Dwayne Johnson, Moana e a beleza de deixar uma filha navegar

Como publicado em CLAUDIA

Dwayne Johnson chegou ao Brasil para divulgar o live-action de Moana, mas, na coletiva de imprensa, foi quando falou das filhas que o personagem Maui deixou de ser apenas um semideus da Disney para se tornar algo muito mais íntimo. Para o ator, que volta ao papel quase dez anos depois da animação original, Moana não é apenas uma aventura sobre o mar, a coragem e a cultura polinésia. É também uma história sobre família, perda, ancestralidade e sobre o momento delicado em que pais precisam aceitar que seus filhos talvez estejam prontos para navegar sozinhos.

Pai de três meninas, Dwayne contou que aprendeu, ao longo dos anos, a rever seu instinto de proteção. No filme, o pai de Moana teme que a filha ultrapasse os limites conhecidos da ilha. Na vida real, o ator reconhece esse impulso. “Sou um pai protetor”, disse. “Mas aprendi que minhas filhas precisam tomar suas próprias decisões. E, se falharem, tudo bem. Estarei lá para ajudá-las a se levantar.”

É uma frase simples, mas talvez seja uma das maiores angústias da maternidade e da paternidade: como proteger sem impedir? Como orientar sem controlar? Como amar sem transformar o amor em medo?

Em Moana, essa tensão aparece no desejo da protagonista de ir além do recife. Para Dwayne, é justamente aí que o filme continua importante para novas gerações. A mensagem, segundo ele, não é apenas sobre vencer, mas sobre tentar. “O pior que pode acontecer é não funcionar. Mas talvez funcione. Ou talvez te leve a outro caminho ainda melhor.”

Há algo profundamente feminino nessa leitura, embora venha de um homem conhecido por sua força física. Dwayne falou pouco de músculos e muito de vulnerabilidade. Disse que Maui, apesar de ser um semideus capaz de erguer ilhas e laçar o sol, só encontra sua verdadeira força quando se permite falar da própria dor. Para ele, esse é um aprendizado importante sobretudo para os homens: a ideia de que se abrir não diminui ninguém.

O ator também revelou que suas filhas mais novas demoraram a acreditar que ele era a voz de Maui na animação. Durante a pandemia, assistiam ao filme repetidamente, e ele dizia: “Esse é o papai”. Elas respondiam que não. Agora, ao vê-lo fisicamente como Maui no live-action, finalmente acreditaram.

Mais do que isso, ele se emocionou ao falar sobre representatividade. Dwayne disse que, quando era criança, não via heróis que se parecessem com ele nas telas. Por isso, considera especial que suas filhas possam ver meninas marrons, mulheres polinésias e famílias como a sua ocupando o centro de uma grande produção da Disney.

A passagem familiar pelo filme não é apenas simbólica. Dwayne contou que sua mãe e suas filhas aparecem rapidamente no live-action, em uma cena de despedida. Foi um pedido pessoal ao diretor Thomas Kail. “Nossos entes queridos não estarão aqui para sempre”, explicou. Queria guardar aquela imagem como uma memória de família.

Essa talvez seja a chave mais bonita de sua relação com Moana. O personagem Maui foi inspirado em seu avô, High Chief Peter Maivia, figura importante da cultura samoana e da própria história familiar do ator. Ao interpretar Maui em carne e osso, Dwayne diz sentir que carrega o avô, a mãe, as filhas e a ancestralidade polinésia em um mesmo gesto.

Por isso, quando afirma que Moana é “mais do que um filme”, a frase não soa como discurso promocional. Para ele, é cultura. É memória. É vida familiar transformada em cinema.

E, no centro dessa história de ilhas, oceanos, deuses e canções, permanece uma mensagem quase doméstica: criar uma filha talvez seja também aprender a vê-la partir, confiar em sua bússola interna e estar ali, não para impedir a queda, mas para ajudá-la a levantar.

Porque, no fim, a travessia de Moana nunca foi apenas sobre chegar a algum lugar. Foi sobre descobrir que ela já carregava dentro de si a coragem necessária para ir.


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