Com o lançamento de A Primeira Profecia (The First Omen) nos cinemas, vale voltar à verdadeira origem de uma ótima franquia de terror, uma que fez sucesso nos anos 1970s e que de quebra tem uma das trilhas sonoras mais marcantes do Cinema, assinada por Jerry Golsmith.
A Profecia (The Omen), arrecadou mais de 60 milhões de dólares nos Estados Unidos, estrelado por Gregory Peck, Lee Remick e Harvey Stephens onde acompanhamos a conspiração ao redor da familia Thorn, que acredita que seu filho de 5 anos possa ser o Anticristo.

Depois do enorme sucesso de O Exorcista, Hollywood entendeu que o público apreciava o que veio a ficar conhecido como “terror piscológico” e apostou em uma história original que marcaria para sempre o gênero, com idéias copiadas em vários outros filmes desde então.
A criação da profecia
Embora muita gente possa ter decorado o que é dito no filme de 1976, o fim dos tempos previsto no Livro do Apocalipse não tem exatamente a profecia citada no filme, ela foi criada pelo roteirista David Seltzer e não está na Bíblia.
A idéia de ter um filme sobre o Anti Cristo já estava na pauta do produtor Harvey Bernhard, desde 1973, quando discutiu com um amigo sobre a possibilidade de que o Anticristo já poderia estar andando na Terra na forma de uma criança, desconhecido pela grande maioria da humanidade. Com a febre de O Exorcista e ainda antes disso, do sucesso de O Bebê de Rosemary, foi mais fácil emplacar o interesse dos estúdios e logo contrataram Seltzer para desenvolver o roteiro e ele levou um ano.
Quando a 20th Century Fox comprou o projeto, o diretor Richard Donner foi contratado e logo as divergências artísticas começaram. Donner queria algo menos definitivo, deixando um espaço de dúvida para o público se Damien era mesmo o Anticristo e se a série de mortes violentas que o cercam desde cedo eram apenas uma série de acidentes infelizes. O roteirista estava determinado a ir direto ao fato de que Damien Thorn era mesmo o quem era e tudo fazia parte de um poder malévolo de Satanás.
Falar de spoiler 48 anos depois não é possível né? Então, o filme não deixa dúvidas sobre quem é Damien, o que ficamos questionando é justamente de onde ele vem e quem era sua mãe, algo que FINALMENTE está sendo endereçado no filme de 2024.
A trama do original
No filme A Profecia (The Omen), acompanhamos a vida do diplomata Robert Thorn (Gregory Peck) e sua esposa, Katherine (Lee Remick), que estão em Roma aguardando o nascimento de seu filho. Para choque de Robert, ele é informado que o bebê nasceu morto. Desesperado, ele é abordado por um padre e uma freira que sugerem que ele minta para Katherine e troque a criança por um órfão cuja mãe morreu no parto e nasceu no mesmo dia, horário e hospital. Ele aceita e acompanhamos então sua ascensão profissional, sendo destacado como embaixador dos Estados Unidos em Londres, apenas um atalho para um dia ser Presidente.

Daí pra frente a vida do casal dá uma curva sinistras. Por cinco anos são felizes com Damien, mas algumas coisas estranhas começam a acontecer, com Katherine cada vez mais desconfiada sobre seu próprio filho. Ao mesmo tempo, Robert é procurado por um padre, Brennan (Patrick Troughton), que o alerta que Damien é na verdade filho de Satanás e que nunca deixará que Katherine e Robert tenham herdeiros, sendo que a vida deles está em risco.
Mesmo tentando ignorar o aviso, Robert começa a juntar as peças e a ajuda do fotógrafo Keith Jennings (David Warner) é essencial para que finalmente ele seja convencido, porém, tarde demais. Obviamente há detalhes, mas deixo para que curtam ao ver o original.
Um elenco de estrelas
Conseguir nomes fortes para liderar o elenco se revelou um problema porque mesmo com o potencial de ser um sucesso comercial, os atores mais prestigiados preferiram evitar participar. O primeiro convidado foi Charlton Heston, a grande estrela da década, mas ele achou que o risco de cafonice era alto demais para ele.

