Raymonda encerra os anos de ouro de Petipa

Quando completou 80 anos de vida, Marius Petipa estava mais do que estabelecido na Rússia e já era o maior coreógrafo de seu tempo. O ano era 1898 e o francês já tinha entregado alguns de seus principais trabalhos, como A Bela Adormecida. Depois do sucesso de La Bayadére, que centrava sua história em uma exótica Índia, o Ballet Imperial queria repetir a fórmula. Assim surgiu o conceito de ambientar um ballet durante as Cruzadas, onde uma mulher fosse amada por dois homens de culturas opostas, explorando o choque de culturas. Assim surgiu Raymonda, um dos balés finais e de maior sucesso de Petipa, fechando os anos dourados de sua carreira.

A música foi encomendada ao compositor russo Alexander Glazunov que, na opinião de George Balanchine, teria escrito algumas das músicas mais bonitas do balé clássico nessa obra, repleta de valsas grandiosas. Ainda quase inexperiente na época, Glazunov foi escolhido, aos 32 anos, porque Piotr Illytch Tchaikovsky, autor predileto de Petipa, teria morrido repentinamente. A relação com o detalhista e controlador coreógrafo não foi fácil, com o autor se recusando a mudar sua música.

O libreto ficou por conta da autora e colunista, Condessa Lydia Pashkova, mas foi praticamente reescrito por Petipa. Em termos de história, Raymonda reúne elementos “tradicionais” de festas, sonhos, casamentos, se espelhando na estrutura de A Bela Adormecida, às vezes até mais que isso. A entrada de Raymonda, por exemplo, lembra a de Aurora. O ato da visão para reunir os amantes em uma atmosfera de magia até o casamento tradicional para encerrar. Situado na Europa Medieval, os heróis são cavaleiros das Cruzadas, o antagonista é o misterioso estrangeiro e ainda há a Dama Branca. Para o coreógrafo, a produção proporcionou a chance de trabalhar com uma de suas bailarinas favoritas, Pierina Legnani, que criou o papel-título.

Porque Pierina era virtuose, há até hoje seis variações, incluindo as famosas “variação do lenço” e o solo do Grand Pas, no final. A italiana causou sensação em sua variação do segundo ato, quando executou uma sequência de entrechats quatre done sur la pointe.

Raymonda que conhecemos é a versão de 1948, do Kirov Ballet, de Konstantin Sergeyev que fez profundas alterações, em especial as partes do corpo de balé, passando ser a “oficial”. Os passos originais foram salvos pelométodo de notação Stepanov, por volta de 1903 durante os ensaios em que Petipa estava treinando Olga Preobrazhenskaya no papel-título.

O Grand Pas Classique húngaro, do último ato, é frequentemente apresentado separadamente e é considerado umas das obras-de-arte de Petipa, mas do que a obra completa. Um balé que merece seu desatque.

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