Em House of the Dragon o tempo avança, mas o ressentimento permanece

Dizem que o tempo cura feridas, mas em pessoas ressentidas (e recalcadas!) o efeito é contrário. Em 10 anos, Rhaenyra viu a balança do poder mudar de equilíbrio graças à várias circunstâncias da fraqueza de seu pai como regente. Uma tímida e insegura Alicent é hoje uma Rainha envolvida, ativa e com uma força de comando que a própria Princesa não tem como negar mais. Bem longe daquela doce amiga que ainda se sentia culpada por ter secretamente seduzido o pai bem mais velho da princesa e tido dois filhos com ele, implorando no jardim para que as duas se entendessem. Não, começamos o episódio com Rhaenyra encarando o parto do seu terceiro filho como profissional e imediatamente sendo convocada a mostrar a criança para a Rainha. Nem um segundo de descanso, nem uma simpatia feminina. Alicent é quem manda agora e Rhaenyra sabe que precisa “respeitá-la”. Daí o título do episódio, A Princesa e a Rainha que nos dá a perfeita perspectiva de como Westeros está dividida.

A estratégia de Rhaenyra foi falha

Nos despedimos de Rhaenyra no episódio 5 enterrando sua juventude em um casamento sem amor, no exílio de seu tio, na descoberta do sexo com Sir Cristian Cole e a decisão da princesa de lidar com sua realidade fazendo o que todos os homens fizeram antes dela: nos bastidores com liberdade, na fachada seguindo as regras. Mas Rhaenyra não é um homem…

Dessa forma, seus dois principais aliados se uniram contra ela quando encontraram ressentimentos comuns. Em que universo Cristian e Alicent viviam ele é o da mais pura hipocrisia. Rhaenyra subestimou ambos, em desejos e perdões e passou tantos anos agindo como uma adolescente mimada que perdeu um tempo precioso no jogo. Ser Cristian nunca entendeu seu lugar ou relação com ela, Alicent, conivente e obediente ao pai, Otto Hightower, achou que Rhaenyra também seria e assim as duas tentariam sobreviver juntas à dura realidade das mulheres de seu tempo: apenas gerando filhos e vendo o tempo passar. Com o sangue Targaryen e usando a culpa de seu pai a seu favor, Rhaenyra desafiou a todos. Um erro de cálculo pois ela conhecia seu pai, mas achou que venceria Otto. Só conseguiu ferir seus oponentes no ego – pior lugar! – e ficar vulnerável.

Rhaenyra tem o apoio dos parentes, os Velaryons, e de metade da casa Strong, para ajudá-la a se manter, mas claro que não é suficiente. A cabeça dos Strongs, Ser Lyonel, é como Ned Stark, íntegro em excesso e suas decisões corretas atrapalham o destino de Viserys e Rhaenyra. Se tivesse casado seu filho, Ser Harwin Strong com a princesa, minimamente eles teriam se entendido quanto à produzir herdeiros, algo que a união com Laenor Velaryon não conseguiu, nem mesmo com o acordo do casal.

Laenor e Rhaenyra sabem que suas preferências sexuais são muito semelhantes para que possam fazer o que é preciso e nesse pulo do tempo perdemos como essa dinâmica não funcionou. Aparentemente Laenor passa mais tempo longe e não se desafiou nem mesmo para conseguir cumprir sua função. Nesse meio tempo, um relacionamento surgiu entre a mulher e Ser Harwin, com três filhos expondo o trio para uma sociedade conservadora. Como Alicent ressalta: um poderia ser um erro, três é uma vergonha.

Assim, quando reencontramos a princesa no parto, ela tem que imediatamente abraçar a vida infeliz que Alicent queria que ela tivesse tido desde o início: sem Harwin e isolada da Corte. Algumas coisas vão virar “à favor” de Rhaenyra, mas à custa de muita dor. Falamos dos erros de Viserys, mas como futura Rainha também faltou à ela visão e estratégia. Vai pagar caro.

