Mayerling: a verdadeira história atrás do ballet

Com o lançamento de A Imperatriz (The Empress), há uma curiosidade para ligar à série. O Royal Ballet volta a apresentar em outubro o ballet Mayerling, de Kenneth McMillan, que é justamente sobre um dos eventos marcantes na vida da Imperatriz Elizabeth, ou Sissi.

Mayerling era o palácio usado pelos Habsburgos como uma hospedagem para o período de caça, isolado nos bosques de Viena. Porém seu nome ficou associado a uma passagem sombria da história de Sissi, quando seu único filho – Rudolf – foi encontrado morto ao lado da amante, Mary Vetsera, em o que pareceu ser um pacto de assassinato e suicídio. Rudolf, era o herdeiro do trono da Áustria-Hungria e sua morte interrompeu a linha sucessória do Habsburgos. Ele tinha 30 anos, Mary apenas 17.

Conhecido por sua instabilidade emocional, por vários casos extraconjugais, uma relação complicada com sua mãe, Sissi e acima de tudo uma obsessão com armas e morte, a vida de Rudolf não parecia ser um material para um ballet, mas aqui está a genialidade de McMillan. Em vez de apostar em contos de amor simples, ele buscou em todas suas obras explorar as complexidades humanas. No caso de Mayerling, ele se incomodava com as versões divulgadas de acidente, que foram as que os Habsburgos deixaram ser publicadas para omitir que o herdeiro teria cometido suicídio e que era viciado em morfina.

Como em todos seus balelets, tem cenas fortes de sexo e violência e foi criado para David Wall e a musa do coreógrafo, a bailarina canadense Lynn Seymour. Mayerling é considerado uma das obras primas de McMillan, ao lado de Romeu e Julieta e Manon.

Para os bailarinos, os ballets de McMillan são um sonho porque não apenas tem passos “impossíveis”, como sempre tem densidade dramática. Definito como “poeta erótico de movimento”, todos os papéis e movimentos tem três dimensões.

“Não queria criar pas de deux com danças sem fim”, ele explicou em 1978 sobre seus trabalhos. “Eu queria uma narrativa completa, que cada movimento significasse algo para o público”, disse.

Mayerling, em particular, trazia um papel forte masculino no centro da história, algo diferente em ballet clássico até Rudolf Nuyerev. Para McMillan era um veículo para os grandes bailarinos ingleses também. E em vários momentos ele dança com as mulheres importantes da vida do soturno e angustiado príncipe austríaco. Embora a vida de Rudolf seja complicada, McMillan torcia que a platéia tivesse empatia por sua dor.

A remontagem de Mayerling faz parte da celebração dos 30 anos da morte de Kenneth McMillan, em outubro de 1992. No elenco da remontagem estão estrelas do Royal Ballet, como Steve McRae e Natalia Osipova.

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