Tudo é Justo — Episódio 4 (Recap): A Virada Sombria de Emerald

A metralhadora de críticas à série de Ryan Murphy continua cheia de munição — e tentar defender All’s Fair é quase um terreno de areia movediça. Não é que os elogios consigam silenciar as reclamações, mas a verdade é que, se não é a oitava maravilha do mundo, a série está longe dos desastres televisivos de 2025, como And Just Like That e companhia.

Kim Kardashian é celebridade, bilionária e bacharel em Direito, mas enquanto ainda não segue oficialmente os passos do pai, entrou para o seleto grupo de musas de Murphy. Isso mesmo: é atriz. E, convenhamos, não é fácil entrar para essa patota — menos ainda liderá-la. Sua falta de técnica é inegável, mas outro fato também é: All’s Fair não é sobre realismo. Mesmo lidando com temas delicados, é uma obra estilizada, viciantemente artificial. Lidem com isso.

O quarto episódio, no entanto, tira o foco de Allura Grant (Kardashian) e se volta para a outra musa de Murphy: Niecy Nash. Sua detetive Emerald Greene vive aqui uma virada brutal. A sequência em que ela é drogada e violentada numa festa é trágica, e incômoda, transformando o tom da série — que até então flertava com o camp — em um drama de trauma e culpa.

Ainda paira o segredo de que Allura fez a inseminação dos embriões sem comunicar as amigas ou o futuro ex-marido, mas o episódio escolhe adiar esse fio. O foco é o isolamento de Emerald: a mulher forte que, pressionada por todos a “seguir em frente”, aceita ir a uma festa de solteiros e acaba vítima de um golpe covarde. Niecy Nash entrega vulnerabilidade e raiva em medida certa — talvez sua melhor performance na série até agora.

A cena do abuso é filmada de maneira fragmentada, claustrofóbica, deixando o espectador tão confuso quanto ela. Ao acordar em casa, machucada e sem lembrar o que houve, Emerald faz o que tantas vítimas reais fazem: procura a polícia, é desacreditada e se vê sozinha tentando provar o impossível. A presença de Jenniffer Jason Leigh como cliente da semana — envolvida em um divórcio com tintas misóginas — funciona como espelho temático do episódio.

Quando as sócias tentam apoiar Emerald, a dor e a raiva explodem. Ao descobrir o endereço do homem que a drogou, Emerald e Dina conectam os pontos: ele é filho de um cliente antigo de Dina, que perdeu tudo após o caso em que ela atuou. A vingança, portanto, seria contra Dina — e usar Emerald como alvo foi uma forma cruel e indireta de atingi-la. A revelação soa confusa, quase forçada, mas é típica do melodrama murphiano, onde o exagero emocional fala mais alto que a lógica.

No desfecho, o suspeito aparece morto. O caso parece temporariamente encerrado, mas a tensão no escritório é palpável. Todas reagem com expressões suspeitas — culpa, medo ou alívio? Seria vingança de uma delas? Ou foram os filhos de Emerald, movidos pela fúria e pela impotência? Terminamos com a questão no ar, como um eco moral de que, em All’s Fair, ninguém é totalmente inocente.


Descubra mais sobre

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário