O estranho amor de Darby e Bill é a alma de Um Assassinato no Fim do Mundo

Posso estar sozinha, mas eu gostaria que Um Assassinato no Fim do Mundo fosse sobre o Assassino Silver Doe muito mais do que sobre o retiro de mentes brilhantes na Islândia. A abertura poderosa da série, ao som de This is the End do The Doors, com uma Emma Corrin arrebentando no sotaque americano, perfeitamente desconfortável como uma jovem geek fissurada por crimes, lançando seu primeiro livro que reconta como decifrou com a ajuda do namorado um rastro de mortes de 17 mulheres, todas encontradas com brincos de prata. Impactante. Perfeito.

“Não posso contar a minha história sem falar de Bill”, ela menciona sofrendo, explicando que o conheceu online, em um fórum de detetives amadores. Sua narrativa é sucinta, perfeita, e assim como o público que vai ficando mais curioso, assim ficamos também. “Vou, começar no final”, ela avisa olhando para o capítulo que no livro está como “debate”. “Às vezes fico pensando se não seria melhor ter ido”, ela lê. Essa frase voltou a ser reforçada no penúltimo episódio, quando já sabemos de toda tragédia.

Conhecemos Bill em um cenário desértico, com Darby, onde os dois claramente não estão bem, embora ela descreva uma das melhores frases da série: “é difícil se apaixonar pela primeira vez enquanto se busca um serial killer”. A alma do estranho amor entre Bill e Darby. E a cena onde eles – sem uma palavra – reatam ao som de No More I Love Yous foi feita para ser clássica. Sério, headbanging ao som de Annie Lennox foi inesperado (mesmo que longo). Mesmo sem saber o quanto especial era o casal, percebemos que seria importante.

Um Assassinato no Fim do Mundo aposta em várias frentes, mas o romance entre esses dois jovens inteligentes, claramente diferentes do resto, que decifra na morte o sentido da vida, é uma das mais tristes e diferentes apresentadas em séries há muito tempo, sem dúvida pela química e grande atuação de Emma e Harris Dickinson, um grande ator que vem ganhando merecido destaque desde O Triângulo da Tristeza (sua participação em Malévola 2 também foi boa).

Bill e Darby se parecem e se diferem radicalmente. A investigação que os uniu – e separou – nos comunica em todos os episódios (sempre em flashback) que enquanto Bill busca a verdadeira conexão com Darby, focando no sentimento e coração, ela só se apóia no racional. O que ele mais tarde resume perfeitamente em “demais e não o suficiente”. Sempre intenso, mas nunca completo.

O que nos leva de volta à escolha brilhante da canção Strangelove, de Depeche Mode, para a campanha de lançamento da série. Parte do álbum Music for the Masses, de 1987 e tem uma letra que fala de um, bem, “estranho amor” onde dor, sofrimento, altos e baixos são avisados de antemão, assim como o aviso de que não quer nada além de autenticidade, de praticar o que prega.

Strangelove é meio que rejeitada pela banda, apenas parte do repertório de shows em raras ocasiões e considerada uma das canções mais pops do grupo. “Há uma linha e se você ultrapassar ela demais, ela se torna uma música pop sem graça,” ele disse uma vez feliz que não tenha sido o caso dessa composição que gerou muitos conflitos nos bastidores das gravações. “Não sei nem dizer quantas vezes tivemos que refazê-la. Tivemos que mudar a linha do baixo pelo menos umas cem vezes. Também tivemos muita percussão que acabamos retirando”, explicou. “A versão ao vivo é muito mais satisfatória”, completou.

Ficou perfeita para Um Assassinato no Fim do Mundo e, de quebra, o tema de amor entre Bill e Darby, perfeitos um para o outro, separado para sempre pelos assassinos que os uniram pela primeira vez.

There’ll be times
When my crimes
Will seem almost unforgivable
I give in to sin
Because you have to make this life livable

But when you think I’ve had enough
From your sea of love
I’ll take more than another river full
Yes, and I’ll make it all worthwhile
I’ll make your heart smile

Strangelove
Strange highs and strange lows
Strangelove
That’s how my love goes
Strangelove
Will you give it to me?

Will you take the pain
I will give to you?
Again and again
And will you return it?

There’ll be days
When I’ll stray
I may appear to be
Constantly out of reach
I give in to sin
Because I like to practice what I preach

I’m not trying to say
I’ll have it all my way
I’m always willing to learn
When you’ve got something to teach
And I’ll make it all worthwhile
I’ll make your heart smile

Pain, will you return it?
I’ll say it again, pain
Pain, will you return it?
I’ll say it again, pain

Pain, will you return it?
I’ll say it again, pain
Pain, will you return it?
I won’t say it again

Strangelove
Strange highs and strange lows
Strangelove
That’s how my love goes
Strangelove
Will you give it to me?

Strangelove
Strange highs and strange lows
Strangelove
That’s how my love goes
Strangelove
Will you give it to me?

Strangelove
Strange highs and strange lows
Strangelove
That’s how my love goes
Strangelove
Will you give it to me?

I give in
Again and again
I give in
Will you give it to me?
I give in
I’ll say it again
I give in
I give in
Again and again
I give in
That’s how my love goes
I give in
I’ll say it again
I give in
I give in


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