Bardot reconta a história da lendária Brigitte

Ainda não está claro em que plataforma poderemos ver, mas a produção francesa sobre a lendária Brigitte Bardot deve estrear na França no início de 2023, com a novata Julia de Nunez estreando no papel principal. Para gerações mais novas, a beleza e o impacto da atriz francesa nas telas pode ser estranho, visto que ela não quis se preocupar como as pessoas a veriam e preferiu se dedicar às causas que falassem mais com seu coração, como salvar os animais. Mas nada disso estará em Bardot, a série de seis episódios que vai cobrir desde o surgimento de BBBrigitte Bardot – até o início dos anos 1960s, quando foi mãe. O lançamento em 2023 será perfeito pois marca os 50 anos da aposentadoria da atriz, um dos maiores símbolos sexuais criados no cinema.

Brigitte Anne-Marie Bardot nasceu e cresceu em Paris, em uma família de dinheiro e desde cedo sonhava entrar para o Ballet do Opèra e fazer uma carreira como bailarina. Com apenas 15 anos, começou a trabalhar como modelo e chamou a atenção do diretor Roger Vadim. Os dois começaram a namorar, para desagrado dos pais dela que só aceitaram quando Roger prometeu se casar com ela quando Brigitte completasse 18 anos.

Logo nem o balé nem os trabalhos de modelo foram suficientes e ela passou a trabalhar como atriz, com participações em vários filmes, ficando famosa na França. Quando Roger Vadim dirigiu seu primeiro filme, Brigitte já tinha uma carreira, mas viria a ser uma celebridade internacional. E Deus Criou a Mulher trazia a estrela ao lado de Jean-Louis Trintignant e Curt Jurgens, com ousadas cenas sensuais para a época. Em poucos anos já era a atriz mais bem paga da França e uma das maiores estrelas mundiais.

Quando se aposentou em 1973, já tinha trabalhado em 47 filmes, estrelado musicais e também uma sólida carreira de cantora. Largou tudo para se tornar uma ativista dos direitos dos animais, uma causa que defende com paixão fervorosa. Sua personalidade forte e sua franqueza passaram a ser explorados para criar manchetes de jornais e transformá-la em figura política controversa, xenófoba e conservadora. Seu atual marido foi conselheiro de Jean-Marie Le Pen, o que não a faz tão popular como antes.

Talvez por conta dessa segunda fase controversa em sua vida, a série não chegue até lá. Até agora, ninguém tinha tentado biografá-la, por isso o projeto da cineasta Danièle Thompson e seu filho, Christopher. Serão seis episódios de uma hora, mostrando a ascensão de Brigitte Bardot, entre 1949 e 1959. Mostrarão sua infância, sob rigorosa repressão paterna, forçando a BB buscar por liberdade. Também mostrará o sonho de se tornar bailarina e o casamento com Roger Vadim, quando se tornou “BB” para sempre. (Por curiosidade, neto de outro mito francês, o Victor Belmondo será Roger Vadim).

A semelhança de Julia de Nunez com Brigitte Bardot chega a ser assustadora. Ela surpreendeu a diretora quando fez o teste, se sobressaindo entre dezenas de candidatas. “Procurávamos uma atriz capaz de ilustrar sua evolução [dos 15 aos 25 anos], ou seja, uma adolescente fofa que de repente se transformava em uma femme fatale”, Danièle disse à LeFigaro. “Pode haver algo avassalador na ideia de interpretar um personagem real, vivo e mítico como Bardot, mas Julia sempre pareceu não se preocupar com isso. Ela simplesmente concordou em interpretar uma jovem livre, apaixonada, mas caçada”, acrescentou Christophe.

Com apenas 23 anos, Julia é filha de pai argentino e mãe francesa, crescendo em Paris e desde criança sonhando com uma carreira artística, mas estudo Letras e só abraçou atuação depois de um ano de formada. Embora vá viver um mito, ela mesma admite que embora soubesse sobre BB e seus filmes, não era aprofundada em sua vida. Sua meta era não imitar a atriz, mas “encarná-la”. Para isso fez aulas de balé, assim como mambo e flamenco. “Eu me investi muito nessa aventura, e chegou uma hora que não dava mais para dar um passo atrás. Ao fazer as emoções de Bardot existirem, elas se tornaram sinceras”, disse.

Por via das dúvidas, assim que as filmagens acabaram, ela cortou o cabelo curto para ficar o mais diferente possível da personagem. Seu foco agora é o teatro, para ganhar mais experiência. E sim, quer evitar virar celebridade. “Quando penso em atrizes discretas, como Catherine Deneuve, acho esse mistério elegante”, conclui. Mas, se compromete a uma coisa: escrever para Brigitte Bardot agradecendo o carinho e a confiança dela. As duas não se conheceram (ainda), mas é difícil diferenciá-las.

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