Poucos personagens em Game of Thrones são tão divisivos como Sansa Stark (Sophie Turner). Em geral, fãs se combatem por eventos ou decisões, mas Sansa? É outro campo completamente. A filha de Ned Stark (Sean Bean) e Catelyn Tully (Michelle Farley), ela sempre foi ‘diferente’ de seus irmãos, com sonhos mais altos de ser princesa ou rainha, viver na Corte e ter uma vida de luxo e tranquilidade.
De ‘fraca’, ela foi uma das vozes mais fortes contra Cersei Lannister (Lena Heady) e Daenerys Targaryen (Emilia Clarke), enfrentando ambas com coragem quando a hora chegou. Na ‘guerra das rainhas’, que marcou o embate Targaryen contra Lannister, podemos facilmente argumentar que Sansa já tinha o trono do Norte e também estava no embate. A diferença? Ela não queria o Trono de Ferro. Ganhou o jogo, ganhou o Norte, ganhou sua Coroa e Paz, a grande vitoriosa do jogo.
Sua chegada até lá não foi fácil, nem livre de polêmicas.

A ‘Princesa’ Stark
Sansa foi a primeira filha de Ned e Catelyn, tratada como princesa pelos dois que já tinham Robb (e Jon Snow), portanto quando ela nasceu, Ned estava fora de si de orgulhoso e feliz, mandando os sinos tocarem em celebração.
Criada como todas moças de Casas importantes em Westeros, Sansa teria um papel na sociedade: casar com um grande Senhor e ter filhos. Para isso, aprendeu a falar idiomas, a rezar e a bordar, revelando um talento ímpar de designer. Era o exato oposto de sua irmã Arya (Maisie Williams), que gostava mais de brincar com os irmãos e era apegada à Jon Snow (Kit Harington).
Na série, nunca é dito com palavras exatas, mas claramente Sansa era a única dos irmãos a seguir o exemplo de sua mãe e maltratar o bastardo Jon Snow, com ambos mencionando mais tarde que ela era chata e esnobe com ele.
O sonho máximo de Sansa é um dia ser Rainha e mãe de príncipes porque ela imagina ser um mundo de fantasia. Infelizmente é o caso de ‘cuidado com o que deseja’ porque quando Robert Baratheon decide que ela se casará com o filho dele, Joffrey Baratheon, Sansa é a única feliz com o arranjo. Ninguém, nem seus pais, irmãos, mãe do príncipe ou mesmo o próprio noivo acharam que era uma boa idéia. E a partir daí, a vida de Sansa se tornou um inferno. Com consequências trágicas para os outros.
Uma menina estúpida que não aprende
Muitos criticam a fidelidade de Sansa que traiu sua própria família muito antes de chegar à King’s Landing. A verdade é que uma menina de 12 anos, sonhadora e despreparada foi educada a colocar o marido no pedestal e a obedecê-lo, portanto do momento que foi ‘prometida’ a Joffrey, tanto os Lannisters como os Baratheons passaram a ser sua família.
Pode-se argumentar que ao tomar as decisões erradas, na visão dos defensores dos Starks, Sansa estava fazendo o que aprendeu: colocar o Dever antes do Amor. Como noiva do futuro Rei, ela Devia sua lealdade a ele. Ned nunca a condenou pelos erros de julgamento, ele sabia exatamente que os desafios eram maiores do que ela poderia enfrentar, mas perdeu sua cabeça por isso. Literalmente.


