Oscar 2025: Destaques e Surpresas da Noite

Não podemos dizer que o Oscar de 2025 foi previsível, mesmo que na reta final Anora tenha vindo com todo fôlego limpando os principais prêmios do ano: Melhor Filme, Roteiro, Edição, Direção e Atriz. Definitivamente, segundo Hollywood, foi o melhor do ano. Pena que tenha atropelado Fernanda Torres no processo. A vitória de Mikey Madison não foi surpresa, mas a maior derrotada mesmo foi Demi Moore. Mais sobre isso à frente.

Todo ano, madrugada à dentro, voltamos aos pontos altos e baixos de uma longa noite. O Oscar 2025 não foge à regra, mas para um refresco dos últimos anos estava mega aberto para qualquer coisa e o “Brasil ganhou” com Ainda Estou Aqui, uma vitória anunciada e merecida.

Aliás, vamos falar disso antes de seguir com o resto: foi uma grande noite para o cinema brasileiro, que fez bonito e conseguiu escapar de um filme contraditório e complexo como Emilia Perez. O musical francês estava ganhando status de fenômeno, mesmo com muitos problemas essenciais, tanto que o que emplacou de cara, manteve vitorioso até o final: Melhor Canção e Atriz Coadjuvante, duas categorias nas quais venceu em todas as premiações. Quando estava desenhando a possibilidade de dominar em tudo – teve 13 indicações – houve a derrapada fenomenal da atriz Karla Sofía Gascón e a falta de aplausos calorosos ao longo da noite cada vez que o filme era mencionado confirmou que quase Zoe Saldaña perderia seu Oscar caso o drama tivesse sido mais cedo.

Sobre Emilia Perez: ignorando os detalhes de autenticidade, não era um filme para Oscar mas não é ruim assim. Os dois prêmios que levou são acima do merecido, só tampouco demanda jogar pedras.

Tirando Emilia Perez do caminho, veio a força de O Brutalista que tirou o primeiro favorito, O Conclave, da reta. Mas Anora nunca foi pequeno: foi vitorioso em Cannes e como uma homenagem à Fellini conseguiu o cenário ideal: ficou como um azarão à espera do bote. Cresceu quando todos já tinham dado tudo de si.

Ir vendo Anora acumular Oscars foi confirmando o que não queríamos: seria difícil tirar de Mikey Madison o Oscar de Melhor Atriz. Mikey é tudo que Hollywood ama: jovem, iniciante e talentosa. Ajudou também que ao contrário de A Substância que faz uma crítica direta à Indústria mostrando como funciona o etarismo, Anora tenha um lado tradicional de uma história dramática de uma Cinderella moderna com final triste para se tornar realista.

A resposta da noite foi a de que A Substância é muito perto da verdade: Demi Moore pode estar sensacional, mas preferem reconhecer a novidade. Demi era a favorita em todas as bolsas de aposta, mas sua derrota no SAG Awards para Mikey a uma semana do Oscar era mesmo a deixa do que viria no dia 2 de março. Juventude ganha sempre.

Na categoria feminina, Hollywood claramente se mantém a mesma. Em 2024, deram à Emma Stone seu segundo Oscar em menos de 10 anos o que também foi premiar juventude. Desculpem, gosto dela, mas Meryl Streep teve que esperar mais de 20 anos para ter seu segundo Oscar de Melhor Atriz, não há como dizer que Emma Stone está remotamente no mesmo patamar, né?

Não vi a expressão de Demi ao não ouvir seu nome, mas Emma Stone pareceu decepcionada com o que estava no envelope. Até Fernanda foi pega conversando com o marido parecendo estar um tanto surpresa, ela mesma tinha anunciado que acreditava e torcia que Demi Moore levasse a estatueta, não era algo que visse para ela mesma. Acredito nela.

Fernanda ainda é a vitoriosa da temporada, em parte responsável pelo bloqueio do discurso de “é a hora de Demi” que acabou abrindo caminho para Mikey. A autenticidade da atriz em uma grande atuação, era a favorita da noite, mas ser a provável vencedora mesmo sem estar em todos os prêmios (Fernanda não foi indicada ao SAG, por exemplo, mas Karla Sofía foi) tirou dela a grande atração de ser a zebra. Era essencial para ela manter essa aura.

Insisto que Fernanda Torres não precisava mais do Oscar de Melhor Atriz, ela ganhou uma projeção internacional ímpar que é como se a vitória moral fosse dela. É complexo comparar Arte e dizer que a atuação de Mikey era menor do que a dela. Nós brasileiros sabemos o quanto Fernanda se transformou em Eunice Paiva, mas o mundo não. E mais do que isso, o mundo se apaixonou pela autenticidade e simpatia de Fernanda. Classuda, divertida e leve, ela é a estrela máxima de 2025. Tio Paulo sabia de tudo.

Obviamente a Internet não deixou escapar alguns detalhes: Mikey tem idade semelhante à de Gwyneth Paltrow em 1999 e seu vestido? Bom, vejam e comparem:

Para mim a culpa foi a do pé frio do Mick Jagger, presente para entregar o prêmio de Melhor Canção.

Com esses resultados, voltemos a falar da cerimônia, que marcou a estreia de Conan O’Brien como âncora e ele fez um excelente trabalho, mantendo o ritmo e o clima positivo. O formato da apresentação vem lutando contra a queda de audiência justamente por sua previsibilidade e longos segmentos. Agora há poucos momentos musicais e os discursos também têm sido mais ágeis.

Se um dias os filmes épicos, grandiosos e de grandes estúdio eram os favoritos, o cinema independente vem dominando nos últimos anos. O fato que Wicked era o representante do tio rico (Disney) abriu a noite com suas estrelas cantando Somewhere Over the Rainbow e Defying Gravity mostrou que a noite seria mágica.

Dos pontoa mais baixos da noite estiveram as duas homenagens principais: a 007 e a Quincy Jones. O medley de James Bond, sem nenhum dos artistas originais ficou fraquíssima. Afinal, em 2013, quando celebraram os 50 anos da franquia tiveram Shirley Bassey no palco e agora nem Billie Eilish ou Adele subiram ao palco. Dava para ter ficado sem. E Queen Latifah tentou, mas não levantou o teatro com sua interpretação de Ease on Down the Road de The Whiz. Também achei a escolha de Requiem de Mozart para homenagem aos mortos algo grandioso, mas mórbido.

Se algo ficou claro, é que 2025 foi um ano de transição. Um ano em que o Oscar, talvez mais do que nunca, deixou de ser apenas uma premiação para se tornar um espelho da indústria cinematográfica global, refletindo suas vitórias, suas contradições, e, claro, sua busca incessante por uma nova cara para o futuro. Com um Conan O’Brien carismático no palco e a inevitável renovação nas escolhas, fica o gosto de que o próximo Oscar será ainda mais imprevisível e emocionante.


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