Emma Corrin: de princesa Diana a Elizabeth Bennet na Netflix

Em abril de 2019, quando a então pouco conhecida Emma Corrin foi anunciada como a nova princesa Diana de The Crown, a escolha parecia ousada. Eu escrevi sobre ela naquele momento para CLAUDIA, quando praticamente ninguém imaginava que aquela atriz de 23 anos se transformaria em um dos nomes mais comentados da televisão poucos meses depois.

A quarta temporada da série da Netflix mudou tudo. A semelhança impressionante com Diana, a delicadeza da interpretação e a própria força dramática da história transformaram Corrin em um fenômeno instantâneo. Vieram um Globo de Ouro, um Critics Choice Award e uma indicação ao Emmy. Mais do que isso, surgiu uma estrela.

Seis anos depois, Emma Corrin ainda fala de Diana com uma emoção rara. Em entrevista à Variety, a atriz afirmou que continua considerando aquele um papel especial. “Eu a amava. Adorava interpretá-la”, disse. Mais do que isso, revelou que nunca se sentiu sozinha durante a experiência. “Eu sentia que estava fazendo aquilo com ela.” Talvez seja por isso que até hoje seu cachorro se chama Spencer, numa referência à família da princesa.

Mas o sucesso de The Crown trouxe um problema comum aos atores que vivem personagens icônicos: o risco de serem aprisionados por eles. A própria Corrin admite que percebeu como Hollywood gosta de colocar artistas em determinadas caixas. E, em vez de permanecer como a nova especialista em dramas de época, começou deliberadamente a buscar caminhos menos óbvios.

Vieram My Policeman, ao lado de Harry Styles, e uma nova adaptação de Lady Chatterley’s Lover, ambos na Netflix. Em seguida, mergulhou em projetos completamente diferentes, como o drama gótico Nosferatu e o excelente episódio “Hotel Reverie”, da sétima temporada de Black Mirror, um dos melhores mistérios recentes da antologia.

Entre uma produção e outra, Corrin fez uma inesperada incursão pelo Universo Marvel. Em Deadpool & Wolverine, interpretou Cassandra Nova, irmã gêmea de Charles Xavier e principal antagonista da aventura estrelada por Ryan Reynolds e Hugh Jackman. Apesar do enorme sucesso do filme, a participação acabou sendo relativamente pequena diante da dimensão da franquia.

A atriz descreveu a experiência para a Variety como entrar em um parque de diversões. Acostumada a produções menores e dramas de época, sentia-se como alguém que deveria estar usando um crachá de visitante. Segundo ela, Ryan Reynolds, Hugh Jackman e o diretor Shawn Levy transformaram o set em um “playground” e fizeram com que tudo parecesse menos intimidante. E garante que voltaria ao papel sem hesitar. “Absolutamente, 100%”, afirmou.

Ainda assim, nada do que veio depois provocou a mesma repercussão que acompanhou sua princesa Diana. E talvez seja justamente Elizabeth Bennet quem esteja prestes a mudar isso.

No segundo semestre de 2026, a Netflix estreia sua aguardada minissérie de seis episódios baseada em Orgulho e Preconceito, escrita por Dolly Alderton (Everything I Know About Love) e dirigida por Euros Lyn (Heartstopper). Ao lado de Jack Lowden como Mr. Darcy e Olivia Colman como Mrs. Bennet, Corrin assume uma das personagens mais amadas da literatura inglesa.

Mais de vinte anos depois do filme estrelado por Keira Knightley e Matthew Macfadyen, considerado definitivo para uma geração inteira, a nova adaptação tenta apresentar Jane Austen a um novo público sem abandonar a essência do romance original. A proposta é ser fiel ao livro, mas encontrar maneiras contemporâneas de contar a história.

E ninguém parece sentir mais o peso dessa responsabilidade do que a própria protagonista.

“Estou muito intimidada”, confessou à Variety. “As pessoas naturalmente gostam de comparar versões e eu também faço isso.” Ao mesmo tempo, descreve as filmagens como uma das experiências mais felizes da carreira. “Foi um dos meus trabalhos favoritos.”

Corrin também destacou a presença majoritária de mulheres no elenco e na equipe técnica, algo que, segundo ela, ainda é raro na indústria. “Você sente a diferença na energia. Percebe como aquilo é especial, mas também como ainda há muito trabalho a ser feito.”

Hoje, aos 30 anos, Emma Corrin parece viver uma fase de experimentação. Depois de Diana, recusou-se a permanecer no lugar confortável que Hollywood havia reservado para ela. Passou pelo romance, pelo terror, pela ficção científica, pela Marvel e pelo teatro. Ainda procura o próximo papel que desafie expectativas.

Mas existe uma ironia deliciosa nessa trajetória: justamente quando tentava se afastar dos dramas de época, é outra heroína clássica que parece pronta para recolocá-la no centro das atenções.

Afinal, poucas personagens carregam tanta responsabilidade — e tantas comparações inevitáveis — quanto Elizabeth Bennet.

E Emma Corrin sabe disso melhor do que ninguém.


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