The Gilded Age temporada 4: o que os novos personagens revelam

Vai ser aos poucos, mas, com todas as informações do elenco da quarta temporada de The Gilded Age sendo oficializadas, já fica um pouco mais fácil “desenhar”, ou melhor, especular o que pode acontecer quando voltarmos à Nova York do século 19, especialmente depois do final turbulento do terceiro ano.

Uma das notícias esperadas e agora confirmadas é que Kelley Curran, que interpreta Enid “Turner” Winterton desde a primeira temporada, passa oficialmente ao elenco fixo da série. Era um tanto óbvio, afinal ela topou o casamento de fachada com Oscar Van Rhijn, o que significa que será uma presença constante na rua 63 com o Central Park. Mas é importante ter essa certeza porque quem ama Oscar e torce por sua felicidade terá que contar com Enid nesse projeto.

Da mesma forma, uma vez que o Dr. William Kirkland pediu Peggy Scott em casamento, Jordan Donica também foi promovido ao elenco fixo. Claro que queremos saber mais dessa dupla, que é uma das mais emocionantes da série.

Grover Cleveland e a política na Nova York da Gilded Age

Há outros nomes que, aos poucos, revelam fatos e pessoas que vão circular na sociedade nova-iorquina da Era Dourada em participações especiais.

Por exemplo, Jim Gaffigan dará vida ao presidente americano Grover Cleveland. É uma escolha historicamente muito precisa. Poucos líderes americanos estiveram tão profundamente conectados à política e às elites de Nova York quanto ele. Cleveland não era apenas o presidente dos Estados Unidos naquele momento. Ele era, em muitos sentidos, um produto da própria máquina política do estado de Nova York e da atmosfera de reformas que marcou os anos finais do século 19.

Advogado em Buffalo, Cleveland construiu uma reputação incomum para a época ao se apresentar como um reformador determinado a combater corrupção e clientelismo. Essa imagem foi consolidada quando ele se tornou prefeito de Buffalo em 1881 e, logo depois, governador do estado de Nova York em 1882, quando passou a chamar a atenção nacional.

Nova York era o coração político e econômico dos Estados Unidos nos tempos da Gilded Age. Quem dominasse o estado tinha, em muitos aspectos, meio caminho andado rumo à presidência. Cleveland venceu a eleição presidencial de 1884 por uma margem extremamente estreita, e o estado de Nova York foi decisivo para essa vitória. O resultado ali foi tão apertado que muitos historiadores ainda hoje o apontam como um dos momentos eleitorais mais delicados da história americana.

Essa dependência política explica por que Cleveland manteve uma relação constante com a cidade mesmo depois de eleito presidente. Nova York não era apenas um centro urbano importante. Era o grande polo financeiro do país, dominado por bancos, investidores, magnatas das ferrovias e famílias industriais que, de maneiras formais ou informais, influenciavam o rumo da política nacional.

Presidentes frequentemente precisavam negociar com essa elite econômica, seja para garantir estabilidade financeira, seja para manter apoio político.

É nesse contexto que se encaixa a ideia de Cleveland visitando Nova York para cultivar relações com a alta sociedade. A presença de um presidente nos salões da cidade, conversando com empresários e figuras influentes, não era apenas um gesto social. Era uma parte essencial da política da época.

A chamada Gilded Age foi marcada exatamente por essa intersecção entre dinheiro, prestígio social e poder institucional. Em outras palavras, ele vai estar no radar de George e Bertha Russell.

Como já citei antes, a inauguração da Estátua da Liberdade terá destaque na temporada, e o presidente americano estava na cerimônia. Cleveland fez um discurso sobre liberdade e democracia que ecoava diretamente com a imagem dos Estados Unidos como destino de imigrantes que chegavam pelo porto da cidade.

Mas Cleveland nunca teve uma relação completamente tranquila com os grandes milionários da época. Embora fosse respeitado por sua postura fiscal conservadora e por defender disciplina econômica, ele também se mostrou disposto a confrontar interesses empresariais quando julgava necessário. Vetou projetos que favoreciam empresas ferroviárias e criticou excessos de poder corporativo em alguns momentos, o que lhe deu a reputação ambígua de aliado e adversário das grandes fortunas da Gilded Age.

Por isso, a presença de Grover Cleveland em uma narrativa como The Gilded Age faz tanto sentido.

Daniel Manning e o poder nos bastidores

Outro nome confirmado é o de Dallas Roberts, que vai interpretar Daniel Manning, político experiente que serviu como secretário do Tesouro durante o governo Cleveland.

Portanto, se a presença do presidente Cleveland representa a conexão direta entre a Casa Branca e a elite nova-iorquina, a inclusão de Daniel Manning talvez seja ainda mais reveladora sobre o tipo de poder que circulava nos bastidores.

Manning não foi apenas um político importante do Partido Democrata. Ele era, acima de tudo, um operador político extremamente influente em Nova York, alguém que transitava com naturalidade entre jornais, campanhas eleitorais e o mundo das finanças.

Ele construiu sua carreira inicialmente no jornalismo. Foi editor do Albany Argus, um dos jornais democratas mais importantes do estado, posição que lhe permitiu participar diretamente da formação de alianças políticas e da articulação de campanhas eleitorais.

Na segunda metade do século 19, jornais não eram apenas veículos de informação. Funcionavam como centros de poder político, capazes de mobilizar eleitores, pressionar partidos e construir reputações públicas.

Foi nesse ambiente que Manning se tornou uma figura central do Partido Democrata em Nova York. Ele ajudou a organizar estratégias eleitorais, negociou alianças e, pouco a pouco, ganhou reputação como um dos estrategistas mais respeitados do partido. Sua influência cresceu especialmente durante a ascensão de Grover Cleveland, cuja carreira política ele apoiou desde os primeiros passos.

