan Jaffe é um trunfo duplo. “Estou emocionada ao ver uma mulher que está realmente em seu auge subir ao palco”. Nós também!

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