O pas de deux perdido

É estranho hoje, mas a música de O Lago dos Cisnes foi considerada um fracasso na sua estréia por ser “sinfônica” em vez de balé. A genialidade do compositor nessa obra só seria reconhecida após sua morte, graças à Marius Petipa e Lev Ivanov.

Na sua estreia, em março de 1877, foi a bailarina Polina Karpakova que dançou Odette, com Victor Gillert como Siegfried. Ela estava substituindo a verdadeira estrela da produção, Anna Sobeshchanskaya, envolvida em escândalo que a impediu de dançar. Sem o talento de Anna, com uma coreografia que entrou para a história como medonha, houve pouco que os artistas pudesse fazer. Com apenas 41 apresentações, O Lago dos Cisnes seria esquecido.

Porem, antes disso, Anna chegou a dançar o ballet feito para ela, mas, abertamente insatisfeita com o trabalho de Julius Reisinger na coreografia, teve a autorização de pedir a Marius Petipa, do ballet Imperial, que trocasse um pas de six do terceiro ator por um pas de deux, exclusivo seu. O coreógrafo atendeu ao pedido, usando música de Ludwig Minkus, seguindo a estrutura formal: entrée, adagio, solos e coda.

Compreensivelmente Tchaikosvky ficou furioso com a mudança em sua música e deciciu escrever uma nova música para o pas de deux. No entanto, como Anna queria manter a coreografia, foi o compositor que teve o trabalho de fazer a melodia se encaixar com cada passo e andamento, para que todos os movimentos fossem exatos e a bailarina nem precisasse ensaiar. Ela e o músico se entenderam tão bem que até acrescentou mais uma variação.

Com o fracasso do balé e a posse de Anna da passagem do terceiro ator, tanto a música quanto a coreografia se perderam com o tempo, sendo relocalizada acidentalmente apenas em 1953, 76 anos depois, misturada nas partiduras de O Corsário, nos arquivos do Bolshoi. Ironicamente, a música de Minkus tamém desapareceu e ninguém sabe dela até hoje.

George Balanchine usou a música para criar uma peça para Violette Verdy e Conrad Ludlow, batizando a obra como Tchaikosvsky Pas de deux e contando com os figurinos de Karinska. Sua estreia foi em 1960. A peça é dita como “oito minutos de técnica e bravura”, com passos quase acrobáticos de tirar o fôlego.

Rudolf Nureyev usou a música do pas de deux de Tchaikosvky em seu O Lago dos Cisnes, com Margot Fonteyn, susbtituindo o pas de deux do Cisne Negro. Compare os dois.

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