Romola Garai, dos palcos para as telas

Se você acha que conhece a atriz que interpreta Mary Tudor em Becoming Elizabeth, não está errado. Romola Garai, a atriz britânica que dá vida à complicada irmã de Elizabeth I, já apareceu em filmes como Desejo e Reparação (Attonement), em 2007 e foi Emma Woodhouse na versão de 2008 para o clássico de Jane Austen, Emma. Inicialmente apontada como “a nova Keira Knightley” ou a “nova Kate Winslet”, Romola não se dedicou à Hollywood, mas sim à uma consistente carreira nos palcos ingleses. Seja estrelando Shakespeare ao lado de Sir Ian McKellen, peças com Dame Helen Mirren ou textos modernos, a atriz se dedica às causas feministas e ter uma carreira consistente.

Sua Mary Tudor, futura Rainha Mary I, na série da Starz, traz humanidade, dignidade e complexidade à uma personagem que, por seu drama e exageros, é frequentemente ridicularizada e reduzida à histérica. Uma visão mais realista e sensível para uma Rainha que ficou conhecida como “Bloody Mary“, ou Maria Sangrenta.

A vida de Mary Tudor não foi fácil. Única filha de Catarina de Aragão e Henrique VIII que sobreviveu até a vida adulta, testemunhou como adolescente a dolorosa e humilhante separação de seus pais. Sofreu com a madrasta, Ana Bolena, foi considerada bastarda para que sua irmã, Elizabeth I, tivesse prioridade e depois, passou pelo mesmo com o irmão, Rei Edward VI.

Foi afastada de sua mãe, teve sua fé católica como um fator de risco de ser assassinada, foi rejeitada de todos os lados. Criança prodígio, desde adolescente passou a ter menstruação irregular e depressão, sempre doente. Quase como uma serva para a irmã (depois o irmão), sempre se manteve católica fervorosa, resistindo à pressão de conversão para o protestantismo.

Apesar das diferenças religiosas, como mostra a série Becoming Elizabeth, os três filhos de Henrique VIII tinham uma conexão de sobrevivência. Mas quando ascendeu ao trono, aos nove anos, Edward se revelou tão fanático por sua fé como sua irmã, com dois adotando por radicalismos e tentativas mútuas de converter um ao outro. Dessa forma, em seu curto reinado, Edward passou a temer a Mary que, no caso de sua morte e herdeira direta, traria a fé católica de volta ao Reino Unido. Ele tentou impedir, colocando a jovem Jane Grey na sucessão, mas falhou. Em menos de 5 anos, Mary Tudor passou a ser a Rainha Mary I. Em seu igualmente curto reinado, foi uma rainha implacável quando se tratava de fé. Estima-se que mais de 280 protestantes morreram queimados na fogueira alimentada por seguidores da Rainha.

Como Jane Grey foi “apagada” da História, Mary foi oficialmente a primeira rainha mulher da Inglaterra. Por conta de seu casamento com Filipe da Espanha, passou a ser rainha consorte da Espanha dos Habsburgos em sua ascensão.

Sem conseguir sustentar uma gravidez, Mary foi perdendo sua saúde mental. Seu casamento (sem amor por parte do marido) também contribuiu para dor da Rainha, que se recusou a assinar a morte de Elizabeth. Ficou doente repentinamente e morreu, aos 42 anos, possivelmente de cistos ovarianos ou câncer uterino. Seu desejo de ser enterrada ao lado da mãe não foi atendido.

O legado de Mary está conectado à sua fé, sua instabilidade emocional e a sua violenta perseguição religiosa. Acima de tudo, ligada à sua infelicidade. No caso especifico de Elizabeth, segundo a historia dora Tracy Borman, houve uma ligação especial entre as irmãs. Segundo Tracy, por já ter 17 anos quando Elizabeth nasceu, Mary teve pena da irmã e também se identificou, afinal, foi rejeitada em consequência da separação de seus pais e viu a pequena Elizabeth, ainda sem ter nenhuma noção de sua própria existência com apenas 4 anos, perder sua mãe e ser jogada de lado também.

Com seu lado maternal aflorado, Mary “cuidou” da pequena. “Elas deveriam ter sido inimigas desde o início, mas na verdade eram muito próximos quando Elizabeth era criança”, disse Tracy em uma entrevista para o History Extra em 2020. E, observando os erros da irmã, Elizabeth aprendeu também. “Ela aprendeu o que não fazer, na verdade. Mary se casou com um estrangeiro, Filipe da Espanha, que era um anátema para seus súditos ingleses, que tendiam a odiar estrangeiros. Como rainha, ela também foi muito dogmática em questões de religião e isso alienou mais pessoas”, explicou ao site. “Elizabeth, quando se tornou rainha, decidiu não se casar. Porque quem você escolheria? Ela também buscou uma religião mais moderada, e não famosa por fazer ‘janelas no coração dos homens’,” completou.

Romola não se parece com os quadros da Rainha nos seus últimos anos, mas em Becoming Elizabeth tem roubado a cena. Sua Mary é sim traumatizada, mas também demonstra a cultura, inteligência e sagacidade política da princesa para sobreviver às adversidades da Corte. Sua relação dúbia com a meia-irmã tem sido um dos pontos interessantes. Elizabeth, assim como Mary, era acima da média e – por sobrevivência – faz o difícil jogo de tentar estar bem com a irmã e irmão que estão em lados opostos. Falaremos mais dela, no momento, é hora de elogiar uma das melhores atrizes do elenco, Romola Garai.

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