Arya nunca perdoou Sansa, mas, por ter prometido ao pai, não a incluiu na sua lista. Robb e Catelyn tampouco julgaram a menina, claramente subjugada pelos Lannisters. E Sansa pagou pelos erros: fisica e psicologicamente. O sadismo de Joffrey a tinha como vítima preferencial, ninguém particularmente gostava dela, mas era útil na política de Westeros e foi usada e abusada como peça de xadrez.
Insegura, Sansa deixou passar oportunidades de fugir, confiou nas pessoas erradas e desconfiou das certas, mas aprendeu da pior maneira. Foi forçada em um casamento com Tyrion (Peter Dinklage) que só não foi pior porque ele era íntegro. Depois de mais de um ano prisioneira, ela apostou na perigosa aliança com Littlefinger (Aidan Gillen) para sobreviver e mostrou que seu mantra – sou uma menina estúpida que nunca aprende – em algo ultrapassado.
A longa estrada de redenção antecipada
Todos os Starks sofrem ao longo das temporadas de Game of Thrones, mas é Sansa que vive o perigo diário mais de perto, podendo a cada segundo ser executada por Joffrey ou Cersei. Ela está tão sozinha que é usada até por quem simpatiza com ela, os Tyrells, que a incluem sem culpa alguma na lista de suspeitos de ter matado Joffrey.
Escapando de Westeros com a ajuda de Littlefinger, Sansa atravessa o país em um intensivão com o mais perigoso dos jogadores. Antes dele, Cersei, em um misto de pena e desprezo, também passou a ela alguns ensinamentos, mas os principais Sansa aprendeu na pele ou observando os outros. Com Littlefinger foi diferente, ela a treinou a ler as pessoas, a estrategizar. Com Littlefinger, que ela subestimado e usava a todos sem piedade, Sansa aprendeu a ler as pessoas, mas foi com o que sofreu com Ramsay Bolton (Iwan Rheon).

Forçada em um casamento com os homens que mataram seu irmão e mãe, Sansa tinha acreditado em Littlefinger, mas nem quando viu um Theon Greyjoy (Alfie Allen) destruído ela pescou o perigo ao qual estava exposta. O sadismo de Joffrey não chegava perto do que Ramsay era capaz. Ela foi estuprada e torturada pelo marido, mas não deixou que ele quebrasse sua alma como fez com Theon. Foi a última e mais valiosa lição de sobrevivência que teria.
De todas personagens de Game of Thrones, apenas Sansa Stark esteve próxima e sob o controle dos piores dos piores em Westeros. Joffrey, Cersei, Littlefinger e Ramsay, o quarteto dos infernos. Daenerys Targaryen não provocava nem suspiro em Sansa, com razão.
Na fuga e reencontro com Jon, a Sansa Stark que ninguém esperava
O ódio que as pessoas sentem por Sansa tem muito a ver como ela não foi legal com Jon Snow, nem tanto quanto à sua antipatia com Daenerys. Eu compartilho dessa aversão, vou avisando.
Antes de reencontrar Jon, que deveria ter sido sua primeira meta, mas foi desviada por Littlefinger, Sansa encontrou em Theon uma alma-gêmea inesperada. Até então, Sansa tinha Theon como culpado pelas ‘mortes’ de Bran e Rickon, além de ter traído Robb, portanto, o que quer que Ramsay tenha feito com ele era merecido. Aos poucos, ela percebe que só pode contar com ele para escapar do marido sádico, mas não há mais Theon, apenas Reek. Sob pressão, ele confessa que os irmãos mais novos estão mais vivos e Sansa finalmente percebe todo arrependimento dele de ter traído os Starks. No entanto, apavorado e traumatizado, ele não ousa trair Ramsay para ajudá-la. Pior, atrapalha inclusive o plano em andamento que ela estava seguindo para acionar Brienne de Tarth para resgatá-la. Até que Theon tem que escolher e ele escolhe Sansa.


