Glenda Jackson: do Oscar ao Parlamento britânico

A lendária atriz britânica Glenda Jackson, que era um dos nomes mais importantes do cinema britânico (e palcos) nos anos 1960s e 1970s, faleceu hoje em Londres, aos 87 anos. Já contava com dois Oscars e dois Emmys de Melhor Atriz quando abriu mão da Arte pela Política, onde atuou por outros 23 anos como Membro do Parlamento. O motivo de sua morte foi explicado como uma “breve doença”, sem entrar em detalhes.

Glenda Jackson era destemida e versátil. Ela interpretou papéis de mulheres complexas nos palcos e nas telas, e depois de ficar longe dos palcos por duas décadas, interpretou Rei Lear aos 82 anos. A reverência por seu talento era absolutamente justificado, mas sua relação com seus críticos sempre foi igualmente feroz. Filha de um pedreiro e uma faxineira, ela queria ser bailarina, mas sua altura atrapalhou os sonhos e acabou saindo da escola aos 15 anos para trabalhar em uma loja, entrando para a prestigiada Royal Academy of Arts (RADA) pouco depois, quando descobriu por acaso que gostava de atuar. Estreou profissionalmente em 1957. Seis anos depois, veio a grande virada de sua vida veio aos 27 anos, quando foi escalada por Peter Brook para interpretar Charlotte Corday, a assassina do radical da Revolução Francesa, Paul Marat na peça Marat/Sade, de Peter Weiss. Fez tanto sucesso que repetiu a atuação no filme.

A estreia nas telas de Glenda já tinha acontecido antes, no filme This Sporting Life, de Lindsay Anderson mas foi apenas quando estrelou Women In Love, a adaptação do polêmico romance de DH Lawrence, que consquistou o mundo e seu primeiro Oscar. Também marcou sua parceria com o diretor Ken Russell, que a escalou para o papel da esposa perturbada de Tchaikovsky no filme The Music Lovers, em 1971. No mesmo ano ganhou o Emmy de Melhor Atriz pela minissérie Elizabeth R, onde interpretou Elizabeth I. Emendou com outro Emmy por uma Cleópatra bem humorada em Morecambe and Wise Show, da BBC e em 1973 ganhou seu segundo Oscar, pelo filme A Touch of Class. Assim como no primeiro, não compareceu pessoalmente a cermônia para recebê-lo.

Glenda sempre foi vocal em um tempo que críticas não eram bem recebidas se queixando da falta de bons papéis femininos, mas só desistiu da carreira aos 50 anos, quando surpreendeu a todos ao concorrer ao Parlamento britânico, sendo eleita em 1992 pelo Partido Trabalhista.

Em 2015 voltou a causar surpresa quando subiu aos palcos como Rei Lear, outra performance premiada. Emendou com a elogiada interpretação na peça de Edward Albee, Three Tall Women, como uma mulher de 80 anos sofrendo com Alzheimer. Mas foi um retorno muito breve. Seus últimos anos foram vividos perto de seu filho, o colunista político Dan Hodges, cuidando do jardim e curtindo o neto. Com essa trajetória consistente, Glenda Jackson será sempre lembrada como uma das melhores atrizes de todos os tempos. Rest in Power.


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