Os 50 anos de Watergate segundo Hollywood

Em junho de 1972, uma série de reportagens do The Washington Post alavancaram uma crise política jamais vista nos Estados Unidos antes, envolvendo diretamente a Casa Branca e concluindo com a renúncia do presidente eleito, Richard Nixon.

Para todo estudante de jornalismo, a série de reportagens de Carl Bernstein e Bob Woodward virou referência e objetivo, uma inspiração de objetividade, insistência e bom faro. Desde então, qualquer jornalismo investigativo ou escândalo de maior proporção passou a ter “gate” associado, tudo por causa do endereço em Washington D. C.. Watergate é um complexo de apartamentos e escritórios na capital americana, onde estava sediada a base da campanha eleitoral democrata e cuja base foi invadida por republicanos.

Hollywood, obviamente, não deixaria passar uma história fascinante como essa e entre comédias e dramas, recontou o que derrubou e manchou o legado de Nixon várias vezes. Vamos citar aqui apenas os conteúdos “sérios”, que merecem ser revistos para contextualizar o que houve.

Todos os Homens do Presidente (1976)

Lançado apenas quatro anos depois de todo escândalo, ainda no auge da renúncia e pressão política, o filme mostra os trabalhos dos repórteres do Washington Post, Carl Bernstein (Dustin Hoffman) e Bob Woodward (Robert Redford). Narrado em suspense, o filme é até hoje referência e considerado um dos melhores da década de 1970s. Jason Robards ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante por seu papel como Ben Bradlee (mais tarde interpretado por Tom Hanks em The Post: A Guerra Secreta). Na época, a principal fonte de Woodward ainda estava sob anonimato e ficou conhecida como “Garganta Profunda”. Sua frase no filme, “siga o dinheiro”, que fez com que os repórteres chegassem aos verdadeiros autores do crime (que era originalmente considerado ” invasão e roubo”) e até “derrubarem” Richard Nixon. “Seguir o dinheiro” passou a ser uma expressão usada e adotada para descobrir as verdades em crimes.

Gaslit (2022)

A série Gaslit, que foca em Martha Mitchel (Julia Roberts), mulher do procurador-geral John N. Mitchell (Sean Penn), um dos mandantes e condenados no escândalo de Watergate, tem excelente reconstituição de época e mais do que ficar apenas em Martha, uma das primeiras a fazer a denúncia abertamente (mas sem ser levada a sério), mostra em detalhes como foi todo o processo republicano da atrapalhada e frustrada ação de espionagem. Faz citações de Todos os Homens do Presidente e se você for fã do filme de 1976, conseguirá identificar as cenas em que colocam Bob Woodward cruzando com as personagens.

The Post: A Guerra Secreta (2017)

O filme de Steven Spielberg é mais para fazer um perfil de Kay Graham (Meryl Streep), a dona do The Washington Post e de como ela transformou um jornal de menor relevância como uma das maiores referências do jornalismo mundial. Antes de Watergate, a equipe de jornalismo, liderada por Ben Bradlee (Tom Hanks), lidou com a pressão política de Washington e da Casa Branca para que a imprensa não publicasse informações sensíveis que mudariam o curso do governo americano. É portanto o que levou – de alguma forma – ao governo republicano agir e tentar abafar suas manobras, culminando com o erro de Watergate, citado apenas no final do filme. Ajuda e muito a contextualizar a época.

Nixon (1995)

O filme biográfico assinado por Oliver Stone, estrelado por naturalmente um brilhante Anthony Hopkins é longo. São mais de 3 horas e cobre 60 anos da vida de Richard Nixon, mas não de maneira linear. Joan Allen interpreta Pat Nixon e Madeleine Khan faz uma ponta como Martha Mitchell. É denso, detalhado e dá a perspectiva de Nixon para o caso.

Frost/Nixon (2008)

Baseada na entrevista que o jornalista britânico, David Frost (Michael Sheen) conseguiu com o recluso ex-presidente, em 1977, o filme é uma adaptação da premiada peça teatral de mesm nome e conta cm a precisa direção de Ron Howard. Assim como todos os filmes sobre o tema, foi indicado ao Oscar e os atores também. Nixon aqui é interpretado por um inspirado Frank Langella e o embate do político e o jornalista, a meros 5 anos depois de Watergate, é de tirar o fôlego. Foi nessa entrevista que Nixon alegou que “se não fosse por Martha Mitchell não haveria Watergate” e também admite sua moral paradoxal, no qual diz que “quando o presidente faz isso [crimes políticos], isso significa que não é ilegal”.

Mark Felt: O Homem que derrubou a Casa Branca (2017)

Por décadas após Watergate, a principal fonte dos jornalistas do The Washington Post manteve o sigilo de quem era. Embora já fosse cogitado antes, apenas em 2005 que o agente do FBI, Mark Felt (Liam Neeson) admitiu que ele era o “Garganta Profunda” e escreveu um livro explicando o que o motivou a colaborar com a imprensa. Também em Gaslit – hoje – é irônico quando o vemos participando das “investigações”, quando sabemos do que fez, mas é aqui nesse filme que entendemos a revolta e frustração do agente. Não fosse ele, mais ainda do que Martha Mitchell, os jornalistas não chegariam nem perto de descobrir a verdade.


A ordem para assistir aos filmes pode variar, mas poderia ser Post: A Guerra Secreta (Amazon Prime Video), Nixon (Amazon Prime Video), Gaslit (Starz), Todos os Homens do Presidente (na HBO Max), Mark Felt: O Homem que Derrubou a Casa Branca (Apple TV Plus) e Frost/Nixon (Amazon Prime Video).

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