Inesperadamente ele mata a amante de Ramsay e pula para a morte com Sansa, sendo que eles conseguem ficar vivos, embora perseguidos. Não nada que Theon não vá fazer para salvar a jovem Stark: pular muros, matar, fugir pela neve e águas congeladas, até mesmo se oferecer como isca para distrair os Boltons. Quando o mundo parece perdido, Brienne aparece e salva os dois.
A única alternativa – finalmente! – é ir ao encontro de Jon (que ela nem suspeita que tinha sido assassinado, menos ainda que seria ressucitado), mas Theon sabe que Jon não terá a mesma empatia por ele como a meia-irmã (na verdade, prima). Sabendo que agora Sansa estava segura com Brienne, a caminho da proteção de Jon Snow, é hora de dar adeus. A despedida é tão triste como o reencontro dela com Jon Snow, cinco temporadas depois.
Retomar Winterfell, liderar o Norte à independência
O reencontro entre Sansa e Jon é um dos momentos mais emocionantes e belos de todo Game Of Thrones, genuíno de carinho e irmãos. Mantendo a coerência de toda uma vida na qual tinham uma relação tumultuada, Jon e Sansa batem de frente, com ela o conduzindo do momento em que o vê. É Sansa que o instiga a recuperar Winterfell, a buscar alianças a lutar pelo Norte. Algo ainda mais difícil depois de tantas derrotas e atitudes suspeitas de Sansa (casada com um Lannister depois um Bolton), e um bastardo liderando a casa, os dois são recebidos com muita suspeita.

Sansa e Jon podem querer a mesma coisa, mas estão em desacordo como alcaçar. Ela quer manter a posição superior dos Starks, quase arrogante, enquanto Jon quer ser mais conciliador. O principal problema é o que acontece antes do confronto na Batalha dos Bastados/.
Os Starks têm menos homens que os Boltons e Sansa sabe que Jon é bom, portanto Ramsay vai usar sua integridade contra ele. Os dois brigam na véspera da batalha porque ela se sente ignorada pelo irmão e ela dá um único conselho, que é o melhor deles, mas indecifrável para Jon: não faça nada que o Ramsay te force a fazer. Obvio, mas, como sabemos, exatamente o que Jon ignora e quase perde o combate.
Por alguma razão, que nem mesmo os showrunners oferecem uma alternativa, Sansa omite de Jon que tem Littlefinger e um exército que daria a vitória aos Starks de stand by e que ela pediu a ele ajuda. Dessa forma, Jon começa a luta em desvantagem e Sansa aparece de surpresa, efetivamente virando a batalha a favor dos Starks. Eles ganham e Jon é eleito Rei do Norte, algo que a incomoda.
Os dois seguem batendo de frente até que, obcecado em enfrentar os Night Walkers, Jon parte de Winterfel, contra o conselho de Sansa, para encontrar Daenerys Targaryen. Ele deixa a irmã no comando, é a Rainha em treinamento!
Sansa força a mão de Jon duas vezes na escolha contra Daenerys

Apenas duas pessoas em toda franquia pareciam imunes à Daenerys Targaryen: Sansa Stark e Cersei Lannister. Supresa: ambas que poderiam perder seus status para a mãe dos dragões. No caso de Sansa, para piorar, Jon entregou o Norte à Daenerys sem ao menos consultá-la, criando um sério problema para eles com as outras casas, justificadamente irritadas com ele. Até esse ponto, eles não tem a exata noção que ninguém tem chance contra o Night King e que de fato ele ‘precisam’ de Dany.
Essa fase da história é confusa para todos os lados. Daenerys passa a agir cada dia mais suspeita, Jon faz decisões impensadas e Sansa mantém muitos segredos dele e dos irmãos. A essa altura Arya e Bran já reapareceram também. O fato de que Dany ofereceu a ajuda e Jon respondeu se ajoelhando a ela gera muitas brigas, porque eventualmente ela demandaria de qualquer forma, portanto é ineficiente discutir que ela teria aceitado a indepedência do Norte. Em nenhum momento ela cogitou ser a Rainha dos seis reinos, e nada do que fez depois sugere que ela não queria o Norte. De qualquer forma, Sansa ficou puta.

