Veja Como Eles Correm revê com inteligência as comédias sobre mistérios

Quem acompanha minhas críticas sabe que sempre que uma série ou filme usa a fórmula do “quem matou” volto à fonte principal: Agatha Christie. A rainha do crime, cuja vida ela mesma roteirizou com eventos dramáticos, é imbatível mesmo 70 anos depois de ter tomado Londres como uma tempestade e batido recordes incríveis. Isso mesmo, a peça A Ratoeira (The Mousetrap) – que merece post à parte – estreou nos palcos londrinos em 1952 está em cartaz até hoje. Isso mesmo, são sete décadas de absoluto sucesso.

Para quem sabe das curiosidades sobre a peça, sua origem e sua autora, o filme Veja Como Eles Correm (See How They Run) é brilhante. Se não, ainda assim, é uma pérola. Inteligente, curioso e divertido, traz Saiorse Ronan e Sam Rockwell como os detetives que tem que solucionar os crimes que ocorrem nos bastidores da peça sobre crimes, o que faz de A Ratoeira uma trama de metalinguagem absolutamente acima das outras que pretendem alcançar a genialidade simples de Agatha Christie, como a própria Glass Onion: Um Mistério Knives Out ou a maravilhosa The White Lotus.

Veja Como Eles Correm gira todo em torno da peça A Ratoeira (The Mousetrap) em uma sátira sobre a obsessão das pessoas em decifrar “quem matou” (whodunit) antes dos detetives da trama. Em outras palavras, “clássico Agatha Christie” que se especializou em histórias simples e reviravoltas mirabolantes. No caso do filme, em uma Londres dos anos 1950s, há 10 suspeitos, dois detetives (um desinteressado e uma iniciante) e um cadáver. Excluindo o sempre suspeito mordomo, que poderia ter matado?

O diretor Tom George aproveita para nos informar sobre a fonte com informações corretas (elenco, fonte, sucesso, a impossibilidade de filmá-lo enquanto estivesse em cartaz,e tc) para satirizar a eterna curiosidade morbida do público sobre crimes. O inspetor Stoppard (Sam Rockwell) explica em off tudo que precisamos saber para descobrir “quem matou”, ensina (ou tenta ensinar) a policial Stalker (Saoirse Ronan) a não “se apressar a concluir fatos”, mas claro que é inútil. A cada vírgula tentamos adivinhar quem matou o detestável Leo Köpernick (Adrien Brody), um diretor de Hollywood que queria levar A Ratoeira para o cinema.

Mantendo propositalmente o clima de excessivo drama de tramas de suspense, o que resta é rir e se divertir.

Há muita curiosidade e citações no filme que valem revisitar (teremos overposting!), mas o que fica aqui é a reforçada sugestão de ver o filme, disponiblizado no StarPlus e se deixar levar. É um dos presentes de 2022!

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