Ando muito mal-humorada com o que tenho visto no cinema em geral. Filmes mega longos, pretenciosos em suas narrativas não lineares, Arte sem sutileza e nenhum poder de síntese. Não há ne-nhu-ma justificativa para que a média dos filmes fiquem quase todos em 3 horas. Nem em casa aguentamos tanto tempo sem perder a concentração, ainda mais no cinema!
Não há nada de errado com histórias longas, bem fotografadas ou até contadas de forma não linear. O que há é usar tudo como fórmula e esquecer que para ter uma boa história não precisa ser panfletário ou buscar inspiração (apenas) biografias. E mais uma vez quem prova o que argumento aqui é a excelente diretora e roteirista Emmerald Fennell e seu polêmico Saltburn. Simples, direto, surpreendente e perfeito. É o melhor filme de 2023 com as melhores atuações também. Obrigada, Emmerald!

A atriz diretora já nos pegou de surpresa há dois anos, quando trouxe Carey Mulligan como uma psicopata vingativa em Bela Vingança, pelo qual ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original (e acumulou a indicação de Carey como Melhor Atriz também). Seu novo filme, Saltburn deve repetir o feito de receber indicações de roteiro e atuação, além de direção, direção de arte e até filme. Eu daria todos os prêmios hoje para ela. Sei que me pergunta se Saltburn é tudo isso. Pelas razões do que ele optou não ser, é. Entende?
O thriller psicológico apresenta uma proposta simples de seguir um estudante tímido e pobre lutando para encontrar seu lugar na esnobe Universidade de Oxford. Ali ele encontra um atalho para universo aristocrático através da amizade improvável com um rico colega. E nada é o que parece ser, especialmente quando coisas estranhas começam a acontecer.
A essa altura, se não estiver em Marte, já leu das polêmicas (e gráficas) cenas de sexo e nudismo, alguma escatologia aqui e ali, que são o menos importante. Barry Keoghan (The Batman), Jacob Elordi (Euphoria e Priscila) e Rosamund Pike (Garota Exemplar) estão sensacionais em papéis desafiadores, com nuances incríveis. Eles fechariam para mim as categorias de Ator, Ator Coadjuvante e Atriz Coadjuvante.
Oliver Quick (Keoghan) é bolsista em Oxford que se torna amigo do popular Felix Catton (Elordi), um garoto rico e legal, que o convida para passar o verão em seu castelo, Saltburn. Lá, Oliver conhece a esnobe e disfuncional família de Felix: a egocêntrica Elspeth (Rosamund Pike); o intelectual Sir James (Richard Grant), a problemática irmã de Felix, Venetia (Alison Oliver), seu primo Farleigh (Archie Adekwe) e esquisito mordomo Duncan (Paul Rhys). Ironicamente, aquela timidez da escola parece estar longe de um Oliver se infiltrando no cotidiano dos Cattons com facilidade, participando das intrigas e ganhando a confiança de uma vaidosa Eslpeth.

Erotismo e perversão fazem parte do oxigênio em Saltburn e Oliver vai se apegando àquela realidade que jamais seria a sua, seduzindo homens e mulheres, mentindo, chantageando e até matando para conseguir o que quer. Sim, Oliver não é nosso herói, desculpem o SPOILER. Mas mesmo que saiba, vai ficar surpreso com seu caminho para conseguir o que quer.
Não parece nada complicado, porque não é. A história de um alpinista social é contada de forma inteligente, direta e tranquila. Assim como em Bela Vingança nós nos chocamos com as revelações e conclusões da história, em Saltburn a diretora comprova que não precisa ser panfletária ou inventar a roda. Sou fã. E agradeço mostrar que é possível ser criativa com pouco. Fica minha recomendação.
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