Ela mostra sua antipatia abertamente, expõe Dany a constante constrangimento e se mantém distante de Jon. Quando Sansa é encostada por Daenerys, numa segunda falsidade para tentar conquistá-la, Sansa decide abrir o jogo. Ela quer a independência do Norte. Dany os deixaria em Paz? O silêncio era tudo que Sansa precisava para ter certeza. Daenerys Targaryen não é uma Rainha que ela apoiaria, é apenas uma outra Cersei Lannister.
Despedidas e surpresas, Sansa consegue sobreviver
Na grande batalha de Winterfell contra os nightwalkers, Sansa parecia ser uma das improváveis a sobreviver. Sem habilidades de luta, Sansa se esconde na cripta, com Tyrion, Varys e as mulheres, mas são surpreendidos com o ataque de mortos-vivos e a incerteza do resultado de uma luta desequilibrada. Sansa sobrevive e não perde a liderança, ao contrário, está ainda mais firme à frente da Casa Stark. Infelizmente, ela perde a única pessoa que compreende exatamente o que Ramsay Bolton infligia em suas vítimas: Theon Greyjoy volta ao Norte para lutar pelos Starks e proteger Bran. A conexão com ele é inegável. No livro, ele sonhava um dia poder se casar com Sansa por isso me sinto justificada por ter shipado que – se ele escapasse – eles ficariam juntos. Sansa não queria mais sexo ou filhos, mas ela e Theon teriam uma relação de reconstrução. Teria sido lindo, mas Game of Thrones não é uma história de finais felizes…

A Rainha do Norte
Para os anti-Sansa, a traição final dela é a pior de todas. Jon Snow revela sua verdadeira identidade (Aegon Targaryen) para ela e Arya, sob o pedido de sigilo total afim de não criar problemas com Daenerys Targaryen. O que Sansa faz imediatamente?
A sequência dos eventos deslanchados pela decisão unilateral de Sansa de que Daenerys não poderia chegar ao Iron Throne custou as vidas de milhares em King’s Landing tanto quanto a resistência de Cersei Lannister. Uma cada vez mais isolada (e desequilibrada) Dany, se sentiu justificadamente insegura com o fato de que em Westeros iriam preferir Jon (Aegon) como rei do que ela, fazendo toda sua árdua e sangrenta estrada até King’s Landing inútil. E sabemos que ela simplesmente “perdeu” o controle.


Mas o fato é que após destruir a capital, Daenerys está decidida em “liberar” toda Westeros das Casas que hoje estão no comando, pelo menos as que não estão do seu lado. A primeira parada? de volta ao Norte.
A essa altura Daenerys está sem Tyrion ou Varys como conselheiros, está de fato mais isolada do que nunca. Ela faz um apelo à Jon para ficar com ela, mas Jon decide por sua família. Isso mesmo, apesar das traições de Sansa e dela ter provocado a ira da Rainha Targaryen, Jon se sacrifica por Sansa. Quem ama Jon, não engole a escolha dele. Decididamente, Sansa não merecia essa confiança.
O resultado? Ao salvar os irmãos, Jon é condenado à morte, depois salvo mas enviado para o exílio, com fama de traidor e assassino. Injusto no meu livro. Bran foi eleito Rei de Westeros e Sansa garantiu a independência do Norte, que a coroou como Rainha.
O arco de Sansa Stark, com todos os tropeços, é um dos melhores e mais completos de Game of Thrones. Ela alcança seu sonho de reinar, mas não sem dor e perdas. Ela não é mais a menina inocente, tampouco é uma mulher passiva e despreparada. Hábil politicamente, ela é efetivamente uma grande Rainha. Lamento que ela não tenha sido a Mão do Rei, seu irmão, pois Sansa é tão astuta que até Bran foi útil para ela, tanto para eliminar Littlefinger como garantir sua posição de comando na ausência de Jon.
Você ama ou odeia Sansa Stark? Como acha que ela estará na série Snow?

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