O coração da Inteligência Artificial

Gal Gadot tem um mercado único. É uma atriz linda, carismática e que se destaca em filmes de ação. Não fosse a incursão bem sucedida de Charlize Theron e antes delas de Michele Yeoh, navegaria quase sozinha em um mercado predominantemente masculino. Dentro de super heróis há versões femininas, mas, em geral fora, não. E Gal está em Velozes e Furiosos assim como em Alerta Vermelho (onde, pra ser justa, é coadjuvante). Não vale citar Mulher Maravilha. Com Agente Stone ela atende ao meu sonho de Missão ImpossívelMulheres, que com a morte de Ilsa (Rebecca Fergunson) foi adiado.

Como Rachel Stone, Gal Gadot traz um olhar modernizado para os filmes de ação e espionagem. Ela faz parte de uma agência independente (como Citatel?) que é naturalmente secreta e poderosa, liderada por ex-agentes das maiores potências mundiais e agindo juntos seguindo cegamente as coordenadas de uma inteligência artificial onipotente, chamada ironicamente de Coração. Isso inverte às máximas: tecnologicamente, seguir o coração é lidar com algoritmos determinando destino de nações e pessoas e, usando o racional, é, paradoxalmente, emocional. O bom é que a piada está no ar, mas não esfregam na nossa cara.

Rachel está agindo escondida ente espiões “normais”, mas um golpe faz com que tenha que escolher seguir o Coração ou seu coração. Ao optar pelos amigos, deflagra uma série de atentados e crimes que apenas ela pode parar.

O elenco traz nomes como Jamie Dornan e, em especial pra minha alegria porque sou MUITO FÃ, Sophie Okonedo e ela sempre traz gravitas para qualquer papel. Dirigido por Tom Harper, Peaky Blinders, não nada de inesquecível na trama: uma sequência bem coreografada de lutas, uma viagem pelo globo (Islândia e Portugal, entre outros) e uma série de traições e segredos que nos colocam adivinhando quem é quem. Quem viu um, viu todos, lamento, o que não tira sua diversão.

A jovem Alia Bhatt interpreta a millenial que confunde e desafia Rachel Stone, sem grandes surpresas na narrativa. As pontas de Glenn Close e BD Wong são bacanas, mas é Sophie que mantém a credibilidade dos experientes.

O problema de Agente Stone está na previsibilidade das viradas e da vilanização da tecnologia. Ao mesmo tempo que somos dependentes e precisamos dela, nos deixa vulneráveis. Sem oferecer alternativas. Por isso cito a igualmente fraca Citatel como irmã de alma do filme. Enquanto seja bacana e necessário trazer as mulheres para o centro de filmes de ação, teríamos que costurar melhor os desafios e mais ainda, as alternativas para os perigos atuais. Se não, é apenas mais do mesmo e Gal Gadot merece mais do que isso!


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2 comentários Adicione o seu

  1. Avatar de Antonio Manuel Lopes Amaral Antonio Manuel Lopes Amaral disse:

    Menção honrosa pra Cinthia Roughrock, que deu partida às “duronas” nas telas e arrebentava nas locadoras e videoclubes, nos anos 80 e 90.

    Curtido por 1 pessoa

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