Top 10 do streaming em janeiro 2026: quem manda no jogo

Se existe um momento do ano em que os rankings dizem mais sobre as plataformas do que sobre os títulos em si, é janeiro. Com o calendário ainda em aquecimento e poucos “lançamentos de choque”, o Top 10 deixa de ser vitrine de estreias e passa a funcionar como radiografia de posicionamento. O que aparece no topo não é apenas o que está sendo visto, mas o que cada serviço escolheu ser: Netflix como ecossistema emocional, HBO Max como mediadora entre prestígio e escala, Disney+ como império de IPs, Prime como território de públicos múltiplos, Paramount+ como guardiã de franquias e Apple TV+ como curadora de identidade. O ranking da semana não está em busca de ruptura. Está em busca de reconhecimento, conforto e continuidade.

Na Netflix, esse padrão aparece com clareza quase didática. O domínio de His & Hers e Run Away reforça a força do thriller emocional e do drama relacional, narrativas que mobilizam curiosidade, mas permanecem ancoradas em afetos reconhecíveis. A presença persistente de Stranger Things, Emily in Paris e The Good Doctor confirma o poder do “porto seguro”: séries que não dependem de novidade para se manterem relevantes. É menos sobre o que está sendo lançado agora e mais sobre o que já faz parte da rotina emocional do espectador. Até nichos específicos, como WWE e anime — entram não como exceção, mas como extensão dessa lógica de hábito.

Nos filmes, a liderança de People We Meet on Vacation e o desempenho contínuo de Me Before You reiteram uma verdade antiga: o melodrama romântico nunca deixa de funcionar. Em um ambiente saturado de estímulos, o público recorre ao conhecido, ao emocionalmente legível, ao que oferece catarse sem risco. A Netflix, mais uma vez, joga no campo da escala: menos “evento cultural” e mais permanência afetiva.

A HBO Max, por outro lado, continua ocupando o espaço híbrido entre prestígio e popularidade. The Pitt se impõe como um título de peso real, com ares de série que nasce já integrada ao discurso crítico e ao boca a boca. The Cult Behind the Killer: The Andrea Yates Story reforça o apelo do true crime psicológico, enquanto IT: Welcome to Derry mostra como o terror de franquia pode ser expandido sem perder relevância. No cinema, One Battle After Another se destaca como caso raro: um filme que converte prestígio em audiência, cruzando plataformas e aparecendo como verdadeiro produto de temporada de prêmios. A HBO não disputa apenas números, disputa centralidade cultural.

Na Disney+, o Top 10 é quase uma declaração institucional. TRON: Ares lidera como evento, enquanto o universo Avatar ocupa múltiplas posições, acompanhado por animações atemporais e novos capítulos da Marvel. Aqui, o consumo não é guiado por descoberta, mas por pertencimento a marcas. O mesmo vale para as séries: Percy Jackson se consolida como franquia jovem, enquanto o catálogo sustenta o resto da lista. A Disney não pede que o público escolha histórias — oferece mundos.

O Prime Video continua operando como território de convergência de públicos distintos. Fallout e Beast Games mostram duas frentes complementares: adaptação de grande IP e entretenimento de evento. Ao lado deles, convivem romances juvenis, dramas, ação e novelas internacionais. É um serviço menos definido por identidade e mais por amplitude: não há um “tom Prime”, há múltiplas comunidades coexistindo.

A Paramount+ reafirma sua estratégia de fidelidade. South Park, Landman, Tulsa King e Yellowstone sustentam a plataforma como universos de retorno contínuo. Nos filmes, a liderança de Mission: Impossible – The Final Reckoning reforça a lógica da franquia como ativo central. Não se trata de conquistar novos hábitos, mas de manter um público que já sabe exatamente o que procura ali.

Já a Apple TV+ permanece como a exceção elegante do mercado. Seu Top 10 de séries — com Tehran, Pluribus, The Last Frontier, The Morning Show, Slow Horses, Severance e Ted Lasso — não é apenas um ranking: é uma afirmação de identidade. Poucos títulos, todos com assinatura autoral clara, posicionados como catálogo de prestígio. O mesmo ocorre nos filmes, dominados por projetos com estética de “blockbuster premium”. A Apple não compete por volume; compete por imagem.

O que atravessa todas as plataformas é um dado revelador: no começo de 2026, o streaming não é movido pela pergunta “o que há de novo?”, mas por outra, mais íntima: “onde eu me sinto em casa?”. O catálogo é rei. As franquias são âncoras. O romance, o melodrama, o crime real e os grandes universos narrativos continuam sendo os pilares do engajamento.

Mais do que tendências de gênero, o Top 10 da semana expõe uma mudança de lógica. A guerra do streaming deixou de ser sobre estreias pontuais e passou a ser sobre permanência. Não se trata apenas de atrair — trata-se de ser o lugar para onde o espectador retorna. E, neste janeiro, cada plataforma revela com nitidez quem ela acredita ser.

Como estou viajando, o TOP 10 Miscelana se mantém o mesmo da semana passada. Em breve “recupero”.


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