Pode parecer estranho, mas um dos melhores exemplos de misoginia se aplicou por décadas à Nicole Kidman. Se hoje é indiscutivelmente uma das melhores atrizes de sua geração, embora sempre apontada como talentosa, passou os primeiros 10 anos em Hollywood sendo citada como “esposa de Tom Cruise” e depois outros 10 como “ex mulher de Tom Cruise“. No entanto, com sua consistente carreira no Teatro, Cinema e TV, ela é hoje simplesmente Nicole. Tanto que será a homenageada pelo American Film Institute (AFI) com o Lifetime Award, o 49º da instituição.

A premiação, na verdade, estava prevista para 2023, mas, com as greves, foi reagendada para abril de 2024. Tudo bem. Ainda melhor do que ver Nicole nas telas ou nos palcos é vê-la no tapete vermelho, um ícone lendário que a coloca entre uma das mais elegantes de todos os tempos.



Sem surpresa, Nicole Kidman representa seu país como poucos. Desde sempre artistas australianos se destacaram, mas ela é a primeira a receber o prêmio AFI Life Achievement. Hoje com 57 anos, ela é um exemplo: superou o desafio de mulheres após os 40 anos sem parar de trabalhar, navegando entre produções de grande e menor porte com a mesma facilidade.
Versatilidade e coragem sempre foram sua assinatura: drama, aventura, comédia ou musical encontram uma atriz disposta a sair da zona de conforto onde seu talento a deu a oportunidade de trabalhar com alguns dos melhores cineastas da História, de Stanley Kubrick a Jane Campion, Sofia Coppola, Baz Luhrmann, Anthony Minghella, Sydney Pollack, e Lars von Trier, entre muitos, sendo indicada nada menos do que cinco vezes ao Oscar (deveria ter sido mais) e ganhado um, além de dois Emmys, seis Globos de Ouro, e dois BAFTAs.



Antes de Nicole, apenas 10 mulheres receberam a homenagem da AFI: Bette Davis, Bárbara Stanwyck, Elizabeth Taylor, Barbra Streisand, Meryl Streep, Shirley MacLaine, Jane Fonda, Diane Keaton, e Julie Andrews, um prestígio que confirma o status da atriz como efetivamente uma lenda em Hollywood.
Embora ela seja ainda jovem para receber o Prêmio AFI Life Achievement, é mais do que justo. Criado há 50 anos, só é concedido a um único homenageado por ano e ele deve atender ao critério de que “cujo talento tenha avançado de forma fundamental na arte cinematográfica; cuja realização foi reconhecida por acadêmicos, críticos, pares profissionais e pelo público em geral; e cujo trabalho resistiu ao teste do tempo.” A carreira profissional de Nicole Kidman começou com ela ainda adolescente na Austrália, mas em Hollywood está estável há 35 anos, um feito raro para qualquer artista.


E juro que não é fofoca, mas também um ‘sonho longe e distante’: embora divorciados há 24 anos, seria importante e emocionante se Tom Cruise estivesse em Los Angeles prestando homenagem à ela. Afinal, foi ele que a trouxe para os Estados Unidos (embora fosse acontecer inevitavelmente) e como dupla, por muitos anos, eram uma marca de peso no universo do cinema. À parte de qualquer problema pessoal entre eles, mesmo que Tom não seja chamado de ‘ex marido de Nicole Kidman’, ela certamente está de igual para ele hoje. Tê-lo reforçando e reconhecendo o tamanho (literal, ela tem mais de 1m70) seria muito poderoso. Fecharia um ciclo!
Não vai acontecer, infelizmente. Mas sonhar não custa nada!
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