Quando Cleveland se tornou governador de Nova York e, depois, presidente dos Estados Unidos em 1885, Manning já era considerado um de seus aliados mais confiáveis. Não surpreende, portanto, que Cleveland o tenha convidado para ocupar um dos cargos mais poderosos do governo federal: o Departamento do Tesouro.

Entre 1885 e 1887, Daniel Manning serviu nessa função que o colocou no centro da política econômica do país em um momento em que os Estados Unidos viviam um crescimento industrial acelerado e uma expansão financeira sem precedentes.

O cargo de secretário do Tesouro exigia exatamente o tipo de habilidade política que Manning possuía. Ele precisava administrar o orçamento federal, supervisionar a política fiscal e lidar com pressões constantes de empresários, banqueiros e políticos.

Manning, no entanto, nunca foi apenas um tecnocrata. Ele continuou sendo um operador político sofisticado, alguém que entendia que decisões econômicas também eram decisões políticas. Sua proximidade com Cleveland refletia uma relação de confiança rara na política americana da época.

Problemas de saúde, contudo, interromperam sua passagem pelo Tesouro relativamente cedo. Em 1887, Manning deixou o cargo e voltou para Nova York, onde continuou ligado ao mundo empresarial e financeiro até sua morte, no mesmo ano.

A presença de Daniel Manning em uma narrativa como The Gilded Age faz muito sentido justamente porque ele representa um tipo específico de poder que definia aquele período histórico.

Virginia Saville e o outro lado de Nova York

Mas também há espaço para personagens novos, fictícios, que prometem movimentar a história.

Como a enfermeira Virginia Saville, interpretada por Elizabeth Marvel. Ela trabalha na Neighborhood Settlement House, instituição voltada para assistência social no Lower East Side.

As chamadas settlement houses surgiram nos Estados Unidos nas décadas de 1880 e 1890 como centros comunitários voltados para imigrantes e trabalhadores pobres, especialmente em bairros superlotados como o Lower East Side de Nova York. Esses espaços ofereciam educação, assistência médica básica, cursos de inglês, atividades culturais e apoio social para famílias recém-chegadas ao país.

Esse movimento estava profundamente ligado ao crescimento explosivo da cidade naquele período. Entre 1880 e 1900, Nova York recebeu milhões de imigrantes vindos da Europa, muitos deles judeus do Leste Europeu, italianos e alemães. A infraestrutura urbana não acompanhou esse crescimento, e bairros inteiros passaram a viver em condições extremamente precárias.

Foi nesse cenário que surgiram iniciativas filantrópicas e reformistas tentando melhorar as condições de vida dessas comunidades.

A escolha de introduzir uma enfermeira ligada a uma settlement house na narrativa de The Gilded Age provavelmente aponta para uma expansão temática da série. Até agora, a trama se concentrou principalmente na elite social de Nova York e nas disputas entre famílias da velha aristocracia e os chamados “novos ricos”. Ao trazer personagens ligados ao Lower East Side e ao trabalho social, a série pode começar a explorar também o outro lado da cidade.

Isso dialoga especialmente com a trajetória de Peggy Scott (Denée Benton). Peggy já tem funcionado como um ponto de conexão entre diferentes realidades sociais dentro da série, abordando questões raciais, intelectuais e profissionais que raramente aparecem nos salões da elite.

Mas também pode ser o que Marian Brook (Louisa Jacobson) entende como seu “novo caminho”.

Lembrando que Marian é moderna em seus pensamentos e preocupada com questões sociais, o que torna bastante possível que ela abrace essa causa. E vale lembrar que saber que The Gilded Age vai retratar, de alguma forma, a tensão entre riqueza exuberante e desigualdade social profunda é perfeito.

Afinal, um dos elementos que definem a própria expressão “Gilded Age”, cunhada por Mark Twain, é justamente esse paradoxo. O escritor usou o termo para descrever uma sociedade coberta por uma fina camada de brilho enquanto escondia problemas estruturais muito mais profundos.

Outra que pode se inspirar em Virginia Saville é Bertha Russell (Carrie Coon). Bertha, inspirada em Alva Vanderbilt, será eventualmente uma mulher reformista e já deu sinais disso ao receber as divorciadas em seu baile em Newport. Aqui pode surgir outro caminho e, quem sabe, até uma forma de reconquistar George (Morgan Spector).

Porter, Jack e os novos milionários

O último nome oficializado é o de Andrew Burnap, que vai interpretar Porter, um jovem membro da alta sociedade, formado em uma universidade da Ivy League e interessado em investir em novas iniciativas empresariais.

Aqui está o elo entre ele e Jack Trotter, personagem de Ben Ahlers, agora milionário e ainda criativo, já investindo em novas ideias. Será que Porter também poderia se tornar um novo interesse amoroso para Marian?

Ah, desculpem ainda buscar um parceiro para ela. Naqueles tempos, ser solteira não era exatamente uma boa posição social, como Ada já alertou.

Se a série vai pular dois anos desde que ela e Larry ainda estavam pensando em resgatar o relacionamento dos dois, a menos que ela já seja a Sra. Russell, encontrar “novos caminhos” não parece exatamente uma dica de reconciliação.

Mas vamos ver.

Se a terceira temporada mostrou como o poder pode ser conquistado, a quarta parece pronta para explorar algo ainda mais interessante: o momento em que esse poder começa a cobrar seu preço.

E, em The Gilded Age, as batalhas mais decisivas raramente acontecem em público. Elas acontecem nos salões, nos jantares e nas alianças silenciosas que definem quem realmente pertence à sociedade.


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