No fim do mundo, um assassinato é complexo

Pois então, ter Clive Owen no elenco e no cartaz jamais o tiraria de liderar a lista de suspeitos em um a série que investiga Um Assassinato no Fim de Mundo. Nossa Sherlock de saias, Darby Hart (Emma Corrin) deu mil voltas, quase morreu pelo menos duas vezes mas ainda não chegou perto de elucidar a morte de seu ex-namorado, Bill (Harris Dickinson) ou de Rohan (Zaved Khan). Sian (Alice Braga) deveria estar na lista, mas sua morte parece ter sido acidental. Não sabemos quem ou por que, mas nesse penúltimo episódio tentaram MUITO nos dar as dicas. Infelizmente, ou a série realmente será ‘surpreendente’ ou será uma conclusão pífia, mas queremos saber!

Darby, salva por Lee (Brit Marling), que segue para mim sempre suspeita, ela de novo confia na sua ídola para tentar decifrar os acontecimentos estranhos que provocaram a morte de Bill. “Fiz o erro básico de investigação”, ela raciocina, “tentei achar o assassino e esqueci de entender a vítima”. Isso depois que Lee deu uma longa e detalhada explicação de que está tentando escapar de Andy (Clive Owen) que é obcecado por Zoomer (Kellan Tetlow). Nada que sustente a razão dele – que já sabia que Bill era o pai biológico – decidisse matá-lo. Honestamente, acho que a série elevou o mistério ao ponto do risco muito sério de ridículo, mas estamos envolvidos.

Desde o início as personagens gritam que Lu Mei (Joan Chen) é uma candidata forte para ser a assassina, nós que assistimos sabíamos que Andy era o mais óbvio, portanto me parece que ambos estão descartados. Sigo achando que Lee está muito empenhada em ajudar e sempre por perto quando as coisas dão errado. Mas a teoria que tem ganhado força é a de que Zoomer é o assassino, sendo ele um mix de Inteligência Artificial e humano, tendo o acesso ao quarto de Bill – que já tinha identificado ser o pai da criança – e pequeno o suficiente para não ter sido visto pelas câmeras de segurança. A razão certamente será dada em um longo monólogo de Clive Owen.

A melhor parte do episódio, claro, é o flashback com a história de amor entre Bill e Darby, que acompanhamos em relances desde o rompimento sem explicação até o reencontro horas antes da morte dele. A química entre Emma e Harris é inegável, assim como o carisma dele. Bill de longe é extremamente interessante, um jovem que busca a conexão e os sentimentos, mas esbarra com uma Darby obcecada por crimes e distante. Os dois conseguem identificar um serial killer que matou pelo menos 17 mulheres e que estava livre, mas se matou ao ser confrontado pela dupla de detetives amadores.

A conclusão dessa parte da história é a abertura da série, mostrada sem contexto e agora, que já avançamos tanto, ganha outra perspectiva quando recontada na íntegra. Bill deixou Darby porque “era demais e não o suficiente”. O que não mudou nem com a sua morte. Mas é desse passado dolorosa para nossa personagem que ele dá as dicas mais importantes da história: se questionar os motivos de mentes assassinas não muda o que são: “o resultado de uma programação defeituosa“, que tem “a concentração de um sistema que precisa receber cadáveres para sobreviver” ele desabafa para Darby ainda encantada com o processo de investigação. “Você quer que o assassino tenha um significado, mas ele não tem”, insiste Bill. Como ela mesma reconhece anos depois, “o mesmo código que não para de se repetir em diferentes corpos”.

E nessa triste conclusão, a última conversa íntima que tiveram em 6 anos e que levou ao rompimento de uma tortuosa história de amor, está a chave da série também. Quem ou por que não importa, mas sim como nos sentimos a respeito. Uma grande viagem!

Mas agora as críticas: Darby não deixa Lee terminar uma história, sempre diz para ela o que está acontecendo. Isso não é uma característica de uma boa investigadora. E além de todo mundo insistir em Lu Mei (a ameaça velada da China?), Darby suspeitar que Eva (Brittian Seibert), apesar de casada com Todd (Louis Cancelmi), é “muito próxima de Andy” me faz perguntar por que ela não achou a mesma coisa de Sian, que obviamente era ainda mais. O fato é que voltamos à mais provável das teorias: os assassinatos são causados pela IA, seja por um Zoomer Artificial ou pelo atualmente quieto IA Ray. Ou a alternativa será revelar alguém que mal percebemos ou tenha feito a diferença na história.


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