A última cena da Senhorita Turner (Kelley Curran) na casa dos Russells foi profética: “Talvez nos encontremos de novo”, ela diz à George (Morgan Spector). “Eu duvido”, ele responde para uma misteriosa e sorridente Turner. Alguma dúvida de que a invejosa e ambiciosa empregada voltaria para atazanar a vida dos seus ex-empregadores em The Gilded Age? Eu não tinha nenhuma, mas surpreendi de como será. Atenção para os spoilers.

Não fossem os jornalistas que tiveram acesso a temporada completa e tivessem dado com a língua nos dentes, nós poderíamos cogitar a volta de Turner, mas não a maneira surpreendente dela. Quando anunciaram o elenco da volta de The Gilded Age, foi oficializado que o único ator da primeira que não estaria no elenco seria Thomas Cocquerel, que interpretou Tom Raikes. Dessa forma, já estava avisado que a ex-camareira de Bertha (Carrie Coon) reapareceria. O disclaimer é para defender o spoiler, que faz sentido quando relembramos como foi a passagem de Turner pela série e o pouco que sabemos dela.
Sempre ressalto que nada que é dito em cena, em especial nas primeiras, deixam de ser sinais para a história. Ainda acredito que um dia Marian será descoberta como milionária (afinal seu pai investiu em ferrovias) e não errei que Tom Raikes não era boa bisca (sou uma Agnes do mundo real, não erro), mas me enganei no papel da volta de Turner. Achei que, por vingança dupla de ter sido rejeitada por George e despedida por Bertha, tentaria derrubá-los expondo os podres dos negócios dele. Não será assim, aparentemente.
Na primeira cena em que ouvimos algumas palavras da governanta pessoal de Bertha descobrimos que ela foi contratada depois de ter trabalhado para uma família tradicional e rica de Nova York, os Griswolds. Nesse momento, Turner (ainda não aprendemos seu primeiro nome!) ainda parece torcer por Bertha, embora seja dura em suas críticas ao que “falta” para ela e que “o dinheiro não pode comprar”. É Turner que ensina à Bertha como se vestir, quem convidar e como agir, isso antes que a milionária encontrasse outro mentor em Ward McAllister (Nathan Lane). Tudo conspira para aumentar a mágoa quase inexplicável que nutre desde o início.
Quando Bertha decide abrir a casa para uma recepção íntima de 200 convidados, é Turner antecipa que “SE” alguém vier, é por curiosidade pela casa e não pela anfitriã, ao que todos reagem chocados com a sinceridade. “A senhora não entende como essas coisas devem ser administradas”, ela diz. “Ela não é um deles”, continua. A ausência maciça dos convidados comprova a teoria dela.


E quem são “eles”? A ex-empregadora de Turner, a Sra. Grinwold, que morava na rua 50, entre outros. Segundo a camareira imagina, “a Sra. Grinwold não chegaria nem perto” da casa do Russells. “A patroa [Bertha] não faz parte do grande jogo, não importa o que diga”, Turner explica com acidez. “Ela não tem os modos das pessoas reais e não pode aprender. A Sra. Grinwold veria a verdadeira natureza dela na hora”, continua. E por que não está mais com a tão perfeita patroa? Porque ela morreu do coração no momento que estava se trocando para o baile da Sra. Astor (Donna Murphy). “Foi muito difícil para o Sr. Grinwold”, ela fala com desprezo, “Porque ele queria ir ao baile”.
Guardem essas palavras.
Em seguida vemos que Turner se irrita com todos fracassos de Bertha, que tem ambições parecidas com as dela mesma, e ainda mais pressa de alcançar seu objetivo. “Essa casa é uma loucura, ela construiu um palácio para entreter o tipo de pessoa que nunca virá aqui”, a ouvimos disparar em outro episódio, embora se diga indiferente ao sucesso da patroa. “O fracasso é contagioso, ele pega se não tomar cuidado”, teoriza. Nesse momento vemos que a estratégia de Turner é “roubar” George de Bertha, se tornando amante do patrão. Uma estratégia que falha porque a união dos Russell é genuína em tudo: amor e ambição. Porque Bertha se sente dependente das dicas de Turner, George não revela nada para a esposa, criando uma armadilha que sabemos que virá a ser problemática. Todos empregados percebem que Turner está perseguindo o patrão, mas não sabem se foi bem sucedida ou não.

Se não era algo pessoal contra Bertha, a partir da rejeição, passa a ser 100% sobre destruí-la. Turner se associa à Oscar Van Rhijn (Blake Ritson) para ajudá-lo a conquistar Gladys (Taissa Farmiga) e o mapa que faz é perfeito: primeiro conquiste a menina e depois agrade ao pai. Embora seja Bertha quem mande na família, George vai tentar ajudar a filha a ser feliz. Essa consultoria é remunerada, claro, para uma Turner cada vez mais irritada por “estar desperdiçando o tempo dela” com os Russells.
O acaso e o mal-entendido atrapalham os planos dela. Turner é vista com Oscar em gestos mais íntimos do que esperados entre empregados e pessoas de dinheiro, mas não por quem ela imagina. Quem vê os dois é a Sra. Armstrong que os dedura para Agnes (Christina Baranski) que imediatamente assume que o filho está de caso com uma serviçal, demandando à Bertha que a demita imediatamente. Quem dá o recado, de forma truncada por discordar da interferência, é Marian (Louisa Jacobson) que omite o nome de Oscar de forma desastrada. Para azar de Turner, Bertha a vê em seguida sendo muito “familiar” com Larry (Harry Richardson) e passa a concordar com a demissão (para alívio de George, que, ainda assim, não conta a verdade).
Como esperado, Turner não imagina o que houve e acredita que Bertha está com ciúmes dela, deixando a casa não apenas com mágoa, mas desejando o pior para a ex-patroa. Prontos para o veremos agora?

Nessa temporada, Turner volta casada com um homem rico e – assim como Bertha – vai tentar subir na sociedade de Nova York. No entanto, embora defenda a tese de que a velha guarda não pode sair impune banindo os novatos de circularem, ela mesma vai provar do preconceito quando tiver que conviver com a ex-camareira. Isso foi tudo que os jornalistas anteciparam, mas podemos teorizar, né?
Minha aposta foi de que Turner retornaria como ninguém menos que a nova Sra. Grinwold. Eu sei, eu sei, mas o súbito ataque cardíaco do sua antiga empregadora e a reação de indiferença do viúvo pareceram-me extremamente suspeitos. Além disso, seria uma dedução lógica devido à estratégia de Turner de tentar seduzir George, sugerindo que ela já tentou isso antes. Mas não… ela é a nova Sra. Winterton e está vindo para o baile de Bertha em Newport.
O choque de Bertha será imenso porém, Turner sabe todas as “regras” para compensar sua falta de berço, além de saber mais segredos da casa dos Russells também, ou seja, pode ter mais facilidade de se encaixar do que a antiga patroa. Mais ainda sabe como expor Bertha, como criar dor de cabeça para George e ainda interferir com Gladys. Em outras palavras: volte logo Turner! Não vejo a hora de mais essa sacudida em The Gilded Age!
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