Sobre o 2º episódio de House of the Dragon

Queridos leitores, se estão aqui, espero ter algo a acrescentar ao cansativo número de recaps, podcasts, youtubes e posts “entenda aqui” ou “o que você perdeu” em House of the Dragon. Não ouso pensar que chegou aqui porque quero ensinar algo, apenas partilhar meus pensamentos de um conteúdo que amo. Faço essa introdução em respeito ao seu tempo! Fique comigo e espero realmente compartilhar algo para pensar e avaliar. Vamos ao segundo episódio?

A abertura: continuidade

Tivemos nossos créditos de abertura e se alguém ainda tivesse dúvida, acabaram aqui. House of the Dragon é para agradar fãs, é respeitosa e jogando a estratégia de segurança total. O oposto do que deu “errado” no final de Game of Thrones, que foi a “subversão de expectativas” como motivação.

Com a meta de agradar, mantiveram a sequência semelhante de mapas se desdobrando e inclusive usando a mesma música. Eu faço parte do time que esperava um novo tema, mas que se emocionou profundamente com o respeito e tradição.

Paddy Considine, Matt Smith e Rhys Ifans são os nomes principais do elenco, listados com “e” entre eles para definir a hierarquia. Sabemos que Paddy não segue na segunda parte da história, portanto a briga é entre as personagens vendidas como antagonistas no livro e que são vilões tridimensionais na série até o momento, Daemon Targaryen e Otto Hightower. O fato que esses dois homens sedentos pelo poder usam todos à sua volta para não apenas conseguirem o poder absoluto, como evitar que o outro alcance também, é fascinante. A abertura caracteriza isso sem dúvidas.

Rhaenyra: na posição que nunca foi para ser

Encontramos a história seis meses depois de onde deixamos na semana passada. Sabemos que Daemon tomou Dragonstone e segue ignorando a escolha de sua sobrinha como herdeira. Rhaenyra pode ser a herdeira do trono, mas, como mulher, tudo que faz é servir vinho nas reuniões e ser ignorada por todos os homens quando ousa querer participar das decisões do reino que um dia será seu. Nem seu pai, Viserys, a respeita.

A angústia é clara e a princesa se irrita quando Rhaenys a alerta do óbvio: toda iniciativa do rei foi para nada. Ela pode estar na posição no momento, mas é algo simbólico. Claro que não é agradável ter seus piores medos lidos tão claramente por uma mulher que virou piada ao insistir tentar ter o que era seu por direito (A Rainha que Nunca Foi) e Rhaenyra é ríspida ao se colocar em uma posição diferente. “Não quiseram você, mas se ajoelharam a mim e me proclamaram herdeira”, ela lembra o final do 1º episódio. A inabalada Rhaenys lembra que Viserys não apenas está bem de saúde e vivo, como certamente se casará novamente, com chances de ter o tão sonhado filho homem. Boom. No coração.

Desde a morte de sua mãe, Rhaenyra e Viserys mantém uma relação distante e de cuidado mútuo. Ambos dividem suas ansiedades com a prestativa Alicent, mas Rhaenyra nem desconfia de que a essa altura sua melhor amiga é confidente do Rei em uma amizade cada vez mais romântica. Alicent faz pouco para unir os dois, se mantendo em cima do muro. Afinal, ela já sabe dos planos do pai, nada discretos, portanto ela pode fazer os pesadelos da amiga virarem realidade.

Sem desconfiar de que o pior está acontecendo diante de seus olhos, Rhaenyra está magoada e preocupara com a revolta de seu tio. Desrespeitando ao pai, mas especialmente a Otto (uma segunda vez, depois de recusar a ouvi-lo na escolha de quem entraria para a Guarda Real), ela sela seu destino com o pior dos inimigos, e não é Daemon. Ela tem uma conversa franca com o tio de que ele está a enfraquecendo ao negar reconhecê-la como herdeira, inclusive colocando a vida dela em risco. Irritado, mas ainda fiel à família, ele concede. Pena que essa não era a principal batalha para a princesa…