Em seguida, os produtores foram atrás de William Holden, que achou o tema demoníaco algo que não queria nem chegar perto (como sabemos, se arrependeu e entrou na sequência), portanto quando chegaram à Gregory Peck ele também estava receoso de se comprometer, mas gostou o aspecto de thriller psicológico que era maior do que um filme de terror. Houve considerações para trazer Oliver Reed, depois Roy Scheider, Dick Van Dyke e Charles Bronson, até que Peck assinou abrindo mão de seu salário de milhões e ficando com 10% do total da bilheteria.
O mais complexo era encontrar um ator que pudesse interpretar Damien e mais de 500 meninos fizeram testes até que chegaram a Harvey Spencer Stephens, na época com apenas quatro anos. Reza a lenda que ao ser encorajado a fazer uma cena agressiva, Harvey arranhou o rosto do diretor Richard Donner e o chutou na virilha, se revelando um “diabinho” perfeito.
A tradição de coisas estranhas nos bastidores
Todo filme de terror que se preze, tem histórias de coisas estranhas nos bastidores. Não é diferente com A Profecia (The Omen).
Rodado com locações em Roma, Jerusalém e Londres (Bishop’s Park, em Fulham, a Catedral de Guildford, em Surrey. a mansão de Pyrford Court, também em Surrey) contam que o ataque dos babuínos foi orquestrado com animais verdadeiros, sem interpretação de Lee Remick, apavorada dentro do carro.
Outro susto foi quando vários membros da equipe estavam em um carro que sofreu uma colisão frontal logo no primeiro dia de filmagens. Em diferentes ocasiões, os aviões onde Gregory Peck, Mace Neufeld e David Seltzer viajavam foram atingidos por raios. Um vôo originalmente fretado para a equipe de produção – e usado para outros passageiros – caiu e matou todos a bordo. E o mais traumático de todos, porque lembra a cena da morte do fotógrafo de A Profecia (The Omen), o designer de efeitos especiais John Richardson sofreu um acidente de carro e sua assistente, Liz Moore, que estava no banco do passageiro, foi cortada ao meio. Era uma sexta feira 13 e o acidente foi perto de uma placa que dizia que estavam a 66,6 quilômetros da cidade de Ommen. Apavorante.
As continuações e a prequela
A franquia ganhou suas sequêncais: A Profecia 2 (The Omen II), com Damien sendo adotado pelo irmão de Robert, Richard Thorn (William Holden) e The Final Conflict, em 1981, com Sam Neil interpretando um adulto Damien Thorn. Em 1991 tentaram reavivar a franquia com The Awakening e, em 2006, refilmaram o original com Julia Stiles e Liev Schreiber. Finalmente em 2024, lançaram a prequel nos cinemas, A Primeira Profecia (The First Omen).

Sobre a nova tentativa, sem spoilers aqui, havia um espaço que realmente é surpreendente que não tivesse sido explorado ainda. Afinal, o que aconteceu com o filho de Robert e Katherine? Sim, morreu, mas o esqueleto era de uma criança de pelo menos alguns anos, não de um recém nascido. Além disso, quem era a mãe de Damien? Como a Igreja estava envolvida com o plano? Em A Profecia (The Omen), Robert descobre que um incêndio destruiu o hospital onde o bebê nasceu, e isso incluiu os registros de maternidade de Kathy assim como toda a equipe de plantão que também estava no local. O Padre Spiletto, que fez a troca das crianças, está vivendo em um mosteiro gravemente queimado, mudo, cego de um olho e parcialmente paralisado. Ainda assim é que que indica o cemitério onde a mãe biológica de Damien está enterrada, onde a única coisa encontrada é a carcaça de um chacal e o esqueleto de uma criança com o crânio quebrado. É uma cena muito forte e que agora leva ao início da franquia que está sendo elogiadíssima. Falaremos mais!
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