Os 40 anos sem Balanchine

A data foi no dia 30 de abril de 2023, mas o post está atrasado. Foi a data na qual perdemos o que muitos consideram o grande gênio do balé clássico, George Balanchine.

O coreógrafo faleceu meio que repentinamente, em 1983 e aos 79 anos. Apenas após sua mort que os médicos confirmaram que ele sofria da rara doença de Creutzfeldt-Jakob que tem como característica principal a deterioração progressiva da função mental, levando os pacientes à demência, a ter espasmos musculares (mioclonia) e andar cambaleante. Os primeiros sinais de que Balanchine estava com algo foi retroativamente identificado em 1978, quando passou a ficar instável em pé e sem conseguir fazer uma pirueta como deveria. Ele foi até um neurologista que não detectou nada de anormal, algo que o homem que vivia de movimento sabia que não estava certo. O que todos acreditavam que era uma sequela do ataque cardíaco recente e à pressão alta do coreógrafo, que tomava grandes doses de remédios para angina, e ainda sentia dores fortes no peito, restringindo movimentação.

A ponde te safena só foi colocada em 1980, quando não conseguia mais dormir. A recuperação dessa cirurgia foi lenta e o andar cambaleante dificultava até que caminhasse sem assistência, atrapalhando até como fazia suas criações com os bailarinos. Mesmo com os exames não descobrindo a causa, o desequilíbrio passou a ser constante e facilmente identificável. Nos seus últimos meses de vida, mal conseguia se mover, dançar, pensar, ou, menos ainda, coreografar. Segundo os médicos, infelizmente mesmo tendo identificado corretamente a doença, nada mudaria o curso que ela tomou na vida de Balanchine.

O último balé criado por ele para o New York City Ballet foi Variations for Orchestra, um solo para sua musa, Suzanne Farrell, em cima de uma peça de oito minutos em memória de Aldous Huxley. Ainda hoje, seu primeiro, Apollo, de 1928, é considerado sua obra-prima, embora seja o Tchaikovsky Pas-de-Deux um dos mais populares. Acho que nenhum bate seu O Quebra-Nozes, mas talvez meu favorito seja mesmo Serenade, de 1935. É difícil escolher!

No dia 30 de abril, o NYCB dançou Square Dance, de 1957, que mescla a dança folk com a clássica, Haieff Divertimento, de 1947 e que é montado com menos frequência, e o leve e divertido Donizetti Variations , originalmente batizado como Variations from “Don Sebastian, de 1960, que fez parte de uma programação especial para celebrar o 100º aniversário da unificação da Itália.

Em uma atrasada homenagem ao gênio, fica aqui a programação selecionada por sua companhia.


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