Assim como todos, Rhaenyra sabe que Corlys e Rhaenys querem reparar a esnobada hereditária à verdadeira herdeira do trono ao propor que o quarentão Viserys se case com a princesa Laena Velaryon, de apenas 12 anos. Assim como Tyrion ao se casar com Sansa, por obrigação, ele pode encarar incesto mas estupro está fora de sua lista. Rhaenyra, sem saber o que estava fazendo, apóia ao pai de seguir sua vida se casando de novo, mas quando descobre que Otto e Alicent estavam à frente do jogo, tirando Daemon, ela, Corlys e Rhaenys em uma mesma cartada, não esconde sua decepção. O reino agora está dividido.

Viserys I: Mais Tommen Baratheon do que Ned Stark

Os críticos comparam Viserys ao honrado Ned Stark, que fez escolhas erradas e perdeu sua vida na 1ª temporada de Game of Thrones. Discordo. Se há um gestor que se parece com Viserys esse é Tommen, que estava dividido em ouvir sua mãe, Cersei Lannister, ou sua esposa, Margaery Tyrrell. Nenhuma das duas querem exatamente seu “bem”, bom Cersei como mãe sim, mas como ela é má nada do que venha do seu lado é bom. Fraco, manipulável, sensível e confuso, Tommen acaba tirando sua própria vida. Não antes de deixar Westeros um caos.

Viserys é ainda pior do que Tommen. O príncipe Baratheon nunca quis a coroa, a herdou depois que Joffrey foi assassinado. Já Viserys, herdou o trono depois de uma votação que excluiu Rhaenys, mas, como vemos na estreia, ele celebra a escolha. Viserys é o pior dos fracos porque te ambição, mas se envergonha dela. Também quer o melhor para todos, mas quer popularidade. Está completamente no bolso de Otto, que o lê melhor do que ele mesmo. A decisão de colocar Alicent para “consolá-lo” desde o primeiro momento rendeu a vantagem no jogo. Quando a questão se reduz a casar para ter novos herdeiros, ele acaba preferindo a menina que ocupou o lugar de sua esposa como sua amiga, não a criança que toda lógica tortuosa da política determinava ser a melhor escolha. Ned jamais faria o que o coração mandava e por isso era tão impopular quanto adorado. É uma ofensa comparar Viserys a ele. Viserys I é como seu parente 100 e tantos anos depois, o irmão de Daenerys que recebeu seu nome. Fraco, inseguro, vaidoso e caótico. De quebra, conseguiu ofender ao irmão, à filha e perder aliados importantes.

Daemon: ambição e arrogância

Historiadores de Westeros colocam sempre em dúvida as motivações de Daemon Targaryen. Viserys sabe que ele é inconstante demais para o que realmente é governar, mas Daemon também sabe que tem a força de personalidade suficiente para não se preocupar com popularidade, o que é essencial para ser rei. Ele quer ser Rei, ter um papel definido. O de suplente de herdeiro é, como viu, frágil. Mas ele realmente se orgulha de sua casa, não é capaz de fazer o impensável pela coroa. Algo como matar o Rei (e que sempre vai ficar nos ombros de Alicent e Otto quando Viserys convenientemente morrrer repentinamente).

Ele tem uma ligação com Rhaenyra e recuou de sua rebeldia por esse amor a sobrinha. Ele e Corlys agora estão juntos para uma grande batalha. Não apareceu no trailer, que só mostra a revolta de Rhaenyra de ser cobrada de se casar, mas ele vai construir uma família e não é com Mysaria ou sua esposa.

Adivinharam?

Então, Daemon vai ficar viúvo em um acidente (para ele, fortuito). Sua segunda esposa será ninguém menos do que a pequena Laena, desprezada por Viserys. Se unindo aos Velaryons, Daemon terá uma importante aliança que agora é ainda mais ameaçadora para seu irmão e os Hightowers. Mas isso é tema para os próximos episódios.

Grande temporada de estreia

Em apenas dois episódios House of the Dragon está acertando na mosca. Começará a ter concorrência a partir da próxima semana, mas, claramente, já é vencedora.

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