120 Anos de Alexandra Danilova: Uma Homenagem à Bailarina Russa

Em novembro de 2024 completam 120 anos de nascimento de Alexandra Danilova. Conhecida como Choura pelos amigos e colegas, a bailarina russa é uma das lendas da dança clássica com uma carreira profissional de mais de 50 anos, tendo sido a musa e parceira de gênios como Leonide Massine e George Balanchine, para citar apenas dois.

Versátil, musical e simpática, foi para ela que Balanchine criou algumas de suas obras mais famosas, como Apollo e Danses Consertantes, como o menos lembrado Coppélia, cujo aniversário de 50 anos será lembrado pelo NYCB esse ano. Ela merece ser lembrada por muito mais pois foi uma das artistas mais influentes do século 20, primeiro no palco e depois como professora de várias estrelas americanas.

Nascida perto de São Petersburgo, em 20 de novembro de 1904, Choura ficou órfã ainda criança, sendo criada por parentes e pais adotivos. Assim que sua habilidade para dançar, ela foi encaminhada para a Escola Imperial para ter uma carreira no balé. A Revolução Russa, de 1917, aconteceu quando ela ainda era estudante e anos depois lembrou que foi um período de privações, fome e incerteza. “Mas sobrevivi”, ela deu de ombros anos depois em uma entrevista.

Ela entrou no Balé Maryinsky, hoje Kirov, em 1920, onde fez amizade (e depois namorou) seu colega, Balanchine, que criava especialmente para ela algumas peças originais. Na companhia, ela tiveram o privilégio de conviver com as maiores estrelas daquela época: Vaslav Nijinsky, Anna Pavlova, Mathilda Kschessinska, Olga Preobrajenska, e Olga Spessivtseva, aprendendo diretamente dos melhores a técnica para as obras mais tradicionais. Agradou ao coreógrafo Mikhail Fokine e já no segundo ano de companhia foi escalada para solos e duetos, sendo que estreou como principal no balé O Pássaro de Fogo, coreografado por Fyodor Lopokov.

Em 1924, ela, Tamara Geva e Balanchine deixaram a Rússia e foram para Paris, sendo imediatamente contratados por Diaghilev. No Ballets Russes, ela rapidamente ganhou destaque, dançando desde O Lago dos Cisnes, Giselle até as peças inovadoras de Balanchine.

Alexandra Danilova reunia características como elasticidade, musicalidade, carisma, e versatilidade, por isso cativou plateias e amigos ao redor do mundo imediatamente, virando uma estrela adorada por colegas e público.

Muitas vezes é impossível deixar de pensar o quanto a sua trajetória tinha paralelo com Victoria Page, de Os Sapatinhos Vermelhos. O filme, que é inspirado ma história de Diaghlev, conta a história de uma jovem que tem a oportunidade de virar a maior estrela do balé depois que a principal se aposenta, e na vida real, Choura – com apenas 20 anos – teve a chance de brilhar quando Vera Nemchinova deixou os Ballets Russes. Os papéis dela foram para Danilova, que dançou com Serge Lifar e Anton Dolin, entre outros, criando muitos papéis até hoje nos repertórios de muitas companhias como o da dançarina de Can-Can em La Boutique Fantasque, a Dama Mascarada em Le Bal, Terpsícore em Apollon Musagete, além de aparecer nos tradicionais O Lago dos Cisnes e O Casamento de Aurora.

Reza a lenda que nos bastidores, antes de se destacar, Diaghilev reclamar que Danilova estava um pouco gordinha e ela fez uma dieta rigorosa para emagrecer, mantendo sua figura em perfeita forma para o resto de sua vida. Suas pernas, dizem, consideradas as mais bonitas do mundo e foram seguradas com uma apólice de mais de 7 milhões de reais em valores atuais.

Os anos com Diaghilev foram felizes e ficou 5 anos como primeira bailarina, até a morte dele, em 1929, um choque que a emocionava até a idade avançada. Voltar para Rússia estava fora de cogitação e se manteve na Europa, indo dançar com o Ballet Russe de Monte Carlo, em1938, depois que Massine assumiu a direção da companhia. Um de seus maiores sucessos com eles foi Coppélia, sendo sempre citada como a “Swanilda definitiva”.

Com a Segunda Guerra Mundial reduzindo as apresentações, Alexandra Danilova viajou para os Estados Unidos e nunca mais voltou. Se tornou cidadã americana em 1946.

Em seu novo país, Danilova se manteve no palco com várias apresentações e reconectou com Balanchine que aproveitou da memória detalhista de sua parceira para resgatar balés do antigo repertório, como Paquita, que passou ser uma das suas assinaturas.

Ela rodou o mundo se apresentando como principal, mas também começou a dar aulas e treinar novos talentos até se aposentar, em 1958 e abraçar de vez o papel de mentora. Sua participação em Momento de Decisão (The Turning Point) foi de justamente a treinadora da bailarina em ascensão, interpretada por Leslie Browne e anos antes estrelou o musical Oh Captain, na Broadway.

Entre aulas e mentorias, Danilova trabalhou de perto com Balanchine nas remontagens de vários balés e foi um choque para ela quando ele morreu repentinamente em 1983. Três anos depois lançou sua autobiografia, Choura.

Sua morte, em julho de 1997, aos 93 anos, foi decorrência de doença cardíaca. Foi, sem dúvida, uma vida ímpar e plena. No ano no qual seus papéis principais voltaram a ter destaque no repertório do NYCB, fica aqui a homenagem a uma das maiores de todo tempo. A grande Alexandra Danilova.


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