Um ano sem Elizabeth II

Ontem, 8 de setembro, completou o primeiro ano de morte da Rainha Elizabeth II. A soberana mais longeva da história da Inglaterra – 70 anos no trono – e um ícone mundial. Símbolo de constância, discrição e dedicação, ela é ainda hoje alvo de carinho e curiosidade, e seu legado ainda é discutido.

Elizabeth foi coroada com apenas 25 anos, quando já era mãe de dois filhos e contava com pelo menos mais 10 anos como esposa de militar antes de ser jogada para a posição de liderar o Reino Unido. Por ser jovem e tímida, imediatamente capturou a atenção ao redor do planeta e simbolizou diferentes coisas ao longo dos anos. De juventude à tradição, foram sete décadas marcadas por transformação cultural, econômica, social, tecnológica e sociopolítica. Sua figura passou a ser identificada como constância, como referência pop e até divertida, com memes ironizando sua longevidade.

Seu estoicismo é parte de seu legado, sendo que foi uma líder mulher em um mundo de homens, e manteve o sentimento de orgulho pela Monarquia na Grã-Bretanha, mesmo em tempos nos quais soe estranho ter Reis e Rainhas. Historiadores a creditam por “reinventar o papel do soberano”, com audiências semanais com os primeiros-ministros, passando a ser considerada fonte de sabedoria e guardiã de muitos segredos. Mesmo sendo uma figura política, era apolítica e acima do partido.

Todas as qualidades de Elizabeth II, no entanto, são vistas como defeitos em seus herdeiros diretos, hoje Rei Charles II e futuramente seu neto, Príncipe William. A dedicação quase religiosa ao seu papel de Rainha – como mostrado em The Crown – a colocou em conflito com pessoas que ela amava e que sofreram pela inflexibilidade da Rainha quanto às regras que seguia. Seu motto de “nunca reclamar, nunca explicar” é abominado pela cultura millenial e coloca Charles e William em posições complexas. O ‘drama atual’ entre Harry e William é uma reedição de problemas anteriores vividos por Margaret, Diana e até o Rei George VI. Como Rainha, Elizabeth II escolheu seguir o Dever, indiretamente causando dor para essas pessoas.

Em apenas um ano, portanto, Elizabeth II é ainda objeto de carinho e respeito, mas sua sombra ainda é inflexível para os que a seguirão. Algo para se acompanhar e avaliar. A ver como The Crown marcará sua despedida também.


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