Trio do mal, a vantagem da posição

Alicent Hightower ainda lamenta a ausência do pai, mas é uma jogadora mais do que eficiente agora. Tem uma Corte à parte de seu marido, com Ser Cristan Cole e Ser Larys Strong em reuniões e conversas privadas onde estão trabalhando arduamente para tirar Rhaenyra da posição de herdeira. A saúde de Viserys está cada dia mais frágil, assim como sua vontade de reinar cada vez menor. Tóxicos e retrógrados, os três trabalham para separar a geração seguinte, sem parar.

Infelizmente a alternativa da série de ter colocado a morte de Ser Joffrey como assassinato público deixa uma falha na narrativa. Mesmo com o apoio de Alicent, jamais Ser Cristian poderia estar tão à vontade em posição de liderança ou sair no tapa com Sir Harwin, escapando sem problemas. Naturalmente essa relação geraria dúvidas sobre a Rainha e ele, ou, minimamente, seria fácil plantar a fofoca. Mas não, ele age como um amante rejeitado e é usado por Alicent como sua força bruta. Ficou ruim essa opção, mas é a que temos.

Alicent nem precisa de Otto, mas está desesperada pelo seu retorno. O verdadeiro vilão da história, Ser Larys, percebe isso e age. Manda matar seu pai e seu irmão, tirando de Rhaenyra o apoio emocional, a consciência do Rei e permitindo que a Rainha alcance seu objetivo imediato de ter o pai de volta na posição de Mão do rei. Não é nada mal que também fique rico como consequência, passando a ser o herdeiro único da Casa Strong.

Larys é o único que vê Alicent como ela é, a cultiva para que floresça e agora a tem como sua devedora. Algo que ela deveria temer bastante…

Daemon: o retorno está próximo

Daemon Targaryen tentou ser uma melhor pessoa na década que seguiu de seu exílio em Westeros. “Perdeu” a sobrinha em uma jogada que forçou muito a mão, mas tem uma vida doméstica de felicidade ao lado de Laena Velaryon, com duas filhas e um outro à caminho. Pela conversa dos dois, a união não está vivendo seus melhores dias, graças à instabilidade de humores de Daemon. E tudo muda num piscar dos olhos.

Completamente inocente em suas ações, mas aparentemente arquitetando alguma alternativa, Laena percebe que em breve pode correr algum risco se atrapalhar a vida do marido. Ela o conhece bem, sabe que está hesitando, mas que um Daemon infeliz é um mal sinal. Quando o parto de seu filho nos traz para a mesma situação do 1º episódio – apenas uma cesariana pode resolver, mas é letal para a mãe – Laena não conversa. Pede à sua dragão Vhagar que termine a sua dor. É um momento emocionante e vital para o lado de Rhaenyra.

A morte de Laena, paralela à de Ser Harwin e o retorno de Otto Hightower dará ao lado sos pretos o foco e a união que estava enfraquecendo o lado deles. A questão agora cai nos ombros do fraco Viserys.

Um legado de fraqueza

Viserys passa mais tempo em um mundo do passado, onde ele constrói uma cidade destruída pelo tempo e onde vive em sua imaginação como o reino que gostaria de ter tido. Um homem que se vê como bom, mas um péssimo Rei e um marido ausente, um pai sem autoridade. Só é amado por Rhaenyra, que também se ressente com ele. Todas decisões que tomou como regente foram erradas: romper com a tradição colocando a filha como herdeira, mas não agindo para fortalecê-la; errando na decisão de sacrificar a esposa por um filho homem que não sobrevive; exilar o irmão que executa as ações sujas que não gosta de fazer (mas precisa); escolher erradamente a segunda esposa; não controlar a filha ou esposa… a lista é longa. Destruído, sem braço, envelhecido e cansado, Viserys não vai durar nada, nem deixar saudade. Suas decisões vão abalar a Casa Targaryen para sempre.

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