A profecia que (des)une Westeros

A despedida de Viserys Targaryen I foi um episódio feito para a estrela da primeira temporada, Paddy Considine, O ator que foi convidado para participar de Game of Thrones (mas recusou) e entrou para House of the Dragon como o líder do elenco. Com sua saída, será Matt Smith a abrir os créditos, assumindo a cabeça de House Targaryen.

A dificuldade de interpretar Viserys não pode ser subestimada. Uma personagem que precisa passar força, carinho e ao mesmo tempo crítica, precisava de um ator com alcance de Paddy. Ele não apenas entregou uma atuação generosa e perfeita, como adotou Viserys como “seu”. Sentiremos sua falta.

Em termos do conflito, não houve novidades per se no episódio 8. Se entre os episódios 1 a 5 a questão era o machismo que impediria uma mulher de ser Rainha, a partir do 6º o drama ganhou novas proporções com a dúvida (ou melhor dizendo, a óbvia certeza da) ilegitimidade dos filhos da princesa Rhaenyra. Com um marido (quase) abertamente gay, os três meninos se pareciam mais com seu guarda pessoal, Ser Harwin Strong, não apenas contribuindo para a enorme desconfiança da inaptidão de sua posição como sucessora como a ameaça a perder tudo: coroa e fortuna.

Desde o episódio 6, a princesa passou a ter ainda menos apoiadores de verdade, e Alicent Hightower passou a ser uma agente ativa em sua derrocada (alimentada por ressentimentos pessoais de inveja, rancor por causa do pai e ciúme da relação do marido com a enteada). No entanto, como seu maior aliado é Viserys, a Corte precisa “engolir” a princesa e seus filhos. NO 7º episódio a frágil saúde do Rei piorou, reduzindo as chances de que Rhaenyra de virar o jogo. A “proteção” de Viserys é clara, mesmo depois que seus filhos e netos derramam sangue. Rhaenyra tema. preferência.

Mas o diabólico estrategista Otto Hightower, sempre agindo nas sombras, seguiu manipulando todos, em especial sua filha, Alicent, sendo bem sucedido em colocar as duas mulheres em lados opostos. A essa altura não importa nem que elas se reconciliem, os filhos se odeiam ainda mais que elas. Ele – graças ao “amigo” da filha, Ser Larys Strong – voltou para Corte com ainda maior poder do que antes.

Assim, O Senhor das Marés, o episódio 8, gira em torno mais uma vez de um conflito envolvendo a legitimidade de um dos filhos da futura rainha, Lucerys Velaryon. Decidir quem herda Driftmark no lugar de um (também) doente Ser Corly Velaryon é o gatilho para trazer Verdes e Pretos de volta ao lado oposto do ringue. Rhaenys Targaryen é um ponto bneutro: elas desgosta igualmente de Alicent e Rhaenyra, mas é uma jogadora hábil e vivida. Quando a corrente muda, ela rapidamente assegura seu lado apoiando Rhaenyra. Mas isso porque Viserys ainda estava vivo, a ver como ficará em seguida.

Voltado ao rei, a doença que destruiu Viserys – praticamente o transformando na aparência de um Night Walker – foi severa. Embora ele tenha tido tempo de compartilhar alguns momentos com Rhaenyra, estava confuso, drogado e em dor constante. Por isso, logo antes de morrer causa nova confusão ao falar da profecia de Aegon I com Alicent pensando estar falando com a filha. A atuação de Paddy foi comovente do início ao fim, uma despedida gloriosa.

No próximo episódio veremos o golpe de estado dos Verdes e o início da Dança dos Dragões. Ou seja, o começo de muito derramamento de sangue. Não tem um lado melhor. Sem Viserys, só fica ainda pior. A profecia de Fogo e Gelo, que fala do príncipe que foi prometido, como sabemos, gera o oposto do que prega: a desunião em Westeros. Uma triste ironia com consequências trágicas.

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